5 de fevereiro de 2017

{Resenha} O amor nos tempos do AI-5

Hoje a resenha é sobre o livro "O amor nos tempos do AI-5" de Ricardo de Moura Faria.

Eu estava em um dia na livraria, quando comecei a ler esse livro, gostei da capa e a leitura fluiu. Resolvi que não ficaria sem saber o final desse história e acabei comprando.

Chegando em casa li mais um pouco, mas percebi que o livro tinha um enredo interessante porém não conseguiria terminar rápido. Demorei um ano para ler o livro. Sim! Exatos 1 ano esse mês de janeiro de 2017. 

A história gira em torno de Afonso e Celina, os anos são 1971 e 1972, em Belo Horizonte. Afonso é professor universitário e Celina professora do primário. Casados, vivem em uma casa, tem dois filhos e estão bem felizes, até que Afonso conhece Haydée, uma universitária, linda, presidente do Centro de Estudos e que sonha ser professora. Os dois acabam se deixando envolver e ao mesmo tempo Celina se aproxima de Toninho, um professor de sua escola que cai de amores por ela. 

É isso mesmo minha gente, os quatro acabam vivendo um romance, o casamento de Afonso e Celina se torna aberto e ambos trocam experiências sobre seus parceiros. 

O que não podemos deixar de falar é que tudo isso ocorre na época da Ditadura no país. Muitos são presos e torturados e o casal com seus respectivos amantes vivem bem. 
O que me incomodou bastante na trama é o fato do autor se prender demais na relação sexual do casais, "esquecendo" um pouco de falar sobre o próprio Ato Institucional número 5 (13/12/1968 - 13/10/1978), que foi o quinto de uma série emitidos pelo regime militar brasileiro nos anos seguintes ao Golpe Militar de 1964. O AI-5, sobrepondo-se à Constituição de 24 de janeiro de 1967, bem como às constituições estaduais, dava poderes extraordinários ao Presidente da República e suspendia várias garantias constitucionais.

Eu senti muita falta dessa parte da história no livro e acho que por isso para mim se tornou uma leitura arrastada. Celina e Haydée eram mulheres que estavam muito além do seu tempo. Com seu jeito descolado e divertido a garota acabou conquistando todos da família, inclusive os filhos do casal. 

Afonso também era um homem bem para frente, e mesmo a esposa sendo um pouco mais conservadora, incentivou esse relacionamento aberto. Celina, no começo ainda ficou receosa e chateada com o marido, pela traição, mas no final acabou gostando também porque apimentou e melhorou o casamento deles. 

O final deixa um pouco a desejar. Eu li o livro só pensando em como o autor acabaria a trama e definitivamente fiquei triste. 

Bom, acho que o livro é interessante para quem gosta de romances apimentados. Agora se você quer saber de história mesmo, acho melhor procurar outro título. De resto recomendo a leitura para que cada um tire suas próprias conclusões.


Título: O amor nos tempos do AI-5
Autor: Ricardo de Moura Faria
Editora: Novo Século
Páginas: 544
Sinopse: A trama se desenrola em Belo Horizonte, nos anos de 1971 e 1972. Um professor universitário, Afonso, casado com uma professora de ensino primário, Celina, envolve-se amorosamente com uma aluna, Haydée. Com conhecimento da esposa, o envolvimento transcorre e ela também é seduzida por um colega de trabalho, Toninho. Dois triângulos se formam, portanto e na tentativa de racionalizar o que ocorre, chega-se à conclusão de que essa liberdade amorosa, que quebra tabus, é consequência da repressão política em que se vivia no país naqueles anos de chumbo.

4 comentários:

  1. Olá Denise, tudo bem? Sempre tive uma enorme curiosidade em ler esse livro, no entanto sempre desanimava, pelo calhamaço que é a obra. E, lendo sua resenha certifiquei-me que o livro não vale a minha leitura, infelizmente. A resenha ficou excelente, bem explicada de forma clara o que encontrar na obra. Abraços.

    www.marcasliterarias.com.br

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    1. Obrigada Luciano, acho que vale a pena ler, se você tiver um tempinho heheh.
      Abraços

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  2. Denise, foi uma surpresa agradável ler sua resenha (descobri pelo google...rsss).
    Quero agradecer seu interesse pelo meu primeiro romance. Só vou discordar um pouquinho quando você diz que o AI-5 ficou "esquecido". Na verdade ele está o tempo todo no livro. Não ele em si, mas os desdobramentos. Ele é de 1968, como você mesma colocou. E o livro tem início em 1971, quando os efeitos dele já estavam presentes. Não foi isso que levou Haydée a ser interrogada por um militar? Não foi isso que a levou a buscar ler um livro que era proibido? E os assaltos a bancos, os movimentos de resistência à ditadura, aparecem no livro, assim como a opção dela por ingressar naqueles movimentos. Tudo isso é o "clima do AI-5", concorda?
    Mas, de qualquer forma, obrigado pela resenha.
    Ricardo de Moura Faria, o autor... rsss

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    1. Olá Ricardo, que bom que a resenha aparece no Google, fico bem feliz. Então, ele até aparece, mas o foco central é o romance, e isso acaba sendo mascarado.
      Abç.
      Denise

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