21 de abril de 2019

{Resenha} Filosofia do Cotidiano

Hoje a resenha é sobre o livro "Filosofia do Cotidiano, um pequeno tratado sobre questões menores"de Luiz Felipe Pondé.


Confesso que quando vi o lançamento desse livro, fiquei bem empolgada. Não conhecia nada do autor e a leitura foi interessante para isso. 

Pondé traz algumas questões e reflexões do cotidiano que ele faz de uma forma descontraída e clara acerca de diversos assuntos do dia-a-dia que nos faz pensar e agir de um modo imposto pela sociedade, amigos, família.

O livro é dividido em vinte e cinco capítulos nos quais, o autor, não tem medo ou receio de expor sua opinião e aquilo que não é conveniente para os outros, de um modo geral. Em alguns momentos, há uma forma meio sátira e outros um humor mais ácido. 

Para os amantes da filosofia e de reflexões, é um livro no qual podemos questionar muitas coisas, concordar e discordar sem medo e ainda assim pensar, analisar e criticar, inclusive as nossas ações e condutas. 
"Eis o segredo dos sites de relacionamento: o fora é on-line, não carrega a violência da vida off-line"
Uma parte que achei bem interessante foi a forma como ele fala dos aplicativos de relacionamento. O ponto principal é vislumbrar uma sociedade que está cansada de ir atras das coisas, e isso implica relacionar-se. Porque, assim como Pondé fala, é muito mais difícil você levar um fora ao vivo do que não receber o like naquela foto que você tirou em algum momento da sua vida. 

Em algumas partes do livro, fiquei bem incomodada com as colocações do autor. Confesso que em dado momento questionei a leitura, porém é importante entender os pontos nos quais ele traz uma certa polêmica e como fazer disso uma análise, partindo do ponto de que cada um acredita. 

Eu acho a leitura interessante e uma forma de entendermos mais essas questões menores que não conseguimos sequer parar para refletir, no nosso dia-a-dia. 

Vem embarcar na leitura. 


Título: Filosofia do Cotidiano - um pequeno tratado sobre questões menores
Autor: Luiz Felipe Pondé
Editora: Contexto
Páginas: 128
Sinopse: “Filosofar nunca foi sobre deixar você feliz. É que andam mentindo muito por aí. Filosofar está mais ligado ao despertar do sonambulismo. Essa é minha proposta nesta conversa com você.”
“Quem tem medo de sofrer é incapaz de desejar.”
“A obsessão pela felicidade faz de você um chato. Como escapar dessa armadilha? Escolher o fracasso? Não precisa, ele te achará. Viver sem fórmulas é o desafio.”
“Uma certa dose de banalidade na vida é indício de alguma saúde mental, só gente doente e chata quer ser absolutamente relevante em tudo que faz.”
***
“O cotidiano nem sempre é tomado apenas por questões profundas. E nem só delas vive o homem, mas também de banalidades. Muitas vezes, ele é tomado por questões ‘menores’, e é a elas que nos dedicaremos aqui. O cotidiano tenderá a ser mais pobre no futuro. Mais entediante e previsível. Refletiremos sobre pequenas questões neste livro.” - Luiz Felipe Pondé

2 de abril de 2019

{Resenha} Despertei por Você

Hoje a resenha é sobre o livro "Despertei por você" de Priscila Toratti.

Eu comecei a ler esse livro sem pretensão nenhuma. Confesso que estava um pouco cansada de leitura espírita, mas esse livro veio como um bálsamo para o meu coração. 

Mei é uma mulher que não conhece muito o mundo lá fora. Em um visita em Paraty, se vê fora do corpo e começa a conversar com um rapaz, que aparentemente parece desencarnado, e que a faz perceber que existe sim vida após a morte. Esse rapaz é Tom, um amigo que faz com que Mei comece a estudar sobre projeção consciente e realmente realizar algumas intervenções que mudarão a vida de muitas pessoas a seu redor. 

Vivendo com sua irmã Olívia e seu cunhado Divaldo, Mei se vê presa em um mundo bem triste. 
As duas perderam a mãe muito cedo, vítima de suicídio, e isso acabou afetando o crescimento das duas meninas. Mei era uma criança e se viu cuidada pela irmã, que se deixou levar pela lábia de Divaldo e acabou casando-se com ele. Os dois tiveram um menino. E a vida estava bem difícil para a família, só que piorou após uma fatalidade acontecer ao filho de Olívia.

Após a visita até Paraty, Mei conseguiu entender que poderia fazer projeções do corpo enquanto dormia, de forma consciente, e começou a estudar para tentar sair de casa e das garras de seu cunhado e irmã. 

Orixan, seu amigo que fazia parte do candomblé a ajudou nessa empreitada dando conselhos e abrigo, quando Mei mais precisou. 

A cada projeção, a menina que havia se transformado em mulher, aprendia e ajudava a equipe espiritual com casos difíceis. Tom estava sempre por perto de Mei, fazendo com que ela acabasse se envolvendo de uma forma que não pudesse controlar seus desejos, estando encarnada. 

Após um incidente com a cachorrinha de Orixan, seu amigo e confidente, Mei resolveu dar um passo a mais na sua vida e se viu em um montanha russa em queda livre. As suas escolhas seriam muito importantes para o seu futuro e com a ajuda dos amigos próximos, ela conseguiria resolver problemas que envolviam o passado e outras vidas. 

Eu li esse livro muito rápido. É uma leitura fluida e ao mesmo tempo bem leve. Aquela leitura que faz você refletir sobre os seus atos e ações, estando nesse mundo de provas e espiações. 

Mei evolui muito ao longo da leitura e nos deixa cada vez mais apaixonados com as suas projeções. Sentimos seus medos e vivenciamos seus momentos de alegria e realização espiritual. 

Eu gostei bastante da leitura e a recomendo! E se você não acredita muito nessas coisas de mundo espiritual, dê uma chance para essa leitura. Ela pode te surpreender. 


Título: Despertei por você
Autor: Priscila Toratti
Editora: Vida e Consciência
Páginas: 224
Sinopse: "Amada Olívia, minha dor não tem cura. Cuide de nossa pequena Mei. Perdão. Com amor, Jussara." Poucas palavras, nenhuma explicação. Aquele curto bilhete encerrava em si grandes mudanças na vida de duas irmãs.
Mei é uma jovem sem grandes perspectivas e moradora da periferia de São Paulo, cuja vida começa a se transformar quando, em uma viagem a Paraty, ela tem sua primeira experiência de projeção astral.
Auxiliada por amigos espirituais, a moça viverá as emoções do primeiro amor, a conquista do emprego, a responsabilidade por suas escolhas e entenderá a importância do desenvolvimento espiritual e do equilíbrio emocional para alcançar a felicidade.




24 de março de 2019

{Resenha} A Barraca do Beijo

Hoje a resenha é sobre o livro "A Barraca do Beijo" de Beth Reekles.


Eu li esse livro justamente porque assisti ao filme e simplesmente o achei fofo demais, então pensei que o livro poderia ser melhor. Acho que não posso afirmar isso.

Elle Evans é aquela adolescente bonita e popular. Tem Lee, seu melhor amigo, que se não fosse de outra família, poderia dizer que são gêmeos, pois nasceram no mesmo dia. Porém, o que mais a incomoda é que ela nunca foi beijada.

Noah Flynn é o irmão mais velho de Lee, é bonito, popular, bad boy e é viciado em violência. Elle até tinha uma queda por ele quando era mais nova, mas a proximidade com a família Flynn a fez abortar a ideia.

Elle e Lee tem a super ideia de fazer uma barraca do beijo no Festival de primavera da Escola e aí Elle vai perceber a sua dar uma virada de 180 graus. Noah e Elle acabam se beijando no festival sem que Lee saiba e iniciam um romance que pode atrapalhar a vida dos dois, mas também mudará o futuro não só de Elle como de Noah também.

O que falar desse livro? Posso dizer que o filme me agradou muito, mas muito mais. O Noah do livro é agressivo, possessivo, controlador e muito machista, sério, fiquei um tempo sem ler, porque peguei ranço.

A Elle é uma adolescente que descobre a sexualidade e o mulherão que é, só que quem está a seu lado é um cara que não a ajuda a crescer e se descobrir, então tem horas que dá um pouco de nervoso do casal.

Lee é aquele amigo que sempre quer o bem para Elle, não porque gosta como mulher e sim porque a considera a irmã que não teve e conhece seu irmão a fundo, para pensar que ele não serve para a sua melhor amiga e acredito que nesse ponto ele está certo.

Eu, honestamente, não gostei muito da abordagem que foi feita no livro até a Elle se render aos encantos do Noah. Hoje, estudando, analisando, vendo relatos e entendendo o que é um relacionamento abusivo, entendo que ela vive isso com a relação que acaba criando com o Noah.

Eu li o livro achando que iria amar, mas não posso dizer algo no qual não concordo mais. Romantizar essa relação, é assinar embaixo sobre uma relação abusiva. Então, peço que leiam e que tirem suas próprias conclusões, mas que venham debater comigo.


Título: A barraca do beijo
Autor: Beth Reekles
Editora: Astral Cultural
Páginas: 336
Sinopse: ELLE EVANS é o que toda garota quer ser: bonita e popular. Mas ela nunca foi beijada. NOAH FLYNN é lindo e um tanto quando bad boy - tá, o maior bad boy da escola - e o rei dos joguinhos de sedução. A verdade é que Elle sempre teve uma queda pelo jeito descolado de Noah, que, por coincidência, é o irmão mais velho de seu melhor amigo, Lee. Essa paixão cresce ainda mais quando Elle e Lee decidem organizar uma barraca do beijo no festival da Primavera da escola e Noah acaba aparecendo por lá. Mas o romance desses dois está bem longe de ser um conto de fadas. Será que Elle vai acabar com o coração partido ou conseguirá conquistar de vez o bad boy Noah?

11 de março de 2019

{Resenha} Treze

Hoje a resenha é sobre o livro "Treze" de FML Pepper.


Eu posso confessar algo para vocês? 
Quando eu recebi esse livro para ler, não coloquei fé de que poderia gostar da leitura, foi uma leitura bem despretensiosa e quer saber o que achei? Leia a resenha até o fim!

Rebeca é aquele típico de mulher cética, bem objetiva e determinada nas coisas que quer fazer e nas vésperas de aplicar o maior golpe de sua vida, ela acaba cruzando com uma cartomante, em um parque de diversões caindo aos pedaços, que a diz coisas que no fim ela quase acredita. 

A única questão é que quando Rebeca vê sua vida virar de cabeça para baixo, acontecendo quase tudo o que a cartomante previu, ela espera o último fato. O rapaz que se diz seu décimo terceiro namorado irá salvar a sua vida e a fará uma pessoa melhor. Não que ela não seja uma mulher cuidadosa e atenciosa, especialmente com a sua melhor amiga Suzy e sua mãe. 

A história gira em torna de Rebeca e suas escolhas. Ela se vê dividida entre dois rapazes que acabam chamando a sua atenção e que acredita que um deles será seu décimo terceiro namorado. 

Rebeca é uma mulher que evolui e cresce muito ao longo da história. E o que falar dos dois homens que acabam encantando o coração da nossa protagonista? Um era uma estrela do MMA e por uma fatalidade acaba se pegando em conflito com a sua existência. O outro é o Eric, um homem que fará de tudo para conquistar e ter o amor de Rebeca. 

E agora, quem será o número treze? Como a Rebeca irá lidar com essa situação, será que o que aquela cartomante falou realmente irá mudar a sua vida?

A Pepper nos traz uma história um tanto clichê, mas sabe aquele clichê que traz um quentinho para o  seu coração? É esse livro. 

A leitura é fluida e ao mesmo tempo rápida, pois você se envolve tanto com os personagens que acaba querendo entrar dentro do livro para resolver todos os seus problemas. O ceticismo da Rebeca no início chega até dar uma aflição, ela acaba passando por algumas situações de crescimento e empoderamento até para saber escolher ao final. 

É um livro que retrata bem sobre o amor, a esperança, as crenças e a fé e o quanto isso pode impactar no seu futuro e nas suas escolhas. 

Eu só tenho é que indicar o livro de olhos fechados, porque ele é simplesmente MARAVILHOSO! 
Vem logo ler. 

*E-book cedido pela autora.

Título: Treze
Autor: FML Pepper
Editora: Galera Record
Páginas: 406
Sinopse: “TREZE, o romance repleto de ação e de reviravoltas onde por detrás dos mistérios de um número encontra-se o verdadeiro amor”.Às vésperas de cometer o maior golpe de sua vida, a céticaRebeca vai a um parque de diversões decadente e se depara com uma enigmática cartomante que, contra a sua vontade, faz uma série de previsões bizarras sobre seu futuro. Para seu desespero, todas as nefastas previsões viriam a se concretizar e a arremessariam em um furacão de perdas e de derrotas. Quando sua vida chega ao fundo do poço, circunstâncias inesperadas lhe dão a chance de um recomeço e, querendo ou não, agora Rebeca não pode desprezar a última e mais perturbadora previsão da vidente: o número TREZE, ou melhor, o décimo terceiro namorado seria o homem que traria sua salvação. Longe dele, sua existência seria apenas caos e ruína. O que Rebeca jamais poderia imaginar, no entanto, é a que a cartomante camuflaria o predestinado atrás de charadas. Dois rapazes surgem em seu caminho e se encaixam perfeitamente nas pistas, mas apenas um deles será o grande amor da sua vida. É chegada a hora de decifrar o enigma do coração ou arriscar perder tudo para sempre.

8 de março de 2019

{Resenha} Inferior é o Car*lho

Hoje a resenha é sobre o livro "Inferior é o Car*alho" de Angela Saini.

Eu confesso que assim que esse livro saiu, fiquei extremamente empolgada, não só por se tratar de um tema bem atual e ainda assim, muitos não sabem o que falam e, também por se tratar de um livro da DarkSide. Aí sabemos, que o livro vem com aquela qualidade que a gente já espera.

A Angela separa o livro em oito grandes temas. e vai discorrendo sobre eles ao longo dos capítulos.

Falar sobre ciência, religião, sexualidade e direitos iguais era algo que não estava a nosso alcance e que Graças as forças da natureza, depois de muitas mulheres maravilhosas terem pagado até mesmo com a vida, estamos aqui dialogando sobre esses temas.

Esse livro nos abre um pouco a mente sobre como a mulher sempre foi tratada ao longo dos séculos e como ela ainda não é tão bem vinda assim em alguns cenários, entretanto estamos falando aqui sobre nós mesmas para tentarmos quebrar isso. Não é mesmo, coleguinha?
"Certamente acredito que as mulheres, conquanto, em geral, superiores aos homens [em] qualidades morais, são inferiores em termos intelectuais" 
Ciência não era algo em que a mulher poderia se enfiar, pois, primeiro, alguns cientistas achavam que nós éramos inferiores. Sim, isso mesmo, INFERIORES! E, para se ter certeza disso, muitos teriam que estudar as diferenças entre os dois sexos, porém o investimento para isso tornava a pesquisa caríssima, além de termos hormônios caóticos, e muitos optavam por estudar somente um cérebro e esse sempre calhava de ser o masculino que é 142 g mais pesado que o feminino.
"...Não eram sequer reconhecidas como cidadãs plenas. Foi apenas em 1882 que as mulheres casadas do Reino Unido tiveram reconhecido o direito de ter propriedades e de controlá-las. E, em 1887, apenas dois terços dos estados norte-americanos autorizavam que uma mulher casada ficasse com a própria remuneração."
Angela discorre sobre temas polêmicos no livro e quando o leitor começa lê, começa a vislumbrar tudo o que a mulher sofreu, desde que o mundo é mundo até hoje.

Uma das partes que mais me chocaram foi como a mulher ainda é vista em países do Oriente Médio e como essa cultura de abuso, violência e estupro ainda está longe de acabar, inclusive em se tratando de mutilação. Fiquei bem reflexiva e mal por tantas garotas ainda terem seu destino selado na infância. Isso mostra o quanto ainda somos irracionais e egoístas.

O livro é um artigo cientifíco, com todas as fontes para consulta. Entender o femininismo não é fácil, muitos podem dizer que é capricho nosso ou que somos fadadas ao coitadismo, mas são séculos tentando provar que sim, não somos só sentimento, não somos inferiores porque temos o cérebro menor em peso, não somos só um corpinho bonito. Somos parte de uma sociedade tentando provar a todo o tempo o nosso valor e através de livros como o da Angela, conseguimos entender que muitas mulheres deram a vida, literalmente, para isso!

Não é modinha! Não é querer ser igual ao homem ou competir. É entender que fazemos parte do processo de evolução da humanidade, que somos seres iguais aos homens no aspecto inteligência, temos nossas diferenças físicas, mas isso não impede de trabalharmos nas mesmas funções, dividir a conta, ter um cargo de chefia, ser Presidente da República ou ser do lar.
"São os fatos que nos darão o poder de transformar a sociedade para melhor, uma sociedade que trata a todos nós como iguais. Não só porque isso nos faz civilizados, mas porque, como já apontam as provas, isso nos faz humanos"
O livro é genial! Fiquei tão extasiada ao lê-lo que é difícil colocar em palavras tudo. Só peço que leiam e vamos debater sobre. O feminismo precisa disso! Eu e você também precisamos!

Venham ler!


Título: Inferior é o Car*lho
Autor: Angela Saini
Editora: DarkSide Books
Páginas: 320
Sinopse: Existem alguns “fatos” sobre as diferenças entre os sexos que nós crescemos sabendo. Homens são fortes, durões, mais inclinados à promiscuidade e melhores ao estacionar carros. Mulheres são mais sensíveis, menos intelectuais, não tão favoráveis ao sexo casual e são melhores cuidando da família. Certo? 
Errado.
Defendidas há séculos por evidências superficiais — e enraizadas em nossa sociedade sexista —, essas visões parecem naturais, imutáveis e até mesmo legítimas, chegando, inclusive, a se perpetuarem em nosso vocabulário. Porém, ao serem examinadas de perto, não se sustentam. Em Inferior é o Car*lhø, lançamento da linha Crânio da DarkSide® Books, a jornalista britânica Angela Saini convida você a esquecer tudo o que sabe sobre as diferenças entre os sexos e embarcar em uma jornada esclarecedora sobre as mentiras e meias-verdades que a ciência propagou ao longo dos últimos séculos. 
As primeiras páginas já surpreendem ao resgatar uma troca de cartas ocorrida na era vitoriana entre Caroline Kennard, destaque no movimento feminista em uma cidadezinha de Massachusetts, nos Estados Unidos, e o naturalista inglês Charles Darwin. “Certamente acredito que as mulheres, conquanto, em geral, superiores aos homens [em] qualidades morais, são inferiores em termos intelectuais, e parece-me ser muito difícil, a partir das leis da hereditariedade (se eu as compreendo de forma correta), que elas se tornem intelectualmente iguais ao homem”, escreveu o autor de A Origem das Espécies em uma negação de tudo pelo que o movimento de mulheres lutava à época — e segue lutando até hoje. A srta. Kennard não hesitou ao enviar uma resposta inflamada que dizia: “Deixe que o ‘ambiente’ das mulheres seja semelhante ao dos homens, e com as mesmas oportunidades, antes de julgá-las, com justiça, intelectualmente inferiores a eles, por favor”.
São pensamentos como o de Darwin que Angela Saini questiona em Inferior é o Car*lhø. Jogando luz sobre pesquisas controversas focadas nas diferenças entre os sexos — e não nas similaridades —, resultados de estudos tendenciosos que não incluíram a outra metade da população e até mesmo o machismo impregnado em laboratórios e universidades, ela investiga o mito de que homens e mulheres são fundamentalmente diferentes em sua biologia, mostrando como traçar essa linha nos afeta não apenas individualmente, mas também como sociedade.
Com diligência e uma linguagem objetiva, a jornalista apresenta em cada capítulo um recorte na história da ciência que difundiu o mito de que mulheres são inferiores, viajando o planeta para entrevistar cientistas, pesquisadores e especialistas e obter sempre os dois lados da história. A edição brasileira homenageia o trabalho da artista gráfica e ativista Barbara Kruger, e conta também com a introdução da professora de teoria literária e pesquisadora Heloisa Buarque de Hollanda, que publica em breve um livro sobre a quarta onda do movimento feminista.
Leitura indicada pelo jornal The Independent e pelo TED Talks, livro do ano do Physics World e destaque na categoria de ciência e tecnologia do Goodreads Choice Awards de 2017, Inferior é o Car*lhø integra a linha Crânio, que publica material minuciosamente selecionado para nos ajudar a questionar o estranho e admirável mundo em que vivemos. Uma obra poderosa que revela uma perspectiva alternativa para a ciência em que mulheres não são excluídas, mas fazem parte desta história — e, sobretudo, ajudam a escrevê-la. Um livro para mulheres e homens que buscam igualdade em nossa sociedade, pois, ou vamos juntos, ou não vamos a lugar nenhum.











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