5 de setembro de 2018

{Resenha} O Conto da Aia

Hoje a resenha é sobre o livro "O conto da aia" de Margaret Atwood.

Eu comecei a ver a série que é inspirada no livro, The Handmaid's Tale, e fiquei extremamente obcecada para ler o livro.

Confesso que no início tive um pouco de dificuldade de entender, apesar de ser uma escrita bem fluida e a leitura acaba te instigando.

Os Estados Unidos criaram uma sociedade religiosa, chamada Gilead, onde pela crise social e política no país, houve muita queda na natalidade. As mulheres que era inférteis tinham outras funções dentro da sociedade, eram educadoras, fiscais do novo sistema e/ou empregadas domésticas. As poucas que podiam ter filhos, chamadas aias, eram aprisionadas e viviam com famílias para gerarem filhos para essas famílias. Geralmente são famílias ricas e detentoras do novo poder.

O livro é narrado em primeira pessoa, Offred é a aia que nos mantém informados de toda a sua rotina na casa do comandante. Toda a política é rodeada pelo livro do antigo testamento (da Bíblia) de modo deturpado, o que faz com que as mulheres férteis (aias) se submetam ao regime ditatorial do país. E se por ventura, elas não conseguirem gerar um filho em um prazo determinado, chegam a tentar com outra família ou são encaminhadas para colônias envenenadas e acabam morrendo nessas colônias.  

Offred vai nos narrando como a vida dela se transformou, vivendo uma vida de privações, para uma mulher que trabalhava, era casada, tinha uma filha, tinha uma vida estável e independente. Esse é o choque que temos ao ler o livro e também ao assistir a série. Através de flashback's, conseguimos entender o que se passou na vida dela em um momento passado e como ela se vê no hoje.  

Gilead era uma republica que fazia com que as pessoas fossem punidas, por qualquer coisa que ia contra a sociedade, a mulher em si não tinha opinião, não podia expressar emoções, ter amigos/amigas, trabalhar e até mesmo ser independente. 

Offred acaba compartilhando seus momentos de solidão, como uma aia e como lidar com as recordações de um passado em que amou e foi amada e tudo o que mais amava lhe foi tirado sem pedir licença ou permissão. Depois de um tempo nessa situação, ela chega a pensar que tudo que vivia antes com a sua família, era um sonho e o quanto há uma semelhança pensando que estamos no século XXI. E confesso, que essa é a parte que mais me choca e me deixa perturbada com o livro. Pensar que Offred está vivendo algo no futuro que muitas mulheres nesse século ainda vivem!

Quando publicado em 1985, Margaret se inspirou na Revolução Islâmica de 1979, em que transformou o Irã em uma República islâmica teocrática que tinha no poder cristãos radicais, nos mostra as muitas possibilidades de dominação que povos podem sofrer, independente de credos, raças ou culturas. 

O livro é muito intenso, muito bom e a escrita é bem fluida. Ao final, ainda temos algumas revelações, que se torna extremamente interessante e importante. Então, se você pensar em não ler as últimas páginas, não faça isso! LEIA!

Eu só posso dizer que adorei do início ao fim o livro. Não é uma leitura fácil, até pela forma como as mulheres são tratadas, mas é uma leitura bastante instigadora, até para pensarmos na sociedade em que vivemos e daqui para frente como será. Um livro publicado há mais de 30 anos, mas que é muito atual. Super recomendo. 


Título: O conto da aia
Autor: Margaret Atwood
Editora: Rocco
Páginas: 368
Sinopse: Escrito em 1985, o romance distópico O conto da aia, da canadense Margaret Atwood, tornou-se um dos livros mais comentados em todo o mundo nos últimos meses, voltando a ocupar posição de destaque nas listas do mais vendidos em diversos países. Além de ter inspirado a série homônima (The Handmaid’s Tale, no original) produzida pelo canal de streaming Hulu, o a ficção futurista de Atwood, ambientada num Estado teocrático e totalitário em que as mulheres são vítimas preferenciais de opressão, tornando-se propriedade do governo, e o fundamentalismo se fortalece como força política, ganhou status de oráculo dos EUA da era Trump. Em meio a todo este burburinho, O conto da aia volta às prateleiras com nova capa, assinada pelo artista Laurindo Feliciano.

2 comentários:

  1. Admiro muito mulheres que conseguem encarar o livro e a série. Eu me sinto muito mal assistindo. É como se fosse comigo, sabe? Adoro suas resenhas.

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    1. Eu te entendo super Aly. Não é uma leitura fácil e a série acaba sendo mais difícil, pois é bem parecida da escrita do livro. Obrigada!

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