Hoje a resenha é sobre o livro "1964 - História do Regime Militar Brasileiro" de Marcos Napolitano.

Eu sou uma pessoa, uma leitora acima de tudo, que ama saber história e sendo a do seu próprio país, aí que fico alucinada mesmo.
Esse é um livro histórico, que conta relatos de tudo que a sociedade viveu desde o golpe militar em 1964 até as eleições diretas, que puderam eleger um presidente em 1985.

Jango, como era carinhosamente chamado João Goulart estava tentando organizar a economia do país, diminuir a inflação e ao mesmo tempo manter os direitos dos trabalhadores, pelo qual Getúlio lutou tanto. Ele não contava com a oposição que cairia matando em cima dele e faria com que ele fosse mal visto pela sociedade elitista de direita, imprensa e quase todos os jornais que ficaram totalmente contra o presidente.
A própria fragilidade de sua liderança, conforme esta visão, seria uma ameaça à estabilidade política e social. O único jornal que continuava fiel ao trabalhismo e ao reformismo era o Última Hora. 
Castelo Branco assumiu e foi o principal construtor do regime autoritário. Em seu "governo" foram editados 4 Atos Institucionais, a Lei da Imprensa e a nova Constituição, que selava o princípio de segurança nacional. 
O principal objetivo dos Atos era o reforço legal do Poder Executivo, e particularmente da Presidência da República, dentro do sistema político. 
Nesse meio tempo, nasce a Música Popular Brasileira como forma de grito contra a ditadura. Muitos músicos contrários a ditadura foram exilados. E muitas músicas censuradas nesse tempo. 
O Ato Institucional nº 5, promulgado em 1968, foi considerado um "golpe dentro do  golpe", fazendo com que a repressão se tornasse mais direta e ampla. 
Em meados dos anos 70, governo Médici, os anos se tornaram de chumbo. A censura e a repressão se tornaram mais evidentes e muitos militantes contra os militares foram presos, torturados e mortos.  
Entre 1969 e 1979, quando a censura foi mais rigorosa, o teatro foi uma das áreas mais afetadas, e, como já dissemos, não precisou esperar o AI-5 para sofrer os rigores da censura. 
O que começou a quebrar o comando do Governo foram as passeatas populares, que chegaram a levar milhares nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. 
As Diretas Já vieram com força para acabar com o militarismo e implantar as eleições diretas para Presidente da República. 

Em 15 de janeiro de 1985 Tancredo derrotou Paulo Maluf no colégio eleitoral. Antes da posse, em março, Tancredo passou mal, foi hospitalizado e faleceu em 21 de abril de 1985. José Sarney assumiu a Presidência, como vice-presidente, e trouxe para o Brasil novos tempos, que foi intitulado como Nova República. 
O livro é rico em detalhes, e o autor de uma forma genial, nos traz como foi difícil esse período para o país. Visto como ideal no início, a economia e a inflação não melhoram e muitos morreram tentando lutar por algo melhor, pela diminuição da repressão e pela liberdade de expressão. 

Foi uma época difícil e o povo se ergueu e foi para as ruas. Hoje analisando o país vejo que temos muito em comum, porém o gigante não acordou ainda e temo que, respirando por meio de aparelhos, não sobrevivamos. 

O livro é muito bom, eu amei e indico de olhos fechados. Espero que todos leiam, que vire leitura obrigatória nas escolas e que pais leiam e coloquem em suas cabeceiras de cama, para que nunca voltemos a esse tempo de dor, guerra e repressão que foi a Ditadura Militar em nosso país. 

*Livro cedido em Parceria com a Editora. 



Título: 1964 - História do Regime Militar Brasileiro
Autor: Marcos Napolitano
Editora: Contexto
Páginas: 368
Sinopse: Exatos cinquenta anos atrás, o Brasil mergulhou em uma ditadura que iria perdurar por mais de duas décadas. É chegado o momento de fazer um balanço histórico do regime militar. Marcos Napolitano, conhecido historiador da USP, discute neste livro sólido e bem escrito as principais questões desses “anos de chumbo”. 
A ditadura durou muito graças ao apoio da sociedade civil, anestesiada pelo “milagre” econômico? Foi Geisel, com a ajuda de Golbery, o pai da abertura, ou foi a sociedade quem derrubou os militares do poder? Como era o dia a dia das pessoas durante o regime militar? Como a cultura aflorou naquele momento? O que aconteceu com a oposição e como ela se reergueu? Qual a reação da sociedade (e do governo) à tortura e ao “desaparecimento” de presos políticos?
Obra de historiador, livro obrigatório para quem quer compreender o Brasil, uma síntese brilhante.



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