23 de dezembro de 2018

{Resenha} O ódio que você semeia

Hoje a resenha é sobre o livro "O ódio que você semeia" de Angie Thomas.


Eu comecei a ler esse livro e demorei um pouco pra finalizar. Em parte porque fiquei bem impactada com a história e em parte porque o começo é um pouco lento mesmo. 

Starr é uma adolescente de 16 anos que acaba se moldando ao seus dois mundos, a sua realidade em família em uma comunidade predominantemente negra e a sua outra realidade em uma escola, fora de seu bairro, que tem quase noventa e nove porcento de alunos brancos. Por ser de classe média e ter um pouco mais de condições, os pais de Starr preferem matriculá-la em um colégio que fará com que ela vá para uma boa Universidade, só que o impacto disso é o distanciamento dela da sua cultura.

Na primeira realidade Starr se sente segura, acolhida e respeitada enquanto potência feminina, na segunda realidade vive o racismo enraizado naquela sociedade, que na maioria das vezes é velado. 

A história do livro começa com Starr e Khalil, seu amigo de infância, que estão voltando para casa quando são parados por 2 policiais. O carro é revistado, não encontram nada. Khalil é revistado, também não encontram nada, porém ao se virar para falar com sua amiga, cujo o rosto é tremenda aflição e preocupação, um dos policiais fica com "medo" e atira, tirando a vida de Khalil. 

A partir daí, Starr sendo a testemunha principal do caso, se vê em uma situação que até então ela só escutava de seus pais, avós, mas que nunca havia presenciado que é a morte de pessoas negras sem qualquer justificativa. 

O nome de Khalil é associado ao tráfico de drogas como uma forma de justificar o assassinato, porém naquele momento o policial não sabia dessa informação. 

Starr se vê em conflito, pois na sua escola começa a entender que sofre racismo inclusive por amigas que achava que poderia considerar irmãs. A menina, apesar do luto, se vê em uma situação para vingar a morte de seu amigo e ela sabe que a sua única arma é FALAR. 

Starr começa sofrer ameaças e sua família se vê em um dilema para proteger também a menina de todos esses riscos. 

Um livro que nos conta, de uma forma triste e ao mesmo tempo intensa a morte, a luta, a resistência e a vida em uma sociedade racista, machista e preconceituosa. Uma sociedade que não sabe o que significa a palavra empatia e que não entende que o preconceito está nas mínimas coisas, em uma brincadeirinha, uma palavra e até mesmo um gesto.

E o livro nos mostra o quão forte é a fala de uma menina negra que mora no gueto e de um policial, homem branco que tem uma carreira a zelar. Uma adolescente que já passou por muitas frustrações e que se vê em uma posição que fará muita diferença tanto para ela como para os pais. 

Confesso que esse livro me deixou bem impactada, me senti triste e angustiada pela pressão que a Starr vinha sofrendo. Lidar com os colegas na escola, com a família e com sua comunidade em um momento de perda de um amigo e aceitação do seu envolvimento com o movimento negro na sua comunidade. 

É bonita a forma como ela vai crescendo ao longo da leitura e como ela lida com as coisas e vai envolvendo também outras pessoas para minimizar o impacto da morte de Khalil. Ele foi assassinado e esse é o ponto de partida.

O papel da polícia no livro deixa claro de que cada um quer defender o seu lado, não importa o que faça e o modo de agir. E pensar, que a polícia tem o papel principal de proteger o cidadão e isso é questionado quando se envolve um local onde existe trafico de drogas e violência.

Um livro que fará você abrir sua cabeça para muitas coisas que acontecem até hoje na nossa sociedade, que fará você ficar com raiva, chorar e até mesmo rir de alguns fatos, mas que deixará uma grande reflexão na sua vida. 

Vem ler esse livro e depois já aproveita e vai assisti-lo no cinema também. 





Título: O ódio que você semeia
Autor: Angie Thomas
Editora: Galera Record
Páginas: 378
Sinopse: Uma história juvenil repleta de choques de realidade. Um livro necessário em tempos tão cruéis e extremos.
Starr aprendeu com os pais, ainda muito nova, como uma pessoa negra deve se comportar na frente de um policial.
Não faça movimentos bruscos.
Deixe sempre as mãos à mostra.
Só fale quando te perguntarem algo. 
Seja obediente.
Quando ela e seu amigo, Khalil, são parados por uma viatura, tudo o que Starr espera é que Khalil também conheça essas regras. Um movimento errado, uma suposição e os tiros disparam. De repente o amigo de infância da garota está no chão, coberto de sangue. Morto.
Em luto, indignada com a injustiça tão explícita que presenciou e vivendo em duas realidades tão distintas (durante o dia, estuda numa escola cara, com colegas brancos e muito ricos - no fim da aula, volta para seu bairro, periférico e negro, um gueto dominado pelas gangues e oprimido pela polícia), Starr precisa descobrir a sua voz. Precisa decidir o que fazer com o triste poder que recebeu ao ser a única testemunha de um crime que pode ter um desfecho tão injusto como seu início.
Acima de tudo Starr precisa fazer a coisa certa.
Angie Thomas, numa narrativa muito dinâmica, divertida, mas ainda assim, direta e firme, fala de racismo de uma forma nova para jovens leitores. Este é um livro que não se pode ignorar.

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