8 de março de 2018

{Resenha} As crianças esquecidas de Hitler

Hoje a resenha é sobre o livro "As crianças esquecidas de Hitler" de Ingrid Von Oelhafen e Tim Tate.

Ao ler o título desse livro já fiquei super curiosa e ao mesmo tempo apreensiva sobre essa leitura. Tudo que envolve a era Hitler me deixa muito instigada para tentar entender um pouco o que foi esse sentimento de querer achar que tem uma raça pura e ela se dá da forma que se deu, com tantas mortes, de pessoas inocentes e muita tristeza e devastação pelos países em que passaram. 
"Os últimos dias de guerra foram marcados pelas forças aliadas invadindo a Alemanha e desbravando caminhos por todos os cantos."  
O livro é narrado por Ingrid e por se tratar de um livro de memórias, conseguimos nos colocar, um pouquinho que seja, no lugar dela e tentar entrar um pouco na cabeça de Hitler, seus aliados e o que aconteceu a muitas famílias que tiveram as suas crianças retiradas a força e mandadas para "orfanatos", simplesmente porque eram consideradas arianas. E Ingrid foi uma dessas crianças. Retirada da sua família aos 9 meses de idade, foi para uma casa que era chamado de programa Lebensborn, que nada mais era que, um lugar na qual as crianças que fossem aprovadas na inspeção de raça (processo de germanização) seriam cuidadas por famílias consideradas aptas pelo governo nazista e alemãs. 

Foram pouco mais de meio milhão de crianças, que ao término da guerra, começaram a busca incansável para saber de onde eram e a qual família consanguínea pertenciam. Ingrid foi uma dessas pessoas, que demorou anos para descobrir de onde veio. 
"Cada documento foi analisado; a partir deles, o BCB conseguiu remontar o destino de 10 milhões de homens, mulheres e crianças que foram levados para o trabalho escravo, presos ou assassinados no Holocausto."
Ingrid viveu em uma família alemã, aos poucos foi descobrindo que a sua mãe não a amava tanto quanto ela imaginava e seu pai era muito rígido, fazendo com que ela e o irmão ficassem sempre com medo perto dele. A sua infância foi complicada, mas piorou quando ela soube que era adotada, ainda assim seu amor pela mãe adotiva foi grande, até se tornar adulta e tomar o curso de sua vida. Ingrid estudou e se formou entretanto, achava que faltava algo ainda. Descobrir sua identidade foi importante para saber de onde veio, porém como haviam se passado muitos anos, não conseguiu  questionar seus pais adotivos e nem ao menos teve chance de conversar com seus pais consaguíneos. 

O livro nos traz uma sensibilidade grande dos pontos que levaram Ingrid a procurar sua família biológica e como se deu esse encontro. Suas emoções, seus medos, sua raiva estão externados na escrita. Confesso que fiquei muito sensibilizada com a sua história e a forma como ela teve a vida mudada, por conta de uma pessoa (Hitler). 
"Com uma sensação de tristeza, refleti sobre os anos que deixei minha vida eclipsada. Acho que, para todos nós, existe uma lacuna entre o que queremos e o que podemos ter, e é nessa lacuna que nasce o arrependimento."
Eu adorei a leitura, ela é bem tranquila e fluida. Não ache que ao ler você não ficará com raiva, porque isso pode acontecer sim, mas o bom, é que a Ingrid de alguma forma conseguiu externar todos esses sentimentos na escrita, sabe-se que ninguém devolverá o tempo que ela perdeu com a sua família biológica, mas no fim, ela conseguiu desvendar o mistério que rondava a sua vida e que sempre a incomodou. 
"Ter raízes talvez seja a necessidade mais importante e menos reconhecida da alma humana."
Vem embarcar nessa história de dor e perdão! Você não vai se arrepender.

*Livro cedido em parceria com a Editora.

Título: As crianças esquecidas de Hitler
Autor Ingrid Von Oelhafen e Tim Tate
Editora: Contexto
Páginas: 240
Sinopse: As garras do nazismo foram tão profundas, amplas e duradouras que ainda hoje nos surpreendemos com detalhes dos seus horrores. O programa Lebensborn, criado por Heinrich Himmler, foi responsável pelo rapto de nada menos que meio milhão de crianças por toda a Europa. Esperava-se que, depois de passar por um processo de “germanização”, elas se tornassem a geração seguinte da “raça superior” ariana.Foi assim que Erika Matko tornou-se Ingrid von Oelhafen. Com um texto que remete aos bons livros de suspense, acompanhamos Ingrid desvendando seu passado – e toda a dimensão monstruosa do programa Lebensborn e sua consequência na vida de tantos inocentes. Embora os nazistas tenham destruído muitos registros, Ingrid descobriu documentos raros sobre o programa, incluindo depoimentos do julgamento de Nuremberg.

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