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28 de janeiro de 2024

{Resenha} Em busca de mim

Hoje a resenha é sobre o livro "Em busca de mim" de Viola Davis. 

Foto retirada de Arquivo Pessoal

E não tem como não vir aqui enaltecer a vida dessa mulher que cresceu em um mundo ainda dividido, que sofria racismo todos os dias, que viveu na pobreza por muitos anos e que conseguiu vencer na vida. 

A vida da Viola não foi fácil, já na escola ela sentia na pele pelo simples fato de ser uma negra retinta. Em uma casa que tinha mais 4 irmãos, eles tentam sobreviver a fome, ao frio, aos abusos psicológicos e físicos, a violência e a sociedade que ainda julgava bastante.

Viola começa a entender que quer ser alguma coisa quando se empenha no curso de teatro na escola, ela acredita que pode ser uma atriz e não imagina o tanto que vai caminhar para conseguir o sucesso de hoje. 

A escrita do livro é fluida, mesmo sabendo que não é uma leitura leve. A gente fica sentida com tudo que a Viola criança passa até se tornar essa adulta tão casca grossa e forte. Sabemos que o racismo é cruel e deixa marcas profundas nas pessoas negras. Viola relata o que viveu e mesmo após ser uma renomada atriz, ainda se via a margem, esperando um papel que a fizesse angariar mais coisas na carreira. Ela fala sobre a importância da terapia e o quanto ela precisa revisitar seu eu de oito anos para tentar ir para frente e evoluir como a mulher de vinte e trinta anos.

O quanto é sentida e tocante a fala da Viola. Em nenhum momento ela se coloca como vitima, muito pelo contrário, ela tenta passar a ideia de que é forte, mas ainda assim, não podemos deixar de falar da solidão da mulher negra. Viola namorou sete anos com um cara que não estava nem aí para ela. No dia que ela entendeu que ele só estava cumprindo um papel bem mau feito, ela aprendeu a andar só. E  depois de muito tempo se abriu de novo para o amor e encontrou o parceiro de vida. 

Eu achei muito linda a história da Viola. Esse foi um livro que ganhei de aniversário e que eu me perguntei porque demorei tanto para ler. 

Viola é uma grande atriz, uma mulher espetacular, uma mãe potente mas acima de tudo é uma mulher que sabe se impor e sabe o seu valor. Sabe que o racismo corre pelas beiradas, mas ainda assim ela não se intimida e vai para cima dessa indústria má e bruta, que acha que só porque a mulher não é padrão e linda não merece espaço. E a beleza tem tantas nuances, não é mesmo?! 

A nossa protagonista provou por a+b que ela é uma atriz muito boa e merece sim todos os papéis. 

Então, você está esperando o que para ler essa biografia, garanto que você não vai se arrepender. 


Onde ComprarAmazon

Título: Em busca de mim
Autor: Viola Davis
Editora: BestSeller
Páginas: 266

Sinopse:A internacionalmente aclamada atriz Viola Davis narra em sua biografia, Em busca de mim, tudo o que viveu desde a infância difícil até o estrelato. Nesta biografia você vai conhecer uma garotinha chamada Viola, que fugia de seu passado até tomar a transformadora decisão de parar de fugir para sempre.
Em busca de mim conta a minha história, de um apartamento caindo aos pedaços na cidade de Central Falls, em Rhode Island, para os palcos de Nova York e além. Este é o caminho que percorri em busca de propósito e força, mas também para me fazer ser ouvida em um mundo que não me percebia.
Enquanto escrevia Em busca de mim, pensei no quanto nossas histórias nem sempre recebem a devida atenção. São reinventadas para serem encaixadas em um mundo louco, competitivo e crítico. Escrevi este livro para aqueles que se sentem excluídos, que estão em busca de uma forma de entender e superar um passado complicado e encontrar autoaceitação no lugar da vergonha.
Escrevi para quem precisa se lembrar de que a vida só vale a pena ser vivida se a encararmos com honestidade radical e coragem de abandonar as máscaras e apenas ser... você.
Em busca de mim é uma reflexão profunda, uma promessa e uma declaração de amor a mim mesma. Espero que minha história o inspire a revolucionar sua vida de forma criativa e a redescobrir quem você era antes que o mundo tentasse defini-lo.
“Desde a primeira página fica evidente que Viola Davis trará um relato muito mais íntimo e visceral do que a maioria das biografias de celebridades; Em busca de mim passa a sensação de que estamos frente a frente com Viola, conversando sobre sua vida, dificuldades e tudo mais.” - USA Today
“Uma narrativa de tribulações e sucesso... A belíssima escrita de Viola vai inspirar a todos que desejam se livrar de antigos rótulos.” - Los Angeles Times




27 de maio de 2021

{Resenha} Três Irmãs

Hoje a resenha é sobre o livro "Três Irmãs" de Jung Chang. 

Foto retirada de Arquivo Pessoal

Eu confesso que quando recebi esse livro, não sabia do que se tratava. Como assim, a história de três irmãs, chinesas que foram tão importantes para o contexto atual da China. 

E nessa história, vamos conhecer as irmãs Soong, sendo Ei-ling, Ching-ling e May-ling. E cada uma teve um papel importante para a história da China moderna. Ei-ling sendo a irmã mais velha, foi para os EUA ainda jovem estudar. Naquela época era muito difícil mulheres estudarem na China e o pai e a mãe das meninas não mediram esforços para fazer com que as três estudassem e voltassem para a China, para fazer história. 

Ei-ling era a irmã mais centrada, pouco falava e trabalhou diretamente com Sun Yet-San, por quem tinha grande admiração. Sun fez história e conseguiu se tornar o pai da China, pioneiro da revolução republicana que derrubou a monarquia, em 1911.

As três irmãs voltaram dos EUA com o inglês fluente, o que ajudou na comunicação de ambas tanto com o governo americano da época, quanto com os outros países e políticos. 

Sun, enquanto ficou a frente do partido e chegou a ser presidente por um dia da China e tinha um aliado importante, Chiang Kai-shek. A irmã mais nova caiu nas graças de Chiang e eles acabaram se casando. May-ling se tornou a mulher mais famosa de sua época, enquanto o marido liderava a a resistência contra a invasão japonesa. 

Foto retirada de Arquivo Pessoal

Chiang foi uma peça importante na politíca do país e com a irmã mais nova sempre ao seu lado. Chiang liderou a China moderna e May-ling se tornou a Madame Chiang. 

Ei-ling não se deixou envolver por Sun, e quem caiu em suas graças foi a irmã do meio, Ching-ling, que não só casou com Sun, como quando o mesmo veio a falecer se tornou a irmã Vermelha e vice-presidente da China, quando Mao assumiu o poder em 1949.

Além das três irmãs, a família Song também tinha mais 3 irmãos homens, que fizeram parte da história, nos bastidores. 

Eu confesso que não conhecia a história dessas mulheres, pequeninas de tamanho, mas grandes de conhecimento e auto controle. Foram mulheres importantes para a época e conseguiram transpor barreiras para fazer parte da história. Elas fizeram questão em não desgarrar de suas raízes e lutaram bravamente pela China, cada qual a seu modo. 

Uma biografia marcante, que podemos vislumbrar um pouco da história da China, um país tão grande e tão cheio de problemas. Eu gostei bastante da leitura e de tudo que aprendi com esse livro. Estava esperando uma história menos importante, e tudo que essas três mulheres fizeram é impressionante. 

Foto retirada de Arquivo Pessoal

Eu já falei que gosto bastante de biografias, né? E esse foi mais uma dentro das que eu li e gostei bastante. Se você não leu ou não conhece a história dessas três irmãs, vem conhecer. Você não irá se arrepender. 

*Livro cedido em parceria com a Editora. 


Onde ComprarGrupo Companhia das Letras e Amazon

Título: Três irmãs
Autor: Jung Chang
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 392

Sinopse: Uma amava dinheiro, uma amava o poder e uma amava a China. Nesta biografia épica, a autora de Cisnes selvagens narra a vida das irmãs que mudaram a história de um país em ebulição.
O mais conhecido conto de fadas chinês moderno é a história das irmãs Soong, cujas vidas se estenderam do fim do século XIX ao início do século XXI. A Irmã Mais Velha, Ei-ling, casou-se com o homem mais rico da China, H. H. Kung. A Irmã Vermelha, Ching-ling, foi a companheira de Sun Yat-sen, pai fundador da China moderna e seu primeiro presidente. E a Irmã Mais Nova, May-ling, se tornaria a ambiciosa Madame Chiang Kai-shek, esposa do líder da República da China.
Em cem anos de guerras e revoluções constantes, as irmãs Soong estiveram no centro das mudanças do país e deixaram uma marca indelével na história chinesa. Elas desfrutaram privilégios e glórias, mas também se envolveram em disputas perigosas ― inclusive entre si. Neste épico de amor, guerra, exílio, intriga, glamour e traição, Jung Chang entrelaça os acontecimentos da China do século XX à vida de três mulheres inesquecíveis.
Fruto de uma pesquisa meticulosa, Três irmãs é uma leitura fascinante. ― The New York Times Book Review

21 de outubro de 2020

{Resenha} Autobiografia Precoce - Pagu

 Hoje a resenha é sobre o livro "Autobiografia Precoce - Pagu" de Patricia Galvão.

Foto retirada de Arquivo Pessoal

Patricia Galvão foi uma mulher emblemática para a história política e o feminismo no Brasil. Ela vivia em São Paulo, morou até os dezesseis anos em uma vila operária na região do Brás. Teve uma infância difícil e teve uma iniciação sexual bem precoce. 

Pagu fala de seus sentimentos, o descobrimento do seu corpo, os desejos e os anseios de uma menina-mulher, que sai em busca dos seus sonhos, mesmo com filho pequeno e marido. Ela não desistiu no caminho e apesar de ser presa inúmeras vezes, manteve forte o desejo de vislumbrar uma sociedade comunista. 

Ao decorrer das linhas, ela relata os perrengues sofridos em prol do partido comunista. As lutas pelas quais teve que passar para conseguir provar que não era uma mulher que usava do seu corpo para conseguir aliados, mas sim do seu intelecto. 

E muitos a olhavam com desejo, mas ainda assim, Pagu não baixou a cabeça e se manteve firme no propósito, que era provar que a sociedade só conseguiria ser justa através do movimento comunista. 

Foto retirada de Arquivo Pessoal

Ela foi a primeira mulher perseguida e presa, em Santos. Viajou por muitas cidades e países. Rodou o mundo, mas foi na Rússia, que viu o seu mundo se despedaçar. Em suas últimas linhas ela relata como se desiludiu com o movimento. 

O seu casamento tumultuado com Oswald de Oliveira e as diversas traições não a fizeram desistir de uma amizade com o artista. Ele, sendo pai de seu primeiro filho, Rudá, a apoio e a ajudou em alguns momentos difíceis. 

Patricia viu que ser mulher naquela sociedade era muito difícil, não podia se expressar como de fato queria e tudo era visto como uma forma sexualizada. Ela se viu em uma sociedade machista e era uma mulher muito além do seu tempo. 

Foto retirada de Arquivo Pessoal

O livro é um misto de sentimentos, pois Pagu coloca nas páginas, pensamentos, desejos e sensações, de uma forma clara e muito sincera. Uma leitura rápida que fará você ter uma outra visão de quem foi essa mulher revolucionária, que no fim só queria ser feliz. 

Vem embarcar nesse mundo comunista!

*Livro cedido em parceria com a Editora

Onde Comprar: Cia das Letras
Título: Autobiografia Precoce - Pagu
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 144

Sinopse: Único texto autobiográfico deixado por Patrícia Galvão, “Autobiografia precoce” é um relato emocionante sobre a vida de uma mulher forte, revolucionária e única.
Escrito em 1940, após uma das 23 vezes que Pagu sai da prisão, "Autobiografia Precoce" fala sobre a militância política, os filhos, os relacionamentos e várias outras camadas da vida de uma das mulheres mais emblemáticas do Brasil.
O texto mostra Pagu sem subterfúgios, de forma sincera e corajosa. Do lado pessoal, ela relata sua iniciação sexual precoce e o conturbado casamento com Oswald de Andrade; da vida pública, ela conta sobre a militância no Partido Comunista e o desencanto com o regime soviético.
Patrícia Galvão quase sempre foi vista pela lente masculina: seja por seus relacionamentos ou por como sua arte se comparava à de homens da época. Em "Autobiografia Precoce", não existem intermediários: temos acesso a uma Pagu que escreve sobre si. Um livro essencial para se compreender uma das personagens mais intrigantes da história brasileira.

4 de janeiro de 2020

{Resenha} Persepólis

Hoje a resenha é sobre a graphic novel "Persepólis" de Marjane Satrapi.

Foto retirada de Arquivo Pessoal
Essa é uma HQ que eu sempre quis ler, pela história e trajetória da autora. Ela é biográfica e o relato da Marjane nos faz ficar meio chocados.

Marjane nasceu em uma família que não aceitava muita coisa, eles eram bem politizados e ensinaram sua filha a lutar desde cedo. Aos dez anos ela se viu obrigada a usar o véu e odiou aquilo. Além disso, a classe seria só de meninas e isso fez com que ela ficasse chateada pelos seus amigos. Tanto o pai quanto a mãe de Marjane sentavam com ela e explicavam tudo o que estava acontecendo, deixando a menina ao mesmo tempo curiosa e mais crítica nos lugares aos quais frequentava.

Marjane teve que crescer cedo demais, e muitas coisas a colocavam em perigo, então, os seus pais temendo que ela fosse presa ou torturada, pela revolução que tomou conta do Irã, com quatorze anos ela foi morar na Áustria. Ela encontrou muitas barreiras, principalmente porque ainda era muito imatura. Estudou, aprimorou a língua, mas a nossa Marjane era ainda uma criança e penou bastante na Europa. Começou a namorar e por se sentir muito carente, acabou depositando toda a felicidade, tristeza, carência e frustrações nessa relação e isso fez com que ela voltasse, com uma mão na frente e outra atrás para o seu país. 

Quando ela voltou para o Irã, estava lutando contra a depressão. Não conseguia encarar os pais, acreditava que tinha falhado na missão de morar na Europa sozinha, porém Marjane tinha apenas quatorze anos e teve que se virar, inclusive com a língua. Ao voltar, se deparou com um Irã ainda em guerra e decidiu que ia dar a volta por cima. 

Voltou a estudar, começou a namorar novamente e chegou até a casar. Os pais sempre acreditaram que a nossa protagonista era um espírito livre e que se prender ao casamento era novidade e que ela não iria aguentar, e eles estavam certos. Marjane fez faculdade de Belas Artes e decidiu dar a volta por cima. Decidiu que iria se separar e voltar para a Europa, para estudar. E aos vinte quatro anos ela foi embora, decidida de que agora seria para sempre. 

Foto retirada de Arquivo Pessoal
Confesso que quando terminei de ler, me deu uma sensação de vazio. Marjane teve muita sorte, de ter pais tão amorosos e politizados, que não baixavam a cabeça para nada e encorajavam a filha na luta pela liberdade de expressão e de escolha. E quando essa liberdade estava ameaçada eles tiveram a coragem de mandá-la embora, sozinha. Eles foram muito corajosos, porque acho que eu não teria. 

Marjane sofreu bastante na Europa, ela era uma menina, em um país que não tinha muitas restrições, drogas e sexo a vontade, mas ela não teve a oportunidade de conversar com os pais sobre isso, por isso ela quase se deu muito mal. A depressão a pegou, e eu entendo, porque além de estar em um local diferente, ela era vista com um ser de outro planeta. A cultura é muito diferente, a comida e até os feriados, ela se sentia muito solitária e não era para menos, caraca a menina era uma criança. 

A guerra Irã-Iraque deixou muitas marcas na sociedade, a Marjane mesmo perdeu muitos amigos e familiares, foram anos difíceis, mas ela conseguiu dar a volta por cima e trouxe essa preciosidade de HQ para nos emocionarmos e encorajarmos a fazer o que a gente sempre deseja. Por isso, não tem como não amar essa história e a trajetória da Marjane.

Eu amei a leitura, amei vivenciar um pouco da vida da nossa Persépolis. Agora, vocês estão esperando o que para ler essa preciosidade. 

Vem embarcar numa história de véus, guerras e liberdade de expressão. 


Onde Comprar: Amazon
Título: Persépolis
Autor: Marjane Satrapi
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 352
SinopseMarjane Satrapi tinha apenas 10 anos quando viu-se obrigada a usar o véu islâmico, numa sala de aula só de meninas. Nascida numa família moderna e politizada, em 1979, ela assistiu ao início da revolução que lançou o Irã nas trevas do regime xiita, apenas mais um capítulo nos muitos séculos de opressão dos persas. 25 anos depois, com os olhos da menina que foi e a consciência política à flor da pele da adulta em que transformou-se, Marjane, emocionou leitores de todo o mundo com sua autobiografia nos quadrinhos, que só na França vendeu mais de 400 mil exemplares. Em Persépolis, o popular encontra o épico, o oriente toca o ocidente, o humor infiltra-se no drama, e o Irã parece muito mais próximo do que poderíamos suspeitar.

8 de março de 2018

{Resenha} As crianças esquecidas de Hitler

Hoje a resenha é sobre o livro "As crianças esquecidas de Hitler" de Ingrid Von Oelhafen e Tim Tate.

Ao ler o título desse livro já fiquei super curiosa e ao mesmo tempo apreensiva sobre essa leitura. Tudo que envolve a era Hitler me deixa muito instigada para tentar entender um pouco o que foi esse sentimento de querer achar que tem uma raça pura e ela se dá da forma que se deu, com tantas mortes, de pessoas inocentes e muita tristeza e devastação pelos países em que passaram. 
"Os últimos dias de guerra foram marcados pelas forças aliadas invadindo a Alemanha e desbravando caminhos por todos os cantos."  
O livro é narrado por Ingrid e por se tratar de um livro de memórias, conseguimos nos colocar, um pouquinho que seja, no lugar dela e tentar entrar um pouco na cabeça de Hitler, seus aliados e o que aconteceu a muitas famílias que tiveram as suas crianças retiradas a força e mandadas para "orfanatos", simplesmente porque eram consideradas arianas. E Ingrid foi uma dessas crianças. Retirada da sua família aos 9 meses de idade, foi para uma casa que era chamado de programa Lebensborn, que nada mais era que, um lugar na qual as crianças que fossem aprovadas na inspeção de raça (processo de germanização) seriam cuidadas por famílias consideradas aptas pelo governo nazista e alemãs. 

Foram pouco mais de meio milhão de crianças, que ao término da guerra, começaram a busca incansável para saber de onde eram e a qual família consanguínea pertenciam. Ingrid foi uma dessas pessoas, que demorou anos para descobrir de onde veio. 
"Cada documento foi analisado; a partir deles, o BCB conseguiu remontar o destino de 10 milhões de homens, mulheres e crianças que foram levados para o trabalho escravo, presos ou assassinados no Holocausto."
Ingrid viveu em uma família alemã, aos poucos foi descobrindo que a sua mãe não a amava tanto quanto ela imaginava e seu pai era muito rígido, fazendo com que ela e o irmão ficassem sempre com medo perto dele. A sua infância foi complicada, mas piorou quando ela soube que era adotada, ainda assim seu amor pela mãe adotiva foi grande, até se tornar adulta e tomar o curso de sua vida. Ingrid estudou e se formou entretanto, achava que faltava algo ainda. Descobrir sua identidade foi importante para saber de onde veio, porém como haviam se passado muitos anos, não conseguiu  questionar seus pais adotivos e nem ao menos teve chance de conversar com seus pais consaguíneos. 

O livro nos traz uma sensibilidade grande dos pontos que levaram Ingrid a procurar sua família biológica e como se deu esse encontro. Suas emoções, seus medos, sua raiva estão externados na escrita. Confesso que fiquei muito sensibilizada com a sua história e a forma como ela teve a vida mudada, por conta de uma pessoa (Hitler). 
"Com uma sensação de tristeza, refleti sobre os anos que deixei minha vida eclipsada. Acho que, para todos nós, existe uma lacuna entre o que queremos e o que podemos ter, e é nessa lacuna que nasce o arrependimento."
Eu adorei a leitura, ela é bem tranquila e fluida. Não ache que ao ler você não ficará com raiva, porque isso pode acontecer sim, mas o bom, é que a Ingrid de alguma forma conseguiu externar todos esses sentimentos na escrita, sabe-se que ninguém devolverá o tempo que ela perdeu com a sua família biológica, mas no fim, ela conseguiu desvendar o mistério que rondava a sua vida e que sempre a incomodou. 
"Ter raízes talvez seja a necessidade mais importante e menos reconhecida da alma humana."
Vem embarcar nessa história de dor e perdão! Você não vai se arrepender.

*Livro cedido em parceria com a Editora.

Título: As crianças esquecidas de Hitler
Autor Ingrid Von Oelhafen e Tim Tate
Editora: Contexto
Páginas: 240
Sinopse: As garras do nazismo foram tão profundas, amplas e duradouras que ainda hoje nos surpreendemos com detalhes dos seus horrores. O programa Lebensborn, criado por Heinrich Himmler, foi responsável pelo rapto de nada menos que meio milhão de crianças por toda a Europa. Esperava-se que, depois de passar por um processo de “germanização”, elas se tornassem a geração seguinte da “raça superior” ariana.Foi assim que Erika Matko tornou-se Ingrid von Oelhafen. Com um texto que remete aos bons livros de suspense, acompanhamos Ingrid desvendando seu passado – e toda a dimensão monstruosa do programa Lebensborn e sua consequência na vida de tantos inocentes. Embora os nazistas tenham destruído muitos registros, Ingrid descobriu documentos raros sobre o programa, incluindo depoimentos do julgamento de Nuremberg.

8 de outubro de 2017

{Resenha} Poliana Okimoto

Hoje a resenha é sobre o livro "Poliana Okimoto" de Daniel Tanaka Gomes e Helio de la Peña.

Eu sempre gostei de Biografias e essa me surpreendeu muito positivamente.
O livro conta a história de sucesso da nadadora Poliana Okimoto. Se você está se perguntando quem é essa nadadora, é só conferir quem recebeu a única medalha olímpica na modalidade aquática pelo Brasil. Sim, foi ela, a super Poliana.

Poliana iniciou na natação em piscina muito nova. Sua mãe foi uma visionaria ao colocá-la no esporte e a menina que virou uma guerreira, muito disciplinada para se manter no esporte. Poliana foi uma promessa quando criança, ganhou alguns campeonatos atuando na modalidade infanto-juvenil, mas a partir do momento que começou a competir em piscina na fase adulta, não conseguia bater muitas meninas que estavam iniciando, com um gás total.

Poucos acreditaram em Poliana, após a fase adulta, e uma sacada do seu marido e técnico Ricardo Cintra fez com que a nadadora saísse das águas em piscina para águas abertas, modalidade que foi incorporada nas Olimpíadas em 2008, com uma só prova de 10 km.

Poliana tinha uma boa técnica no nado e sempre foi atleta de longas distâncias, então para Ricardo, treinar e tentar se desenvolver em águas abertas não seria um problema para ela. E ele estava totalmente certo. Passado o primeiro susto de Poliana, de ter que  enfrentar o mar e ainda mais nadando, ela se saiu muito bem e a partir da vitória na Travessia dos Fortes, no Rio de Janeiro, a nossa atleta iniciou sua caminhada em águas abertas.

A trajetória é surpreendente e se você, assim como eu, não conhecia essa atleta e o que ela fez para conseguir a medalha nas Olimpíadas do Rio foi surpreendente. Vem ler também essa Biografia, você não vai se arrepender.



Título: Poliana Okimoto
Autor: Daniel Takata Gomes e Helio de la Peña
Editora: Contexto
Páginas: 240
Sinopse: Em um país que valoriza pouco seus atletas, a trajetória de Poliana Okimoto serve de inspiração para uma legião de nadadores. Sua medalha olímpica, conquistada em 2016 no Rio de Janeiro na maratona aquática, foi a primeira obtida por uma mulher brasileira na natação. Poliana precisou de muito trabalho e paciência para chegar lá, percorrendo um caminho repleto de alegria, decepção, superação, pioneirismo e glória.

27 de abril de 2017

{Resenha} Somos Guerreiras

Hoje a resenha é sobre o livro "Somos Guerreiras" de Glennon Doyle Melton

Eu recebi esse livro na Sessão Intrínseca e fiquei bem interessada pela história por ser um livro de memórias.

Sim, a autora contou a sua vida de uma forma que nos faz repensar muitas coisas.

Glennon é aquela típica menina que mora em um lugar bom e tem uma família que a ama muito. Aos dez anos de idade ela questiona a sua vida, por se achar gordinha, acredita que seria mais feliz se fosse magra, bonita e chamasse a atenção na escola. E sentada no sofá em um belo dia, presenciou na televisão uma moça que comeu tudo que tinha vontade e depois foi ao banheiro e vomitou toda aquela comida. No rosto da moça da TV Glennon viu satisfação e um pequeno vislumbre de felicidade, e a partir daí que a autora se tornou bulímica. E foram anos e anos comendo e vomitando, e com isso vieram as amizades mais importantes na escola, os namorados, a pseudo felicidade por conseguir comer de tudo, mas não na frente dos outros.

Glennon passou pelo ensino médio e conheceu o prazer que o álcool exercia sobre sua vida. Já na faculdade bebia para esquecer e conseguir se envolver sexualmente com seu namorado. Passou os anos da faculdade assim, vomitando e bebendo tudo que tinha ingerido, dormia e acordava e assim via os anos passando. Alcolista, bulímica, porém magra e linda. Esse era o preço para se manter na sociedade.

Em um feriado, estava aproveitando com as amigas e avistou Craig, no qual já havia gostado ainda quando morava com os pais. Os dois começaram a sair.  E entre várias questões, choros e descobertas eles se casam.
Anos depois de casados, Glennon descobre que o marido sempre a traiu e hoje está tentando reparar o seu erro. Tentar deixar para trás os erros e reparar a sua vida para viver melhor é uma questão que ela descobrirá ao decorrer dos anos e isso torna a leitura muito fluida e ao mesmo tempo emocionante.

A autora trás de uma maneira honesta e clara seus medos, vícios e receios. Glennon via sua vida ir para o bueiro, mas a falta de amor próprio e o desejo de manter o padrão de beleza que a sociedade cobra tanto, faz com que ela tenha recaídas e não consiga andar sozinha.

O sexo entre seus parceiros também é um tabu e no decorrer da leitura, conseguimos entender porque ela não gostava de se relacionar ou fazia por obrigação. E olha, que nessa parte eu realmente fiquei bem chocada e ao mesmo tempo surpresa.

A bulimia fez parte da vida dela desde pequena, imagina o sofrimento de uma criança, com dez anos que vomitava, comia, vomitava, comia... esse era um círculo vicioso e sozinha ela não conseguia se libertar. Os pais a ajudaram bastante nessa fase. Foram anos de terapia, só que o que faltava na Glennon era amor próprio, auto estima, que ela não tinha e isso fazia com que ela sempre tivesse recaídas.

E hoje nós temos que refletir sobre o que é "padrão de beleza"? Porque não conseguimos nos aceitar do jeito que somos? O que nos falta para que sejamos momentaneamente felizes? São questionamentos que eu mesma me faço e deixo para vocês como reflexão. 

O livro me passou que fazer as coisas que tem vontade, dançar, cantar e pular, ter amor próprio, ser dona de si, ser mulher, ser amiga e ser guerreira é o que importa. Leiam o livro e conheçam a linda história da Glennon, vocês não irão se arrepender. 


Título: Somos Guerreiras
Autor: Glennon Doyle Melton
Editora: Intrínseca
Páginas: 320
Sinopse:Um marido lindo e atencioso, filhos encantadores, o reconhecimento pelo sucesso profissional. O que mais Glennon poderia querer? A resposta é: mais, muito mais. Ela queria não ter tantas dúvidas, queria se comunicar melhor com o marido, queria apagar de sua história a bulimia e o alcoolismo, queria se encaixar nos padrões... queria que o marido não a tivesse traído e que o casamento não tivesse se revelado uma tábua de salvação tão fracassada. 
Mas o que parece a maior das tragédias, acaba se tornando a grande chance de Glennon. A crise conjugal traz à tona seus velhos demônios e a obriga, pela primeira vez, a encarar francamente as questões que antes foram apenas sublimadas. Enquanto todos cobram dela uma decisão sobre o possível divórcio, Glennon se volta para si mesma em busca da própria voz: não a da jovem perfeita que ela um dia quis ser, não a da esposa cujo relacionamento fracassou, não a da mãe abnegada, mas, sim, a voz da mulher de verdade que sempre existiu por trás de todos esses papéis.
Glennon Doyle Melton é a mulher que talvez você conheça, a vizinha, a colega, a irmã de um amigo. Talvez seja você. Somos guerreiras revela não só a história de Glennon, mas a guerra diária travada pela mulher que busca simplesmente ser quem ela é — um relato corajoso que chama a atenção para o fato de que nascer mulher e existir plenamente é quase um ato revolucionário.


18 de setembro de 2016

{Resenha} Confissões do Crematório

Hoje a Resenha é sobre o livro "Confissões do Crematório" de Caitlin Doughty

Eu li esse livro por indicação. Achei uma temática interessante e bem diferente de tudo o que eu já havia lido e confesso que me surpreendi.

*Arquivo Pessoal
Caitlin narra sua vivência quando trabalhou em um Crematório. Ela é formada em história medieval e ao longo da vida começa a se questionar sobre a morte. E para sanar a sua curiosidade ela começa a trabalhar em um Crematório.

Antes da cremação, existe todo um preparo do corpo e até mesmo, se for uma cremação assistida pela família, você tem que preparar o ambiente para aquele último adeus ao corpo.

A autora nos traz, de uma forma clara, concisa e sem frescuras o que foi esse processo para ela e como ela lidou com isso para tentar entender a morte.

Caitlin relata também sobre a indústria funerária e seus meios de ganhar dinheiro.
O mais interessante, é que eu vejo em Caitlin uma mulher forte e que não tinha medo de nada, como ela refletia sobre os cuidados com o corpo dos seus entes queridos e o seu próprio corpo, todo o processo da decomposição (achei isso meio horrendo) e como vimos a cremação antes e após o livro.

*Arquivo Pessoal
Confesso que adorei o livro. Acredito que ele consiga desmistificar a morte e a própria cremação. A autora traz todos os seus medos, receios e angústias na sua narração e não tem como ler o livro e não fazer uma reflexão sobre a morte do corpo. O livro vai além da religião, ela não expõe nada sobre, muito pelo contrário, agrega história sobre algumas tribos e traz um relato do nosso querido Brasil, que é bem interessante.

A leitura flui facilmente, não é uma leitura cansativa, muito pelo contrário. Eu gostei bastante, acredito que temos que saber o que acontece com um corpo e o que pode acontecer com o nosso. O livro vai muito além do que pensamos ou acreditamos em relação a morte do corpo carnal. Eu peço que leiam, reflitam e estejam abertos a análise do que é morrer e como lidamos com isso.


*Arquivo Pessoal

*Fotos retiradas do Arquivo Pessoal

Livro: Confissões do Crematório
Autor: Caitlin Doughty
Editora: DarkSide Books
Páginas: 256
Sinopse: Um livro para quem planeja morrer um dia “Uma menina nunca esquece seu primeiro cadáver.” – Caitlin Doughty
É a única certeza da vida. Então, por que evitamos tanto falar sobre ela? A morte é inevitável, sentimos muito. Mas pelo menos, como descobriu Caitlin Doughty, ficar a sete palmos do chão ainda é uma opção. ''Confissões do Crematório'' reúne histórias reais do dia a dia de uma casa funerária, inúmeras curiosidades e fatos históricos, mitológicos e filosóficos. Tudo, é claro, com uma boa dose de humor. Enquanto varre as cinzas das máquinas de incineração ou explica com o que um crânio em chamas se parece, Caitlin Doughty desmistifica a morte para si e para seus leitores. O livro de Caitlin – criadora da websérie Ask a Mortician e da – levanta a cortina preta que nos separa dos bastidores dos funerais e nos faz refletir sobre a vida e a morte de maneira honesta, inteligente e despretensiosa – exatamente como deve ser. Como a autora ressalta na nota que abre o livro, “a ignorância não é uma benção, é apenas uma forma profunda de terror”. Caitlin Doughty é agente funerária, escritora e mantém um canal no YouTube onde fala com bom humor sobre a morte e as práticas da indústria funerária. É criadora da websérie Ask a Mortician, fundadora do grupo The Order of the Good Death (que une profissionais, acadêmicos e artistas para falar sobre a mortalidade) e também autora de Confissões do Crematório.

31 de julho de 2016

{Resenha} Essa Menina : De Paris a Paripiranga

Hoje a resenha é sobre o livro "Essa Menina" de Tina Correia

Eu li esse livro para participar de um Clube de Leitura e vou contar para vocês o que achei da história.


O livro trás as memórias de Esperança, uma senhora que conta as suas histórias para que não esqueça delas. Ela narra fatos importantes de uma família nordestina, as comidas, as crenças e os medos entre os meados de 1930 a 1960, que marcaram a Era Vargas até a Ditadura Militar no país.


Esperança era conhecida como Essa Menina e aí explica o nome do livro.


Essa Menina trás marcos importantes em cada fase, como a promessa que sua Tia fez se seu pai saísse da prisão. O momento da primeira comunhão e o entendimento depois de um tempo do que é a fé e como acreditar em algo que não se pode ver.
A cultura das festas juninas na região, que eram muito ricas e tudo muito bonito.

As ideias de Essa Menina e os seus pensamentos nos fizeram mergulhar na sua história e ao mesmo tempo nos questionar sobre esse tempo que era, ao mesmo tempo tão castigante para os mais vulneráveis ainda sim tudo era resolvido e envolvido em família. 

No contexto geral do livro eu gostei, no início achei a leitura bem arrastada e bem cansativa, mas no decorrer pude observar as culturas e todo o contexto histórico envolvendo a família de Essa Menina, pois sendo o pai Comunista ele vivia preso e ela não se conformava. Sentia muita saudade do pai, mas sempre esperava ele sair da prisão. 

Outro fator que me deixou confuso, era que a Esperança ia e voltava nas histórias, mas isso não foi um ponto ruim, pois enquanto narrava, ela ia se lembrando de fatos e já ia emendando uma história na outra. 

De modo geral, é um livro que pessoas mais velhas se identificam bastante, por toda a história e as narrativas, nos remete a infância e nos faz lembrar de situações que nós passamos. 

Se você gosta de livros de memória, leia esse livro e se não gosta leia assim mesmo, pois irá sair da sua zona de conforto. 

Embarquem comigo nessa aventura de Paris a Parapiranga. 

Livro: Essa Menina
Autor: Tina Correia
Gênero: Drama
Editora: Alfaguara/Objetiva
Páginas: 272
Sinopse: Durante muito tempo, ninguém soube o verdadeiro nome de Esperança. Para todos, ela era Essa Menina. Decidida a reunir num livro as memórias de sua infância, ela desperta a criança curiosa que vivia a escutar a conversa dos adultos. Ao descrever as festas, as comidas e as brincadeiras no quintal, revela ao leitor, ainda que sob a perspectiva infantil, os anseios, fragilidades e sonhos dos que estavam à sua volta. 
Os grandes eventos políticos dos anos 1930 a 1960 são o pano de fundo dessas dramáticas e emocionantes histórias. Ora testemunha, ora protagonista, é a menina de olhos grandes e curiosos quem nos conduz por essa narrativa quase mítica, ambientada no interior do Nordeste.



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