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24 de setembro de 2023

{Resenha} Prisioneiras

 Hoje a resenha é sobre o livro "Prisioneiras" de Drauzio Varella. 

Foto retirada de Arquivo Pessoal

Esse é o terceiro livro da série sobre o sistema penitenciário brasileiro e confesso que já me senti órfã. O Drauzio escreve de uma forma tão clara e fluida, que quando você termina a leitura, se sente sozinha e desamparada rs.

Nesse livro, vamos conhecer a história de algumas mulheres que se embrenharam no mundo do crime, sejam elas jovens ou senhoras, fazendo parte do tráfico ou apenas servindo de ponte para o companheiro que também estava em alguma penitenciária do Estado. 

Ler esse livro, me fez ter muitas reflexões, até mesmo sobre o nosso sistema penitenciário e a forma como as pessoas são presas e simplesmente trancafiadas, sem perspectivas de sair do local na qual estão, abandonando suas famílias, filhos e até mesmo namorado ou marido, que consequentemente também estão presos. 

O que mais chama a minha atenção e até a do Dr., é o fato de a maioria das mulheres já serem multíparas com menos de trinta anos. 

Outra informação interessante e muito revoltante é que como a maioria ali está presa porque ajudou o companheiro, seja levando drogas nas visitas íntimas, seja participando de assalto ou até mesmo do tráfico. Esse mesmos companheiros, que se diziam tão apaixonados, acabam abandonando suas mulheres quando elas mais precisam e muitas ainda perdem o contato com a família e os filhos, fazendo com que passem os anos extremamente sozinhas. 

A leitura é um tapa na cara de muita gente, não tem como não questionar como é hoje o sistema penitenciário brasileiro. O Dr. Drauzio crítica muito e não temos como não pensar sobre isso. E, muitos são presos e ficam anos nas detenções sem ao menos ter um julgamento mínimo, não se há investimento na ressocialização e essas pessoas saem das prisões, mesmo que tenham cumprido suas penas, saem sem perspectivas ou qualquer ajuda do governo, fazendo com que voltem para o crime. 

Isso é algo que precisa ser revisto e analisado. Eu só posso dizer que adorei a leitura dessa trilogia. Foi muito importante para entender melhor como é dentro do sistema penitenciário e o quanto isso impacta no país. 

Então, vocês estão esperando o que para ler essa belezura?

Onde ComprarCompanhia das Letras

Título: Prisioneiras
Autor:  Drauzio Varella
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 296

Sinopse: Na sequência de Estação Carandiru e Carcereiros, o último volume da aclamada trilogia de Drauzio Varella sobre o sistema carcerário brasileiro. O trabalho de Drauzio Varella como médico voluntário em penitenciárias começou em 1989, na extinta Casa de Detenção de São Paulo, o Carandiru. Os anos de clínica e as histórias dos presos, dos funcionários e da própria cadeia seriam retratados nos aclamados livros Estação Carandiru (1999) e Carcereiros (2014). Em 2017, Drauzio encerra sua trilogia literária sobre o sistema carcerário brasileiro com Prisioneiras. Alçando as mulheres encarceradas a protagonistas, o médico rememora os últimos onze anos de atendimento na Penitenciária Feminina da Capital, que abriga mais de duas mil detentas. São histórias de mulheres que não raro entram para o crime por conta de seus parceiros - inclusive tentando levar drogas aos companheiros nas penitenciárias masculinas em dias de visita -, porém que são esquecidas quando estão atrás das grades. As famílias conseguem tolerar um encarcerado, mas não uma mãe, irmã, filha ou esposa na cadeia. No ambiente carcerário feminino, há elementos comuns às penitenciárias masculinas. Assim como no Carandiru, um código de leis não escrito rege as prisioneiras; o Primeiro Comando da Capital (PCC) está presente e mostra sua força através das mulheres que integram a facção; e a relação entre aquelas que habitam as cadeias não é menos complexa. As casas de detenção femininas, no entanto, guardam suas particularidades -- diferenças às quais o médico paulistano dedica atenção especial em sua narrativa. Desde a dinâmica dos atendimentos e a escassez de visitas até os relacionamentos entre as presas, fica nítido que a realidade das prisões escapa ao imaginário de quem vive fora delas. Prisioneiras é um relato franco, sem julgamentos morais, que não perde o senso crítico em relação às mazelas da sociedade brasileira. Nesse encerramento de ciclo, Drauzio Varella reafirma seu talento de escritor do cotidiano, retratando sua experiência e a vida dessas mulheres com a mesma disposição, coragem e sensibilidade que empreendeu ao iniciar seu trabalho nas prisões há quase três décadas.





8 de agosto de 2023

{Resenha} Feliz ano velho

 Hoje a resenha é sobre o livro "Feliz ano velho" de Marcelo Rubens Paiva. 

Foto retirada de Arquivo Pessoal

Eu estava ansiosa para ler esse livro, porque como vocês sabem, não leio sinopse, então não tinha noção do que se tratava. 

Marcelo veio contar sua história com essa edição de 40 anos comemorativa. E ao ler, confesso que me surpreendi, não sei se tão positivamente, mas vocês já saberão ao longo dessa resenha. 

O autor sofreu um acidente, ao mergulhar em um lago de cabeça, ele se vê sem os movimentos das pernas e braços, os amigos ainda tentam o levantar, mas sem sucesso. Marcelo é levado ao hospital e só sai depois de longos meses, sentado em uma cadeira de rodas. 

Marcelo tinha apenas vinte anos quando se aventurou naquele lago, fazia faculdade de Engenharia na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), tinha muitos amigos, morava em uma republica, namorava e atualmente estava se aventurando na música. 

Ao saber que não iria mais andar e nem pegar objetos ou até mesmo tocar seu violão, não deixou que a tristeza o abalasse. Ficou um tempo tentando entender o que tinha acontecido e depois disso tentou ressignificar o acidente e o modo como levaria a vida, agora em uma cadeira de rodas. 

Algumas considerações desse livro devem ser observadas e eu não consegui deixar de me incomodar. Marcelo era aquele típico jovem de classe média alta. Gostava de sair e aproveitar a vida e infelizmente a vida lhe deu uma rasteira. Isso fez com que ele colocasse a mão na consciência e tomasse outro rumo. 

O que aconteceu com o Marcelo, poderia acontecer com qualquer um de nós, mas lá em 1970 as coisas não eram como hoje e a medicina não tinha evoluído tanto. Ao ir lendo o relato do Marcelo, comecei a achá-lo bem mimado e birrento. O jeito como ele tratava os profissionais que o ajudavam não me agradou, a forma como ele sexualiza as cenas também não, mas entendo também era um momento de muito estresse, ter que lidar com a sua nova condição. E também temos que levar em consideração que era outra época. Uma época em que tudo era permissivo e permitido para quem tinha dinheiro (o que não mudou muito hoje em dia).

A vida de uma pessoa com deficiência não é fácil, e o Marcelo vem de uma forma bem delicada trazer esse relato. O fato de depender das pessoas para tudo, como se vestir, a reabilitação como uma parte importante da vida também é bem válido de ler. Ainda mais eu, sendo fisioterapeuta, traz um relato importante do quanto ele evolui com a fisioterapia, a terapia ocupacional e a equipe de enfermagem que o auxiliava em tempo integral. 

Apesar das considerações, achei a leitura muito válida. O livro, por ser uma edição comemorativa, traz fotos de jornais e entrevistas que o próprio Marcelo deu na época. Eu ganhei há um tempo um livro dele, mas ainda não tinha tido a oportunidade de ler, e agora fiquei bem curiosa para saber se irei gostar da leitura, mas isso eu trago para vocês mais pra frente. 

Por ora, só quero dizer que é um livro que vai mexer com você de muitas maneiras, pode ser com sentimento de raiva ou compaixão, então, se tiverem a oportunidade, leiam! Vale a pena. 

*Livro cedido em parceria com a Editora. 

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Título: Feliz ano velho
Autor:  Marcelo Rubens Paiva
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 312

Sinopse: Um clássico da não ficção brasileira lançado em 1982, Feliz ano velho marca a estreia de Marcelo Rubens Paiva na literatura e desde então vem conquistando gerações de leitores com sua prosa tocante e ao mesmo tempo irreverente. Essa edição comemorativa de 40 anos inclui caderno de fotos e apresentação de Maria Ribeiro.
O romance autobiográfico sobre o acidente que colocou Marcelo Rubens Paiva em uma cadeira de rodas quando tinha vinte anos se tornou, rapidamente, sucesso de público e crítica – liderou por quatro anos a lista dos mais vendidos; ganhou versões, entre outros idiomas, em inglês, espanhol e tcheco; foi adaptado para o teatro e para o cinema; conquistou prêmios como o Jabuti; se tornou tema de inúmeros trabalhos e pesquisas nas universidades país afora. Porém, o que se revela mais importante é como até hoje não para de conquistar uma legião de leitores.
Longe de ser o simples testemunho de uma experiência dolorosa, Feliz ano velho é o retrato geracional de uma juventude que, no final dos anos 1970, experimentava a abertura do governo militar e o sonho da redemocratização. O estilo de Marcelo, calcado num humor despretensioso e ao mesmo tempo mordaz, afasta a narrativa de qualquer pendor para o melodrama ou a autopiedade – pelo contrário, esse é um texto de enorme força que, passados quarenta anos, continua atual, vibrante e uma leitura indispensável.

31 de julho de 2023

{Resenha} Solitária

Hoje a resenha é sobre o livro "Solitária" de Eliana Alves Cruz.

Foto retirada de Arquivo Pessoal

Eu já me interessei pela leitura desse livro só por ser da Eliana, já tinha lido um outro e tinha gostado demais. 

E nesse livro vamos embarcar na vida de Mabel e Eunice, mãe e filha, que praticamente moram no trabalho e que vão passar por várias fases dentro da casa da família onde Mabel trabalha, que chegarão a conclusão que o mais importante nem sempre é o que está posto na nossa frente. 

Eunice é uma menina que sabe o que não quer, que é fazer o mesmo que a mãe. Vivendo praticamente dentro do trabalho da mãe, a menina se vê em um dilema muito grande, depois de passar por uma fase muito crítica, que terá que se apoiar na força e no amor que tem por sua mãe. 

Mabel é uma mulher negra que não sabe fazer outra coisa que servir, e esse servir quer dizer tantas coisas. Aprendeu desde cedo que trabalhar edifica o homem, mas ninguém ensinou que ser "quase da família" não significa muita coisa, quando vidas de pessoas brancas estão em jogo. 

Além desse relação com os patrões, vamos acompanhando também a vida de Mabel e de todas as violências que ela vivência e/ou vivenciou na sua vida. E o que ela tenta não repetir com a filha, apesar de ser difícil quebrar a corrente, as duas vão construindo um caminho diferente daquilo que seria imposto pela sociedade. E a maneira como isso vai se desenhando é lindo de ler. 

A autora vai narrando os fatos dessas duas mulheres negras de uma forma tão sensível e envolvente que não tem como você não ter uma análise crítica e consciência de classe. A forma como o trabalho doméstico ainda é visto e colocado no nosso país em pleno século XXI diz muito sobre o racismo  estrutural. 

Além disso, a Eliana, de uma forma sábia, aborda temas sensíveis que irão fazer com que entendamos também sobre o acesso das pessoas a saúde, cultura, religião e tantas outras coisas que achamos que é besteira ou puramente mimimi. 

A Eliana já tinha me ganhado com o livro "Nada digo de ti, que em ti não veja" e com esse o amor só se tornou mais profundo. 

A leitura é fluida e simplesmente te prende do início ao fim. Eu indico muito essa leitura. Acredito que a vida seria mais fácil se a gente tivesse um pouco da coragem da Eunice e da força da Mabel. Venham ler esse livro e me falem se eu não estou certa em ter amado demais essa leitura. 

*Audiobook cedido em parceria com a Editora. 

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Título: Solitária
Autor:  Eliana Alves Cruz
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 168 

Sinopse: "Mãe, a senhora precisa se libertar destas pessoas. A senhora não deve nada pra elas. Não tenha medo de encarar esse povo que nunca limpou a própria privada."

Solitária conta a história de duas mulheres negras, Mabel e Eunice, mãe e filha, que moram no trabalho, um condomínio de luxo desses encontrados em qualquer grande cidade brasileira. Eunice, a mãe, é testemunha-chave de um crime chocante ocorrido na casa dos patrões. Mabel, a filha, constrói o caminho que leva não apenas à elucidação deste crime, mas a uma mudança radical na vida das pessoas que cercam as protagonistas.

Em prosa ágil, intensa e assertiva, Eliana Alves Cruz constrói uma miríade de histórias que revolve o imaginário do trabalho doméstico no Brasil -- ainda tão vinculado à época escravocrata -- e o relaciona a questões contemporâneas urgentes como a pandemia, o debate sobre ações afirmativas e a luta por direitos reprodutivos.

Testemunho de uma crucial mudança de sensibilidade no espírito de nosso tempo, Solitária dá provas do quão urgente se tornou elaborar -- sem meias palavras -- não apenas a história, mas as sobrevidas da escravidão colonial. Ao fazê-lo, mostra como é possível enfrentar o desafio moral e ético de abordar essas experiências de vida sem replicar gratuitamente a violência que a sustenta nem reencenar nenhum pacto oculto de subalternidade. É um romance libertação.

"Eliana narra com a maestria da linguagem de alguém que sabe lidar com as palavras." -- Conceição Evaristo

"Em Solitária, Eliana desponta como uma das mais importantes vozes de nossa literatura contemporânea." -- Itamar Vieira Junior



21 de maio de 2023

{Resenha} O mal que nos habita

 Hoje a resenha é sobre o livro "O mal que nos habita" de Gwen Adshead e Eileen Horne.

Foto retirada de Arquivo Pessoal

Eu recebi esse livro e já fiquei empolgada para ler. A Dra. Gwen é uma psiquiatra e psicoterapeuta forense. Atuou muitos anos nos hospitais de custódia e presídios do Reino Unido e tem uma experiência muito grande atendendo e tentando compreender um pouco do que é a mente humana. 

E o que conseguimos ler é um livro voltado para o atendimento, sem julgamento, e a reabilitação de criminosos que cometeram crimes que vão muito além do que conseguimos imaginar. A Dra. Gwen vai descrevendo, em onze casos, o que cada preso ou presa falou e como isso pode reverberar para as suas vidas dentro do presídio ou dos hospitais de custódia. 

A gente fala tanto na reabilitação de presos, na reinserção de presos dentro da comunidade, mas quando se pensa em criminosos violentos, não conseguimos nem imaginar essas pessoas de volta a comunidade. E, é isso que as autoras tentam desmistificar, quando elas compartilham a história e a luta diária dessas pessoas de tentar se colocar dentro do próprio hospital ou inseridos novamente na sociedade. O que a gente não imagina é que essas pessoas que cometeram crimes que nos chocam também passam por dores e traumas, o que não justifica a violência, mas acaba contextualizando tudo o que eles narram e vivenciam no dia-a-dia. 

Eu confesso que fiquei bem mexida com as narrativas e como a Dra. Gwen lidou com as histórias. A gente acompanha casos de abuso de criança até assassinatos de pais e o quão interessante é o trabalho dela, de fazer com que essa pessoa fale, da suas dores, dos seus traumas, da violência gerada através do ato cometido e como aquilo pode ser transformado.  

Gwen tem o cuidado de tratar os pacientes/presos como seres humanos, livres de julgamento e ou tratamento preconceituoso. Está ali para tentar lidar com o sofrimento psíquico e trazer essa pessoa para o que aconteceu, como aconteceu e para o hoje. 

Eu gostei bastante da leitura, achei a forma como a autora narra os fatos bem tranquilo, mesmo sendo histórias que podem conter conteúdo violento e ser difícil para quem é mais sensível. Outro fator importante é a reflexão sobre esses criminosos, e o quanto esse trabalho é importante para o paciente atendido. 

E se todos tivessem acesso a esse tipo de abordagem, será que diminuiria o número de crimes bárbaros? Está aí uma reflexão que eu me faço e deixo para vocês pensarem também. 

Se houver outros livros da Doutora, eu quero muito ler, porque achei muito interessante esse método utilizado. Se você não leu esse lançamento, leia, porque vale muito a pena!

*Livro cedido em parceria com a Editora. 

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Título: O mal que nos Habita
Autor:  Gwen Adshead e Eileen Horne
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 392

Sinopse: Bem-vindo ao consultório de uma das principais psiquiatras e psicoterapeutas forenses do Reino Unido. O mal que nos habita questiona nosso entendimento sobre crueldade e violência e reflete sobre nossas possibilidades de empatia, mudança e redenção.
O que leva uma pessoa a cometer um ato de violência? Em O mal que nos habita, a psiquiatra e psicoterapeuta forense Gwen Adshead, que acumula mais de três décadas de experiência atendendo em hospitais de custódia e presídios, une-se à escritora Eileen Horne para oferecer uma perspectiva original sobre a mente humana a partir de onze casos reais.
São retratos que revelam toda a nossa profundidade e complexidade -- e a aptidão de uma profissional em lidar com temas que permanecem tabus. Ao acompanharmos os processos terapêuticos -- cujos desfechos vão da esperança ao desespero e da negação à reabilitação --, entendemos o que a crueldade significa para cada um desses personagens. Conforme a dra. Adshead destrincha traumas e motivações, fica evidente como a autopercepção dessas pessoas pode mudar quando elas passam a ser vistas além dos rótulos de "maléficas" ou "diabólicas" e conseguem conhecer melhor sua mente e assumir a responsabilidade por seus atos.

14 de maio de 2023

{Resenha} Carcereiros

Hoje a resenha é sobre o livro "Carcereiros" de Drauzio Varella. 

Foto retirada de Arquivo Pessoal

Eu li alguns livros do Dr. Drauzio e sempre me encanto com a sua narrativa. Acho que toda a história dele dentro do Carandiru fez com que ele crescesse mais como pessoa e como profissional. 

Ele mesmo traz experiências relacionadas a sua evolução e o seu crescimento, como pessoa, o tornando mais empático as questões relacionada ao outro. E nesse livro não é diferente. Drauzio traz a narrativa dos funcionários que trabalharam e deram a vida pelo Carandiru. 

E foram muitos homens que cresceram e desejavam estar naquela posição de carcereiros. Alguns queriam ser policiais e como não conseguiram passar no concurso, acabaram entrando na Administração Penitenciária. 

O que nos chama mais atenção é que esses homens não recebiam treinamento, não eram auxiliados pelos colegas mais antigos. Já chegavam e tinham que assumir o posto de trabalho. Muitos não sabiam nem o que fazer diante de mais de mil homens cumprindo sua pena. 

As histórias vão nos impactando, a medida que a leitura avança. Alguns são pegos pelo sistema, que não costuma deixar quieto, quem se envolve no crime. Outros não sabem lidar bem quando o Carandiru vem abaixo. 

As condições de trabalho também não ajudam, pois muitas das vezes são condições insalubres, as vezes eles tem que contar consigo mesmos. 

Quando o Carandiru foi demolido, esses trabalhadores foram transferidos para outras penitenciárias, o que os deixou bem infelizes. Quando deram o veredicto de que o Carandiru deveria mesmo não existir mais, os carcereiros junto com o Dr. Drauzio combinaram de se encontrar de tempos em tempos para colocar a conversa em dia e assim manter o laço que criaram nos tempos dos pavilhões. Esses encontros são mantidos até os tempos atuais e faz com que eles mantenham a saúde mental depois de tudo que viveram nos corredores do Carandiru. 

A leitura não necessariamente é fácil, nos leva para um momento de reflexão. São tantas vidas envolvidas e sabemos que o tratamento do Estado aos funcionários públicos não é dos melhores. Esses homens são testados todos os dias, e não recebem se quer um apoio psicológico. Acredito que o fardo e os traumas seriam menores se pelo menos fosse investido nisso, mas sabemos que as condições ainda são muito precárias. Fica aí uma reflexão! 

Se você não leu nenhum livro, leia! Vale tanto a pena. Não tem como não se envolver com as histórias e com a vida de cada trabalhador. Eu só posso dizer que leiam e não percam mais tempo. 

*Audiolivro cedido em parceria com a Editora. 

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Título: Carcereiros
Autor:  Drauzio Varella
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 232

Sinopse: Depois do best-seller Estação Carandiru, Drauzio Varella volta ao universo das prisões para mostrar ao leitor o outro lado da moeda: o cotidiano dos agentes carcerários. Livro que inspirou a série da Rede Globo.
Em Estação Carandiru, que desde 1999 teve mais de 500 mil exemplares vendidos, Drauzio Varella focou seu corajoso relato na população carcerária de um dos presídios mais violentos do Brasil. Mas os vinte e três anos atuando em presídios brasileiros como médico voluntário também o aproximaram do outro lado da moeda: as centenas de agentes penitenciários que, trabalhando sob condições rigorosas e muitas vezes colocando a vida em risco, administram essa população.
Foi com um grupo desses agentes que Drauzio passou a se reunir depois das longas jornadas de trabalho, em um botequim de frente para o Carandiru. E essa convivência pôs o autor em contato com os relatos narrados em Carcereiros, segundo volume da trilogia iniciada por Estação Carandiru - o terceiro livro, Prisioneiras, terá como ponto de partida o trabalho do médico na Penitenciária Feminina da Capital.
Acompanhamos, assim, uma rebelião pelos olhos de quem tenta contê-la. A descoberta de que um colega está do lado dos bandidos. Um momento de solidariedade, outro de egoísmo. Um ato heroico e outro de covardia. Entramos em contato com o cotidiano dos carcereiros e as situações desconcertantes impostas pelo ofício, que eles resolvem com jogo de cintura e, não raramente, com humor.
O que emerge é um retrato franco de um mundo totalmente desconhecido para quem está de fora, que também inspirou a série homônima exibida pela Rede Globo em 2018. Drauzio fala também de sua própria atividade como médico do sistema penitenciário: das frustrações, dos acertos e, sobretudo, da dificuldade em conciliar uma vida tão imersa nesta realidade com a de médico particular, apresentador de programas de divulgação científica, pesquisador de plantas, escritor e pai de família.
Se há algo de comum a essas vidas - carcereiros, médico, detentos -, é a dimensão humana que nunca escapa aos relatos do autor.

9 de abril de 2023

{Resenha} A Pediatra

Hoje a resenha é sobre o livro "A Pediatra" de Andréa Del Fuego. 

Foto retirada de Arquivo Pessoal

Eu comprei esse livro como quem não quer nada na bienal. Confesso que demorei para ler, uma por não saber o que esperar e outra, por receio mesmo. Mas, vocês não imaginam como me arrependo de não ter lido antes. Que livro. Que leitura. 

Cecília é uma pediatra que se acha Deus. A narração é feita em primeira pessoa e conseguimos entender o que se passa na cabeça dessa médica que tem zero empatia pelas crianças que atende e seus genitores. 

Cecília vive uma rotina frenética, casada, já não consegue manter uma relação saudável com o companheiro, e acaba se envolvendo em um relacionamento extraconjugal. Essa relação vai nortear o andamento da história. 

Por ser médica, Cecília se acha acima de tudo e todos. Não respeita a opinião de outros colegas e a avaliação das crianças na sala de parto é feito a toque de caixa. A única pessoa que a nossa protagonista idolatra e respeita é o próprio pai, também médico. Essa relação meio torta com a sua profissão acaba dando uma rasteira na nossa protagonista. 

Quando ela se torna mais empática pelo filho de dois anos do amante, acaba desenvolvimento uma relação ambígua e mudando um pouco a narrativa do livro.

Cecília é aquela pediatra que criança nenhuma merece. Ela trata as genitoras com desprezo, e ainda justifica o fato de ter uma relação que não é saudável, com a própria mãe. Cecília deixa a desejar no cuidado saúde da criança, mas também não consegue ser uma boa amiga, uma boa amante e uma boa patroa. 

O livro nos faz refletir sobre o papel do profissional da saúde na sociedade. Esse endeusamento do profissional Médico, me fez questionar muitas coisas. E não só por ser o médico em si, mas por eu mesma ser uma profissional da saúde que tenta ao máximo ter mais empatia pelo paciente que atendo. Confesso que gostei bastante dessa leitura. Acho uma leitura necessária, para se desmistificar um pouco a maternidade, vista como algo sagrado, mas que pode ser um tanto solitário. 

Se você não leu A pediatra, não perca mais tempo. Vem ler, porque vale muito a pena reflexão. 


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Título: A pediatra
Autor:  Andréa del Fuego    
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 160

SinopseCom humor mordaz, o novo romance de Andréa del Fuego apresenta a história de uma personagem muito peculiar: Cecília, uma pediatra nada afeita a crianças.
Cecília é o oposto do que se imagina de uma pediatra – uma mulher sem espírito maternal, pouco apreço por crianças e zero paciência para os pais e mães que as acompanham. Porém a medicina era um caminho natural para ela, que seguiu os passos do pai. Apesar de sua frieza com os pacientes, ela tem um consultório bem-sucedido, mas aos poucos se vê perdendo lugar para um pediatra humanista, que trabalha com doulas, parteiras e acompanha até partos domiciliares. Mesmo a obstetra cesarista com quem Cecília sempre colaborou agora parece preferi-lo.
Ela fará, então, um mergulho investigativo na vida das mulheres que seguem o caminho do parto natural e da medicina alternativa, práticas que despreza profundamente. Em paralelo, vive uma relação com um homem casado, de cujo filho ela acompanhou o nascimento como neonatologista. E é esse menino que irá despertar sentimentos nunca antes experimentados pela pediatra.


26 de fevereiro de 2023

{Resenha} O que sobra

Hoje a resenha é sobre o livro "O que sobra" de Príncipe Harry. 

Foto retirada de Arquivo Pessoal

Eu não acompanhava muito a família real inglesa, confesso. Quando saiu o documentário "Harry e Meghan" na Netflix, fiquei bem curiosa para ler o seu livro também. Confesso que até iniciei "The Crow", porque queria saber um pouco mais da dinâmica da família.  

A princesa Diana foi um marco na vida de muitas pessoas, eu era criança, então não entendia muito essa coisa de existir princesa ainda. E quando o Harry narra como foi contado a sua morte, parece cena de filme captada em câmera lenta. 

No primeiro momento e por muito tempo ele acredita que a mãe simplesmente está escondida. Não sei se o fato de viver em uma bolha tão grande, o faz acreditar que nada de ruim pudesse acometer a mãe ou alguém da família, mas a medida que ele cresce, se torna adulto, vai pro exército e vê as fotos do acidente, que ele entende que seria impossível a mãe estar escondida esse tempo todo. 

E assim, ele vai narrando os momentos da sua vida, a adolescência conturbada, marcada por uma dificuldade na escola e o relacionamento truncado com o pai. 

Quando ele opta por não cursar a faculdade, confesso que fico um pouco decepcionada, penso: Como assim essa pessoa não quer estudar? Ele tem oportunidade e dinheiro, poderia estudar em qualquer lugar do mundo. Mas, não. Ele escolhe por ir para o exército e essa é uma parte do livro bem maçante. 

Harry namora várias pessoas, sempre emendando uma relação na outra e isso vai mostrando o quanto ele também é carente de afeto. Parece que ele está sempre a procura de alguém que vai salvá-lo, alguém que vai tampar o buraco deixado pela perda da mãe e do irmão e pai, quando casaram. 

A imprensa tem um papel fundamental nessas relações de Harry. Ele culpa os paparazzi pela morte da mãe, culpa os tabloides por sua infelicidade e suas decisões. Culpa a família e o palácio por nunca se pronunciar, mas em nenhum momento ele se coloca como uma pessoa protagonista da sua vida e das suas escolhas. 

Quando conhece a Meghan, o mundo se torna mais colorido. Entendo o quanto ele quer lutar por esse relacionamento e essa nova família e quais são as implicações dessa nova pessoa dentro da monarquia. 

Meghan é uma mulher forte, de opinião e de formação. Ela sabe que tem muito potencial e ela também escolhe Harry. Os dois se escolheram. Há um racha muito grande, principalmente pelo conservadorismo do irmão William e de sua esposa e do próprio pai. 

Foto retirada de Arquivo Pessoal

A saída da casal foi bem conturbada. Acredito que se eles não saíssem, dificilmente se manteriam tão unidos. Mas, a questão da vitimização do Harry me deixou bem incomodada. Aí entra a questão do afeto. 

A única coisa que eu senti é que o livro nos traz muitas questões: a interferência familiar nas relações podem até que ponto ajudar ou atrapalhar? O quanto o fato de Harry ser um homem branco e rico pode ter contribuído para que ele fizesse tudo que fez e ainda passasse ileso das suas próprias escolhas e responsabilidades? O quanto o racismo estrutural pode sim acabar com a saúde mental de uma pessoa (no caso da Meghan)? 

Acredito que são perguntas e reflexões que ficam dessa leitura. Se você quer conhecer o lado do Harry, manda ver no livro, mas se quer saber um pouco mais sobre a família, leia também o Os Arquivos do Palácio, vai ver que nem tudo gira em torno do umbigo do Prícipe Harry. 

*Livro cedido em parceria com a Editora. 

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Título: O que sobra
Autor:  Príncipe Harry
Editora: Companhia das Letras  
Páginas: 512

SinopseEsta foi uma das imagens mais tocantes do século XX: dois jovens, dois príncipes, caminhando atrás do caixão da mãe, enquanto o mundo acompanhava os eventos com tristeza – e horror. Conforme Diana, a Princesa de Gales, era sepultada, bilhões de pessoas se perguntavam como se sentiam, e o que pensavam, os príncipes – e como a vida deles iria se desenrolar a partir daquele momento.
Para Harry, esta é enfim a sua história.
Com uma honestidade total e incontornável, O que sobra é um marco editorial, cheio de inspiração, revelações, introspecção e sabedoria, conquistada com muito esforço, no que diz respeito ao eterno poder do amor sobre a perda.


26 de janeiro de 2023

{Resenha} Os arquivos do Palácio

Hoje a resenha é sobre o livro "Os arquivos do Palácio - Por dentro da Casa Windsor: A verdade e a voragem" de Tina Brown. 

Foto retirada de Arquivo Pessoal

Eu fiquei empolgadíssima quando recebi esse livro, porque sempre tive muita curiosidade de saber mais sobre a família real britânica. Acho meio surreal saber que ainda existem reis, rainhas, príncipes e que as pessoas são de carne e osso rs. 

Tina é uma jornalista renomada que acompanhou por muitos anos alguns membros da família real e ela vai contando alguns detalhes que ouviu dos próprios membros ou que alguns secretários e amigos lhe confidenciaram. 

São várias questões desde a Coroação da Rainha Elizabeth II e o quanto ela era respeitada, Príncipe Philip que as vezes soltava uma pérola que deixa a rainha na saia justa, mas conseguia lidar e contornar as situações e ainda saía por cima. 

Tina vai falando de todos os membros, inclusive os que entraram depois como a Princesa Diana, Camila, Kate Middenton e a Meghan Markle. Temos nesse meio tempo o escândalo envolvendo o Príncipe Andrew e seu envolvimento com assédio sexual a menores.

A escrita é tão fluida que quando me dei conta, já estava quase no final do livro. As histórias nos prendem de uma forma que você quer saber o que aconteceu com aquele personagem da vida real. Confesso que fiquei meio tocada com a frieza com que eles levam a vida, as emoções, a família. Acho que no fundo, eles queriam ter um dia de normalidade. 

Foto retirada de Arquivo Pessoal

Em alguns momentos, a impressão que dá, é que todas as mulheres são enfadonhas. Tina coloca de um jeito, como se a Diana não fosse aquela princesa perfeita (o que não devia ser mesmo, não é?) e que havia meio que uma competição, instigada entre os próprios jornalistas, entre as mulheres. 

A única coisa que sei é que Diana morreu cedo, teve um tempinho ainda para aproveitar a vida. Kate fez de tudo para virar da realeza e conseguiu. Ela passou por poucas e boas e tá lá aguentando até hoje. Meghan era grosseira com os funcionários do palácio, segundo as pessoas próximas que trabalharam para a família. E teve que lidar com toda aquela pressão da imprensa britânica, meio que sozinha. 

E no fim, sabemos que a Meghan sofreu racismo sim! Tina deixa claro, que todas as outras mulheres que estavam lá tinha um elo com a Inglaterra, além de serem todas brancas. Entretanto, Meghan, além de ser americana ainda era uma mulher negra, o que dificultaria para ela se acostumar e se enturmar. 

No fim, conseguimos identificar que mesmo com toda a imagem bonita, a família real inglesa apresenta muitas questões. Acho complexo em pleno século XXI termos reis e rainhas, como falei lá no início. Isso pode desencadear diversas questões boas ou não, mas o que importa aqui é sabermos a fofoca, então, se você ficou mais curiosa com o que a Tina escreve, vem ler esse livro. Eu super recomendo e acredito que vocês também irão adorar. 

*Livro cedido em parceria com a Editora. 

Onde ComprarCompanhia das Letras

Título: Os arquivos do Palácio - Por dentro da Casa Windsor: A verdade e a voragem 
Autor:  Tina Brown
Editora: Companhia das Letras  
Páginas: 568

SinopseDa ascensão de Camilla e Kate aos escândalos em torno do príncipe Andrew, da determinação implacável da rainha Elizabeth II ao afastamento de Meghan e Harry de suas funções reais, este livro mudará a maneira de se entender a monarquia britânica. Best-seller do New York Times e do Sunday Times.
"Nunca mais" era o lema da rainha Elizabeth II depois da morte trágica da princesa Diana. Nunca poderia haver uma "outra Diana", um membro da família real cuja popularidade ultrapassasse, ofuscasse e ameaçasse a existência da monarquia britânica. Em Os arquivos do palácio, a premiada jornalista Tina Brown revela como a família real se reinventou nos anos seguintes ao período traumático em que o status de celebridade de Diana abalou as estruturas da Casa Windsor.
Com amplo acesso a fontes próximas aos membros da monarquia e recheado de informações explosivas, a autora transporta o leitor para o interior do Palácio de Buckingham, detalhando uma história marcada por escândalos, casos amorosos, jogos de poder e traições que atingiram a monarquia nos últimos 25 anos, protagonizada por Charles, Camilla, William, Kate, Harry, Meghan e Andrew. Constante nesse período é a habilidade de Elizabeth II de superar as instabilidades familiares e manter a solidez da instituição, triunfando a cada jubileu ao longo de sete décadas de reinado.

8 de janeiro de 2023

{Resenha} Estação Carandiru

 Hoje a resenha é sobre o livro "Estação Carandiru" de Drauzio Varella. 

Foto retirada de Arquivo Pessoal

Esse é um daqueles livros que você espera muito tempo para ler e quando o faz fica se perguntando porque não leu antes. E foi essa sensação que tive, quando terminei essa leitura. 

Dr. Drauzio Varella é médico, oncologista, pesquisador e cientista brasileiro. Se formou na Universidade de São Paulo e começou a trabalhar em hospitais da cidade metropolitana. Drauzio foi um dos pioneiros no estudo da AIDS principalmente do Sarcoma de Kaposi. Em 1989, início um trabalho no presídio do Carandiru investigando a prevalência do vírus HIV nos detentos. Até 2002, ano em que o Carandiru foi desativado, trabalhou como médico voluntário. 

E é como voluntário que o Dr. nos relata as histórias de tantos anos trabalhados no maior presídio do Brasil, com uma média de sete mil presos, sendo divididos por Pavilhões. Só no Pavilhão 9, onde ficavam os réus primários ou que aguardavam o julgamento, tinha uma média de 2700 presos. 

A princípio Drauzio nos explica como são divididos os pavilhões dentro do Carandiru e como os presos eram separados. E a partir disso, Drauzio começa a dar pequenas palestras sobre a disseminação do vírus HIV através do consumo de Cocaína injetável. Assim, começa a ser procurado pelos próprios presos com sintomas que seriam já o início de AIDS. 

A medida que começa os atendimentos, o Dr. vai se aproximando das histórias desses presos e a partir daí começa a contá-las no livro. São histórias que nos fazem repensar, que nos fazem analisar e entender até certo ponto como esses presos chegaram até ali. Tem história envolvendo vingança, morte passional, e até mesmo tráfico de drogas, mas o Dr. não estava ali para julgar aqueles homens e sim atendê-los de uma forma mais humanizada. 

Muitas das vezes, Drauzio não tinha exames de imagens e nem medicamentos para tratar as doenças, porque a burocracia para se solicitar era tanta que quando chegavam as autorizações, muitos presos já haviam vindo a óbito. 

Drauzio narra, muitas das histórias são contadas por presos que estão em seus últimos dias, por conta das doenças oportunistas e também da própria Tuberculose, que assolava muitos presos dentro dos pavilhões. Conhecendo o código-penal da cadeia, que muitas vezes era bem pior do que o dado pela Justiça. 

Eu confesso que amei o livro, fiquei curiosa para assistir novamente o filme de mesmo nome que é inspirado no livro. Algumas histórias me deixaram perplexas, outras só empática. O dia do massacre foi narrado também e nos deixa pensativos sobre o papel da polícia e sua responsabilização por tantas mortes. 

Eu já estou curiosa para as outras leituras do mesmo seguimento do Dr. Drauzio. 

Se você não leu esse livro, leia. Não perca mais tempo e faça essa leitura que irá te surpreender de um nível muito alto. 

*Audiolivro cedido em parceria com a Editora. 

Onde ComprarEstação Carandiru

Título: Estação Carandiru
Autor:  Drauzio Varella
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 302

SinopseO médico Drauzio Varella relata dez anos de atendimento voluntário na Casa de Detenção de São Paulo, o maior presídio do Brasil, e mostra como um código penal não-escrito organizava o comportamento da população carcerária.
Em 1989, o médico Drauzio Varella iniciou na Detenção um trabalho voluntário de prevenção à AIDS. Entre os mais de 7200 presos, conheceu pessoas como Mário Cachorro, Roberto Carlos, Sem-Chance, seu Jeremias, Alfinete, Filósofo, Loreta e seu Luís. Não importava a pena a que tinham sido condenados, todos seguiam um rígido código penal não escrito, criado pela própria população carcerária. Contrariá-lo poderia equivaler à morte.
O relato de Drauzio Varella neste livro tem as tonalidades da experiência pessoal: não busca denunciar um sistema prisional antiquado e desumano; expressa uma disposição para tratar com as pessoas caso a caso, mesmo em condições nada propícias à manifestação da individualidade.
Lançado em 1999 e transformado em filme em 2003, por Hector Babenco, Estação Carandiru recebeu o Prêmio Jabuti 2000 de livro do ano e, desde então, já vendeu centenas de milhares de exemplares.

12 de janeiro de 2022

{Resenha} Uma verdade incômoda

 Hoje a resenha é sobre o livro "Uma verdade incomôda: os bastidores do Facebook e sua batalha pela hegemonia" de Sheera Frenkel e Cecilia Kang.

Foto retirada de Arquivo Pessoal

Quando eu recebi esse livro da Companhia das Letras, fiquei muito curiosa em lê-lo. Confesso que não é uma leitura rápida, pois tem muitas questões de pesquisa e possível discussão, que faz a gente refletir bastante. 

Se me dissessem em 2010 que o orkut ia acabar e o Facebook perdurar, eu não acreditaria. E, foi exatamente isso que aconteceu. O Facebook surgiu em meados de 20009/2010 aqui no Brasil. Ele já existia, fazia mais de 5 anos, e já tinha muitos usuários locais. 

Quando Mark Zuckenberg criou o site, ele queria que fosse algo grandioso, queria que saísse dos muros de Harvard e conquistasse o mundo. Que seus usuários ficassem conectados e contratando anúncios, porque aí ele ganharia mais dinheiro. Ele não queria concorrência, e foi aí que achou viável investir no Instagram, ele queria dominar o mundo da comunicação, e foi aí que pensou em comprar o Wattsapp. 

Mark vislumbrou o sucesso da sua criação, conseguiu muitos patrocinadores e ficou conhecido mundialmente. Só que as reter tantos dados pessoais, sem um controle é um tanto perigoso e o Mark saboreou um gosto amargo por causa disso. 

Foto retirada de Arquivo Pessoal

As eleições de 2016 nos Estados Unidos mostraram como a rede social pode ser frágil e a disseminação de notícias falsas pode eleger um presidente. Mark sabia do que estava acontecendo e ainda assim, muitas notícias falsas foram compartilhadas e muitas pessoas prejudicadas. O Facebook demorou para entender o que era notícia distorcida, e acabou prejudicando um processo eleitoral e intervindo também em outros países. 

O livro é bem fluido, uma leitura que fará a gente repensar sobre o uso do compartilhamento dos nossos dados na rede social. Que fará você questionar as informações que chegam através de grupos de parentes e de comunidades. Sabemos o que foi a eleição de 2018 aqui no Brasil, sofremos com a desinformação e as notícias falsas.

Espero, sinceramente, que o Facebook seja julgado e cumpra as punições cabíveis. A mim só resta indicar esse livro para que todos leiam e que a gente consiga entender um pouco sobre o que é a vida dentro das redes sociais. 

Então, se você não leu ainda, leia. Vale muito a pena e você repensará algumas coisas. 

*Livro cedido em parceria com a Editora. 

Onde ComprarCompanhia das Letras

Título: Uma verdade incômoda: os bastidores do Facebook e sua batalha pela hegemonia
Autor: Sheera Frenkel e Cecilia Kang
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 384

Sinopse: O livro que o Facebook não quer que você leia. Uma reportagem explosiva sobre a busca irrefreável por crescimento e poder da rede social que mudou a forma como consumimos, votamos, pensamos e nos relacionamos.
Nesta reportagem eletrizante, as premiadas jornalistas do New York Times Sheera Frenkel e Cecilia Kang revelam como Mark Zuckerberg e Sheryl Sandberg tentaram negar o fato de que o Facebook se tornou um canal de desinformação, discurso de ódio e propaganda política, enquanto buscavam o crescimento da plataforma a qualquer preço.
Com depoimentos de centenas de fontes privilegiadas, Uma verdade incômoda reconstitui as polêmicas que envolveram a rede social desde 2016 ― que incluíram violação de privacidade dos usuários, influência russa nas eleições americanas e manipulação de dados pessoais para propagar fake news. Embora Zuckerberg e Sandberg viessem repetidamente a público pedir desculpas por suas “decisões equivocadas”, as autoras apresentam uma conclusão aterradora: tais erros não foram pontos fora da curva, mas inevitáveis ― porque é assim que o Facebook foi programado para funcionar.

28 de setembro de 2021

{Resenha} Cartas para minha avó

Hoje a resenha é sobre o livro "Cartas para minha avó" de Djamila Ribeiro. 

Foto retirada de Arquivo Pessoal

Não tem como não ler esse livro e não pensar no quão difícil foi a infância de uma mulher negra em um bairro de classe média. Uma única família negra, dentre todas as outras brancas. Não tem como não ficar emotiva, sentida, feliz e empática pela autora. 

E assim, com um misto de todos esses sentimentos, eu terminei esse livro. O coração quentinho de saber que Djamila conseguiu mudar a chave de sua geração, e se tornou uma autora de sucesso, uma pesquisadora e professora impecável. 

Foto retirada de Arquivo Pessoal

Em cartas para sua avó, Djamila traz seus medos, seus anseios, desde a infância na cidade de Santos, a vida com uma mãe que era dona de casa e um pai estivador. Confesso que tive que procurar o que era um estivador porque eu não sabia. 

A mãe da autora era rígida, vivia brigando com seus irmãos para estudar, dar valor ao que eles tinham e acabou se tornando uma mulher mais amarga. Djamila vê uma força na mãe, que ela tinha que ter, para conseguir lidar com as traições do seu pai e o fato de não ter estudado para sair daquela situação. 

As cartas são escritas como se fosse um diário, e o que nós conseguimos identificar é o quanto Djamila teve que lutar para se tornar a mulher que é hoje. A luta da maioria das mulheres negras, que tem que mostrar muito mais seu valor do que uma mulher branca. E isso, a gente consegue identificar na sua narrativa, pelas cartas. 

Foto retirada de Arquivo Pessoal

É tão bonito ver a relação que a avó Antônia tinha com a religião de matriz africana e que passa para Dona Erani e consequentemente para Djamila. 

Eu fiquei bem tocada com as cartas e com a narrativa da autora. Conseguimos identificar os momentos de racismo, as lutas, a gestação não tão desejada, o casamento de sua mãe e futuramente o seu e os desdobramentos de uma mulher que tenta viver em uma cidade grande como São Paulo. 

Eu confesso que amei a leitura e a indico para todos! E com uma narrativa singela e apaixonante que fará você se perguntar e questionar muitas coisas. Obrigada Djamila, acredito que a vó Antônia está vibrando e com o coração alegre por essa lindeza de livro. 

*Livro cedido em parceria com a Editora. 

Onde ComprarGrupo Companhia das Letras

Título: Cartas para minha avó
Autor: Djamila Ribeiro
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 200

Sinopse: Um relato memorialístico pungente e sensível sobre ancestralidade, feminismo e antirracismo na criação de filhos.
No mais pessoal e delicado de seus livros, a filósofa Djamila Ribeiro revisita sua infância e adolescência para discutir temas como ancestralidade negra e os desafios de criar filhos numa sociedade racista. O relato se dá na forma de cartas a sua saudosa avó Antônia – carinhosa e amorosa, conhecedora de ervas curativas e benzedeira muito requisitada.
A cumplicidade que sempre houve entre avó e neta é o que permite que a autora rememore episódios difíceis, como a perda do pai e da mãe, as agressões que sofreu como mulher negra no Brasil e os desafios para integrar a vida acadêmica. Djamila também fala de relacionamentos amorosos e experiências profissionais, das músicas, das leituras e das amizades que a acompanharam em sua construção pessoal – e da percepção paulatina de que a memória das lutas e das conquistas das pessoas negras que vieram antes de nós é a força que nos permite seguir adiante.


20 de agosto de 2021

{Resenha} Garota, mulher, outras

 Hoje a resenha é sobre o livro "Garota, mulher, outras" de Bernardine Evaristo. 

Foto retirada de arquivo pessoal

Eu li esse livro depois da escolha no clube do livro Serendipidade, confesso que estava torcendo por outro livro, mas esse ganhou na enquete, então tive o prazer de ler. 

E foi uma grande surpresa para mim ter gostado tanto dessa leitura. Com uma escrita não convencional, Bernardine nos conta a história de 12 personagens. O livro é dividido em cinco grandes partes, sendo a última um epilogo, onde todas elas se encontram. Vamos conhecer a história de 11 mulheres e uma pessoa não binária. Sendo Yazz, uma estudante, a mais jovem com 19 anos e Hattie, uma fazendeira, de 93 anos. 

Foto retirada de arquivo pessoal

Por que eu digo que a escrita é diferente para mim? Porque simplesmente a autora não usa pontuação. Temos um livro escrito em versos livres, que só nos faz perceber o quanto você está envolvida na história, quando você chega na última página e se pergunta? Poxa, acabou? Quero mais. 

A cada página e capítulo vamos conhecendo a história desses personagens. Algumas mulheres que tem sua vida cruzada por abuso sexual, assédio, todo o tipo de violência e ainda temos muita história de superação, de aceitação e amor. Relações de mães e filhas e de filhas e amigas, que fará com que se torne uma rede complexa e cheios de nuances, capazes de se romper rapidamente. 

A Bernardine escreve de um jeito hipnótico, faz com que estejamos conectadas com as personagens e com as histórias. E ao final, há uma junção, fazendo com o que a colcha de retalhos fique pronta para nos presentear. 

Foto retirada de arquivo pessoal

Eu amei o livro, e a história de cada personagem. Teve algumas que mexeram mais comigo e teve outras que me deixaram bem pensativa. Não tem como você não se identificar com alguma de suas personagens e suas histórias. É de uma sensibilidade e poder enormes. A única coisa que posso dizer é que leiam, leiam esse livro, vão até o fim e se deliciem com a escrita maravilhosa dessa autora. 

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Título: Garota, mulher, outras
Autor: Bernardine Evaristo
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 496    

Sinopse: Um romance surpreendentemente atual e engenhoso sobre identidade, raça e sexualidade, vencedor do Booker Prize em 2019.
Garota, mulher, outras é um verdadeiro marco da ficção britânica. O romance causou furor quando publicado: venceu o Booker Prize em 2019, foi aclamado por nomes como Barack Obama, Roxane Gay, Ali Smith e Tom Stoppard e incluído nas listas de melhores livros do ano por veículos como The Guardian, Time, The Washington Post e The New Yorker. A forma, por si só, não é nada convencional: trata-se de um gênero híbrido, composto de versos livres e sem pontos-finais. O resultado é uma dicção singular e envolvente, que prende o leitor da primeira à última página.
O pano de fundo dessas histórias é uma Londres dividida e hostil, logo após a votação do Brexit: um lugar onde as pessoas lutam para sobreviver, muitas vezes sem esperança, sem que as suas necessidades sejam atendidas e sem que sejam ouvidas. Nesse ambiente opressor, as vozes de Garota, mulher, outras formam um coro e levantam reflexões poderosas sobre o machismo, o racismo e a estrutura da sociedade.


17 de agosto de 2021

{Resenha} Na casa dos sonhos

Hoje a resenha é sobre o livro "Na casa dos sonhos" de Carmen Maria Machado. 

Foto retirada de Arquivo Pessoal

Quando eu recebi esse livro, sabia que seria uma biografia de um relacionamento abusivo, mas não conseguiria imaginar como mexeria comigo essa leitura. 

Carmen vai fazendo uma narração desde o momento que conhece a mulher da casa dos sonhos, com flashback de coisas que aconteciam antes dessa mulher entrar em sua vida. 

A mulher da Casa dos sonhos era especial, conseguiu ver características nela, que nem a própria Carmen via. A relação das duas era perfeita, o sexo dos sonhos e a relação que inicialmente começou com conversas e sonhos compartilhados, virou o pesadelo que ela descreve na sua autobiografia. 

Foto retirada de Arquivo Pessoal

O mais interessante é que, é pouco visto ou relatado, relacionamentos tóxicos entre mulheres, mas pode ser mais comum do que estamos acostumados a ver e/ou falar. 

Carmen vai nos narrando como os acontecimentos acabam minando a relação. Em nenhum momento a mulher da casa dos sonhos a agride fisicamente. O abuso psicológico é evidente. A narração ao longo da biografia vai nos moldando uma mulher que era dócil, educada, gentil, carinhosa, delicada e ao mesmo tempo fria, calculista, agressiva e egoísta. 

Essa, não é uma leitura fácil, pois conseguimos identificar a dor da autora. O interessante da leitura, é que em nenhum momento temos uma narração que vira notícia em folhetim policial, pois como a própria autora relata, ela se dá de forma sutil. Primeiro mina a sua capacidade de ter amigos, te encurrala, te persegue, e te ameaça se as coisas não estão dando certo ou caminhando do jeito que a pessoa quer quer seja. 

Foto retirada de Arquivo Pessoal

E assim, você se vê presa e dependente emocionalmente em uma relação que só te puxa para o abismo. Carmen demorou um tempo para entender que estava em uma relação abusiva. O medo a paralisava. Não conhecia ninguém que tivesse vivido isso em uma relação homoafetiva. E, para seu desespero, os amigos tentaram te falar, mas a cegueira imposta por essa relação tóxica, a impedia de ver. 

Carmem conseguiu entender isso, até escrever o livro e se ver livre dessa "prisão". Ficaram marcas de uma relação que poderia ter terminado pior. Hoje ela consegue externar seus sentimentos e conseguimos vir isso no livro. De uma delicadeza e sensibilidade, de uma forma que nos faz repensar nossas relações e nosso convívio com o outro. 

O livro me deixou pensativa e ao mesmo tempo em choque. É sempre importante observar aquele laço que nos mantem unidos. E se conselho fosse bom, a gente não daria, mas uma coisa que aprendi na vida, ao longo dos meus quase 36 anos, se a relação afetiva te deixa ansiosa, apreensiva e insegura, repense, pois viver assim não é algo normal. 

Eu indico o livro de olhos fechados, e se você for sensível a esse tema, leia com calma e se atente aos seus limites. 

*Livro cedido em parceria com a Editora. 

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Título: Na casa dos sonhos
Autor: Carmen Maria Machado
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 360

Sinopse: Ao expor a história de seu relacionamento com uma mulher encantadora, mas também volátil e abusiva, Carmen Maria Machado traça um arco narrativo que vai desde o início cheio de promessas até o final difícil e confuso, que deixa marcas impossíveis de ignorar.
Carmen se apaixonou por uma mulher que parecia maravilhosa – elas fazem sexo, viajam juntas, conhecem as respectivas famílias –, mas que acaba se tornando opressiva e aterrorizante, apesar de ainda sedutora. Embora seja difícil resistir ao charme da companheira, a autora cada vez mais se dá conta de que os limites autoimpostos – aquelas balizas que fazem dela a pessoa que quer ser – estão sendo ignorados.
A casa dos sonhos deveria ser um lugar de felicidade e acolhimento, mas como é possível entender a transformação dela em assombro e violência? Em vez de traçar seu passado de forma linear, Carmem Maria Machado o fragmenta para alcançar o maior efeito possível na pessoa que lê, criando um mergulho emocional ao mesmo tempo angustiante e belo.
Neste livro de memórias ousado e brutal, Machado examina um relacionamento abusivo através de sua percepção pessoal, mas também por um viés cultural e sociológico. Ao registrar sua experiência de sexualidade queer e violência psicológica íntima, a autora chama ao palco personagens largamente marginalizados e esquecidos pela história que, invisíveis na narrativa coletiva, encontram ainda mais dificuldade para entender o significado de seus próprios sentimentos.

1 de agosto de 2021

{Resenha} Notas sobre o luto

 Hoje a resenha é sobre o livro "Notas sobre o luto" de Chimamanda Ngozi Adichie. 

Foto retirada de Arquivo Pessoal

Eu sou muito fã da escrita da Chimamanda, ela consegue te prender em um capítulo, fazendo com que você avance na leitura, sem perceber que o livro acabou. E com esse livro não é diferente. 

Escrito depois de vivenciar a perda do pai, no meio da pandemia, conseguimos sentir a dor e a tristeza nas palavras da escritora. Podemos entender o que as relações no nosso convívio social e familiar é importante, principalmente em um momento que não podíamos estar tão próximo. Sabemos que a Covid-19 fez muitas vítimas, aqui no Brasil são quase 550 mil mortes e o quanto o luto nesse caso não existiu, você não poder se despedir do seu ente querido é muito doloroso. 

Foto retirada de Arquivo Pessoal

E apesar do pai da Chimamanda não ter sido vítima do Covid, a dor de não vivenciar o luto é a mesma, porque ainda não podemos ter um funeral como antes e a despedida necessária para amenizar a dor da partida. 

Seu pai foi um exemplo para a família e para o país, participou e sobreviveu a uma Guerra, a de Biafra, foi professor durante sua vida inteiro e incentivou os filhos a estudarem e mudarem o curso da história, era o fã número um de sua filha escritora. Foi um marido e pai extraordinário, por isso a sua partida foi um choque para a família. 

Um livro que faz a gente repensar sobre a vida e sobre as nossas relações. Chimamanda nos faz refletir nesse quesito, fazendo muitas correlações da correria da vida e do fato de morar longe de seus pais, aumentar ainda mais a dor da ausência. 

Foto retirada de Arquivo Pessoal

E, não tem como não se emocionar nessa leitura. Um livro que faz você sentir a perda da autora. Eu li super rápido, em um final de semana, porque a escrita da Chimamanda é muito envolvente, então, vem embarcar nessa leitura, que você vai se emocionar também. 

*e-book cedido em parceria com a Editora. 

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Título: Notas sobre o luto
Autor: Chimamanda Ngozi Adichie
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 94

Sinopse: Escrito por uma das maiores vozes da literatura contemporânea, esse livro é um relato não apenas sobre a morte de um pai amado, mas também sobre a memória e a esperança que permanecem com aqueles que ficam.
Escrito após a morte do pai de Chimamanda Ngozi Adichie em junho de 2020, durante a pandemia de covid-19 que mantinha distante a família Adichie, Notas sobre o luto é um poderoso relato sobre a imensurável dor da perda e as lembranças e resiliência trazidas por ela. Consciente de ser uma entre milhões de pessoas sofrendo naquele momento, a autora se debruça não só sobre as dimensões familiares e culturais do luto, mas também sobre a solidão e a raiva inerentes a ele.

Com uma linguagem precisa e detalhes devastadores em cada capítulo, Chimamanda junta a própria experiência com a morte de seu pai às lembranças da vida de um homem forte e honrado, sobrevivente da Guerra de Biafra, professor de longa carreira, marido leal e pai exemplar.

Em poucas páginas, Notas sobre o luto é um livro imprescindível, que nos conecta com o mundo atual e investiga uma das experiências mais universais do ser humano. “Era tão próxima do meu pai que sabia sem querer saber, sem saber inteiramente o que sabia. Uma coisa dessas, temida durante tanto tempo, finalmente chega, e na avalanche de emoções vem também um alívio amargo e insuportável. Esse alívio se torna uma forma de agressão, e traz consigo pensamentos estranhamente insistentes. Inimigos, atenção: o pior aconteceu. Meu pai se foi. Minha loucura agora vai se revelar.”


27 de maio de 2021

{Resenha} Três Irmãs

Hoje a resenha é sobre o livro "Três Irmãs" de Jung Chang. 

Foto retirada de Arquivo Pessoal

Eu confesso que quando recebi esse livro, não sabia do que se tratava. Como assim, a história de três irmãs, chinesas que foram tão importantes para o contexto atual da China. 

E nessa história, vamos conhecer as irmãs Soong, sendo Ei-ling, Ching-ling e May-ling. E cada uma teve um papel importante para a história da China moderna. Ei-ling sendo a irmã mais velha, foi para os EUA ainda jovem estudar. Naquela época era muito difícil mulheres estudarem na China e o pai e a mãe das meninas não mediram esforços para fazer com que as três estudassem e voltassem para a China, para fazer história. 

Ei-ling era a irmã mais centrada, pouco falava e trabalhou diretamente com Sun Yet-San, por quem tinha grande admiração. Sun fez história e conseguiu se tornar o pai da China, pioneiro da revolução republicana que derrubou a monarquia, em 1911.

As três irmãs voltaram dos EUA com o inglês fluente, o que ajudou na comunicação de ambas tanto com o governo americano da época, quanto com os outros países e políticos. 

Sun, enquanto ficou a frente do partido e chegou a ser presidente por um dia da China e tinha um aliado importante, Chiang Kai-shek. A irmã mais nova caiu nas graças de Chiang e eles acabaram se casando. May-ling se tornou a mulher mais famosa de sua época, enquanto o marido liderava a a resistência contra a invasão japonesa. 

Foto retirada de Arquivo Pessoal

Chiang foi uma peça importante na politíca do país e com a irmã mais nova sempre ao seu lado. Chiang liderou a China moderna e May-ling se tornou a Madame Chiang. 

Ei-ling não se deixou envolver por Sun, e quem caiu em suas graças foi a irmã do meio, Ching-ling, que não só casou com Sun, como quando o mesmo veio a falecer se tornou a irmã Vermelha e vice-presidente da China, quando Mao assumiu o poder em 1949.

Além das três irmãs, a família Song também tinha mais 3 irmãos homens, que fizeram parte da história, nos bastidores. 

Eu confesso que não conhecia a história dessas mulheres, pequeninas de tamanho, mas grandes de conhecimento e auto controle. Foram mulheres importantes para a época e conseguiram transpor barreiras para fazer parte da história. Elas fizeram questão em não desgarrar de suas raízes e lutaram bravamente pela China, cada qual a seu modo. 

Uma biografia marcante, que podemos vislumbrar um pouco da história da China, um país tão grande e tão cheio de problemas. Eu gostei bastante da leitura e de tudo que aprendi com esse livro. Estava esperando uma história menos importante, e tudo que essas três mulheres fizeram é impressionante. 

Foto retirada de Arquivo Pessoal

Eu já falei que gosto bastante de biografias, né? E esse foi mais uma dentro das que eu li e gostei bastante. Se você não leu ou não conhece a história dessas três irmãs, vem conhecer. Você não irá se arrepender. 

*Livro cedido em parceria com a Editora. 


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Título: Três irmãs
Autor: Jung Chang
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 392

Sinopse: Uma amava dinheiro, uma amava o poder e uma amava a China. Nesta biografia épica, a autora de Cisnes selvagens narra a vida das irmãs que mudaram a história de um país em ebulição.
O mais conhecido conto de fadas chinês moderno é a história das irmãs Soong, cujas vidas se estenderam do fim do século XIX ao início do século XXI. A Irmã Mais Velha, Ei-ling, casou-se com o homem mais rico da China, H. H. Kung. A Irmã Vermelha, Ching-ling, foi a companheira de Sun Yat-sen, pai fundador da China moderna e seu primeiro presidente. E a Irmã Mais Nova, May-ling, se tornaria a ambiciosa Madame Chiang Kai-shek, esposa do líder da República da China.
Em cem anos de guerras e revoluções constantes, as irmãs Soong estiveram no centro das mudanças do país e deixaram uma marca indelével na história chinesa. Elas desfrutaram privilégios e glórias, mas também se envolveram em disputas perigosas ― inclusive entre si. Neste épico de amor, guerra, exílio, intriga, glamour e traição, Jung Chang entrelaça os acontecimentos da China do século XX à vida de três mulheres inesquecíveis.
Fruto de uma pesquisa meticulosa, Três irmãs é uma leitura fascinante. ― The New York Times Book Review
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