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14 de maio de 2023

{Resenha} Carcereiros

Hoje a resenha é sobre o livro "Carcereiros" de Drauzio Varella. 

Foto retirada de Arquivo Pessoal

Eu li alguns livros do Dr. Drauzio e sempre me encanto com a sua narrativa. Acho que toda a história dele dentro do Carandiru fez com que ele crescesse mais como pessoa e como profissional. 

Ele mesmo traz experiências relacionadas a sua evolução e o seu crescimento, como pessoa, o tornando mais empático as questões relacionada ao outro. E nesse livro não é diferente. Drauzio traz a narrativa dos funcionários que trabalharam e deram a vida pelo Carandiru. 

E foram muitos homens que cresceram e desejavam estar naquela posição de carcereiros. Alguns queriam ser policiais e como não conseguiram passar no concurso, acabaram entrando na Administração Penitenciária. 

O que nos chama mais atenção é que esses homens não recebiam treinamento, não eram auxiliados pelos colegas mais antigos. Já chegavam e tinham que assumir o posto de trabalho. Muitos não sabiam nem o que fazer diante de mais de mil homens cumprindo sua pena. 

As histórias vão nos impactando, a medida que a leitura avança. Alguns são pegos pelo sistema, que não costuma deixar quieto, quem se envolve no crime. Outros não sabem lidar bem quando o Carandiru vem abaixo. 

As condições de trabalho também não ajudam, pois muitas das vezes são condições insalubres, as vezes eles tem que contar consigo mesmos. 

Quando o Carandiru foi demolido, esses trabalhadores foram transferidos para outras penitenciárias, o que os deixou bem infelizes. Quando deram o veredicto de que o Carandiru deveria mesmo não existir mais, os carcereiros junto com o Dr. Drauzio combinaram de se encontrar de tempos em tempos para colocar a conversa em dia e assim manter o laço que criaram nos tempos dos pavilhões. Esses encontros são mantidos até os tempos atuais e faz com que eles mantenham a saúde mental depois de tudo que viveram nos corredores do Carandiru. 

A leitura não necessariamente é fácil, nos leva para um momento de reflexão. São tantas vidas envolvidas e sabemos que o tratamento do Estado aos funcionários públicos não é dos melhores. Esses homens são testados todos os dias, e não recebem se quer um apoio psicológico. Acredito que o fardo e os traumas seriam menores se pelo menos fosse investido nisso, mas sabemos que as condições ainda são muito precárias. Fica aí uma reflexão! 

Se você não leu nenhum livro, leia! Vale tanto a pena. Não tem como não se envolver com as histórias e com a vida de cada trabalhador. Eu só posso dizer que leiam e não percam mais tempo. 

*Audiolivro cedido em parceria com a Editora. 

Onde ComprarCarcereiros

Título: Carcereiros
Autor:  Drauzio Varella
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 232

Sinopse: Depois do best-seller Estação Carandiru, Drauzio Varella volta ao universo das prisões para mostrar ao leitor o outro lado da moeda: o cotidiano dos agentes carcerários. Livro que inspirou a série da Rede Globo.
Em Estação Carandiru, que desde 1999 teve mais de 500 mil exemplares vendidos, Drauzio Varella focou seu corajoso relato na população carcerária de um dos presídios mais violentos do Brasil. Mas os vinte e três anos atuando em presídios brasileiros como médico voluntário também o aproximaram do outro lado da moeda: as centenas de agentes penitenciários que, trabalhando sob condições rigorosas e muitas vezes colocando a vida em risco, administram essa população.
Foi com um grupo desses agentes que Drauzio passou a se reunir depois das longas jornadas de trabalho, em um botequim de frente para o Carandiru. E essa convivência pôs o autor em contato com os relatos narrados em Carcereiros, segundo volume da trilogia iniciada por Estação Carandiru - o terceiro livro, Prisioneiras, terá como ponto de partida o trabalho do médico na Penitenciária Feminina da Capital.
Acompanhamos, assim, uma rebelião pelos olhos de quem tenta contê-la. A descoberta de que um colega está do lado dos bandidos. Um momento de solidariedade, outro de egoísmo. Um ato heroico e outro de covardia. Entramos em contato com o cotidiano dos carcereiros e as situações desconcertantes impostas pelo ofício, que eles resolvem com jogo de cintura e, não raramente, com humor.
O que emerge é um retrato franco de um mundo totalmente desconhecido para quem está de fora, que também inspirou a série homônima exibida pela Rede Globo em 2018. Drauzio fala também de sua própria atividade como médico do sistema penitenciário: das frustrações, dos acertos e, sobretudo, da dificuldade em conciliar uma vida tão imersa nesta realidade com a de médico particular, apresentador de programas de divulgação científica, pesquisador de plantas, escritor e pai de família.
Se há algo de comum a essas vidas - carcereiros, médico, detentos -, é a dimensão humana que nunca escapa aos relatos do autor.

8 de janeiro de 2023

{Resenha} Estação Carandiru

 Hoje a resenha é sobre o livro "Estação Carandiru" de Drauzio Varella. 

Foto retirada de Arquivo Pessoal

Esse é um daqueles livros que você espera muito tempo para ler e quando o faz fica se perguntando porque não leu antes. E foi essa sensação que tive, quando terminei essa leitura. 

Dr. Drauzio Varella é médico, oncologista, pesquisador e cientista brasileiro. Se formou na Universidade de São Paulo e começou a trabalhar em hospitais da cidade metropolitana. Drauzio foi um dos pioneiros no estudo da AIDS principalmente do Sarcoma de Kaposi. Em 1989, início um trabalho no presídio do Carandiru investigando a prevalência do vírus HIV nos detentos. Até 2002, ano em que o Carandiru foi desativado, trabalhou como médico voluntário. 

E é como voluntário que o Dr. nos relata as histórias de tantos anos trabalhados no maior presídio do Brasil, com uma média de sete mil presos, sendo divididos por Pavilhões. Só no Pavilhão 9, onde ficavam os réus primários ou que aguardavam o julgamento, tinha uma média de 2700 presos. 

A princípio Drauzio nos explica como são divididos os pavilhões dentro do Carandiru e como os presos eram separados. E a partir disso, Drauzio começa a dar pequenas palestras sobre a disseminação do vírus HIV através do consumo de Cocaína injetável. Assim, começa a ser procurado pelos próprios presos com sintomas que seriam já o início de AIDS. 

A medida que começa os atendimentos, o Dr. vai se aproximando das histórias desses presos e a partir daí começa a contá-las no livro. São histórias que nos fazem repensar, que nos fazem analisar e entender até certo ponto como esses presos chegaram até ali. Tem história envolvendo vingança, morte passional, e até mesmo tráfico de drogas, mas o Dr. não estava ali para julgar aqueles homens e sim atendê-los de uma forma mais humanizada. 

Muitas das vezes, Drauzio não tinha exames de imagens e nem medicamentos para tratar as doenças, porque a burocracia para se solicitar era tanta que quando chegavam as autorizações, muitos presos já haviam vindo a óbito. 

Drauzio narra, muitas das histórias são contadas por presos que estão em seus últimos dias, por conta das doenças oportunistas e também da própria Tuberculose, que assolava muitos presos dentro dos pavilhões. Conhecendo o código-penal da cadeia, que muitas vezes era bem pior do que o dado pela Justiça. 

Eu confesso que amei o livro, fiquei curiosa para assistir novamente o filme de mesmo nome que é inspirado no livro. Algumas histórias me deixaram perplexas, outras só empática. O dia do massacre foi narrado também e nos deixa pensativos sobre o papel da polícia e sua responsabilização por tantas mortes. 

Eu já estou curiosa para as outras leituras do mesmo seguimento do Dr. Drauzio. 

Se você não leu esse livro, leia. Não perca mais tempo e faça essa leitura que irá te surpreender de um nível muito alto. 

*Audiolivro cedido em parceria com a Editora. 

Onde ComprarEstação Carandiru

Título: Estação Carandiru
Autor:  Drauzio Varella
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 302

SinopseO médico Drauzio Varella relata dez anos de atendimento voluntário na Casa de Detenção de São Paulo, o maior presídio do Brasil, e mostra como um código penal não-escrito organizava o comportamento da população carcerária.
Em 1989, o médico Drauzio Varella iniciou na Detenção um trabalho voluntário de prevenção à AIDS. Entre os mais de 7200 presos, conheceu pessoas como Mário Cachorro, Roberto Carlos, Sem-Chance, seu Jeremias, Alfinete, Filósofo, Loreta e seu Luís. Não importava a pena a que tinham sido condenados, todos seguiam um rígido código penal não escrito, criado pela própria população carcerária. Contrariá-lo poderia equivaler à morte.
O relato de Drauzio Varella neste livro tem as tonalidades da experiência pessoal: não busca denunciar um sistema prisional antiquado e desumano; expressa uma disposição para tratar com as pessoas caso a caso, mesmo em condições nada propícias à manifestação da individualidade.
Lançado em 1999 e transformado em filme em 2003, por Hector Babenco, Estação Carandiru recebeu o Prêmio Jabuti 2000 de livro do ano e, desde então, já vendeu centenas de milhares de exemplares.
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