Mostrando postagens com marcador não-ficção. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador não-ficção. Mostrar todas as postagens

20 de fevereiro de 2025

{Resenha} Mentes que amam demais

Hoje a resenha é sobre o livro "Mentes que amam demais: o jeito Borderline de ser" de Ana Beatriz Barbosa Silva. 

Foto retirada de Arquivo Pessoal

Eu li esse livro por indicação de uma amiga. Já tinha lido um outro livro muito famoso da Dra. Ana, "Mentes Perigosas", e amei a forma como ela explica a doença/transtorno. Apesar de ser um tema bem difícil e complexo, A Dra. consegue deixar de uma forma leve a leitura. 

E para quem ainda não conhece nada sobre o Transtorno de Personalidade Borderline, pode começar por esse livro. As vezes, você está se relacionando ou se relacionou com uma pessoa impulsiva, que faz de tudo para ficar junto, que não aceita o fim, que ameaça se matar se você simplesmente querer ir embora dessa relação, entre tantas outras características. A autora vai esmiuçando esse transtorno que para muitas pessoas que convivem ou que conhecem alguém que tem, pode ser bem doloroso. 

Eu confesso que fiquei bem pensativa ao terminar a leitura. É uma leitura fluida, você consegue ler rápido, mas ao mesmo tempo é uma leitura para você analisar e, ao mesmo tempo entender as alterações de personalidades. E ainda mais sabendo que o transtorno não tem cura, mas que pode ser controlado através de tratamento medicamentoso e terapia. 

E por falar em terapia, se fosse acessível a todos, o mundo estaria menos adoecido. Mas, isso não é um tema para abordarmos nesse momento. 

O que eu posso falar é que a Dra. Ana nos traz fatos e estudos que nos fazem questionar se até nós mesmos não temos algum transtorno de personalidade. E, de um modo geral, o livro vai tirar dúvidas e dar exemplos bem claros até de como lidar com pessoas com o transtorno. Você pode estar morando com uma pessoa Borderline e não ter ideia. 

Eu fiquei bem impactada com a leitura e a indico de olhos fechados. Inclusive, fiquei com muita curiosidade para ler os outros livros da Dra. Ana. Agora, se você não leu nenhum, vem ler, porque você não vai se arrepender e aproveita e vem me falar o que achou depois. 

Onde ComprarAmazon

Título: Mentes que amam demais: o jeito Borderline de ser
Autor: Ana Beatriz Barbosa Silva
Editora: Principium
Páginas: 240

SinopseTodos podemos sofrer uma explosão momentânea de raiva, tristeza, teimosia, instabilidade, teimosia, instabilidade de humor, ciúmes intensos, desespero, descontrole emocional, medo da rejeição. Mas quando comportamentos como esses se tornam frequentes, intensos e persistentes, acabam por dificultar a adaptação do indivíduo ao seu ambiente social e familiar.


Nesses casos, podemos estar diante de um quadro bastante complexo, instável e desorganizado, denominado Transtorno de Personalidade Borderline (TPB). Os borderlines apresentam tal hiperatividade emocional e afetiva que suas vidas parecem uma infinita montanha-russa sobre a qual não têm qualquer controle racional. Borderline é um termo em inglês que significa fronteira ou margem e denomina o comportamento disfuncional de pessoas que vivem no limite de suas emoções.

Segundo dados da Associação Americana de Psiquiatria (APA) e da Organização Mundial de Saúde (OMS), dez em cada cem pacientes ambulatoriais que buscam tratamento psicológico e psiquiátrico para algum sintoma disfuncional possuem Transtorno de Personalidade Borderline.

Em linguagem acessível, a Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva apresenta as principais características e disfuncionalidades do transtorno borderline. Propõe, ainda, novas alternativas para que essas pessoas lidem melhor com suas relações afetivas e mostra, por meio de exemplos claros e verídicos, o que esse tipo de funcionamento mental pode causar à vida de uma pessoa, com repercussões na sua vida pessoal e profissional.

25 de dezembro de 2024

{Resenha} O pior dos crimes

Hoje a resenha é sobre o livro "O pior dos crimes: A história do assassinato de Isabella Nardoni" de Rogério Pagnan.

Foto retirada de Arquivo Pessoal

Eu estava com esse livro na estante parado há muito tempo. Apesar de ver a série e ler outros livros sobre o tema, essa é uma história que não tem como a gente não se compadecer. 

O Rogério é um jornalista, que fez a cobertura a fundo de tudo o que aconteceu naquele fatídico dia que uma criança apareceu caída no jardim do prédio, na zona norte de São Paulo. 

Ao decorrer da leitura, podemos perceber que o autor traça um paralelo da investigação que está sendo feita pela polícia e pela sua própria investigação. Foram anos dedicados na investigação, entrevista de pessoas que estavam ligados diretamente a denúncia. 

Eu fiquei meio passada com as descobertas da investigação e o quanto a gente coloca em xeque o que foi apresentado pelos procuradores e pela justiça. 

E ao acompanhar toda a investigação, ficamos repensando muitas coisas, até mesmo que os Nardoni poderiam não ter feito aquilo, não serem culpados de fato. A ideia de julgamento, primeiro pelo público e pela imprensa, fica muito claro nas páginas do livro. Eu sei que se fosse hoje, teríamos outras provas para analisar, afinal, estamos falando do ano de 2008.

Rogério inclusive faz um paralelo de vida do Alexandre e da Ana Carolina, como se conheceram e resolveram ficar juntos, o nascimento dos filhos. A relação das famílias com os genitores. A relação da ex, também Ana Carolina, com o Alexandre e a madrasta. Isso tudo é narrado, antes de entrar de fato no dia do crime e no que foi revelado ao longo de todo o processo criminal. 

Eu até achei meio tendencioso ao final da leitura, como se a todo momento o autor quisesse achar outros culpados ou que a justiça tinha sido injusta nesse caso. E apesar de tudo que foi colocado, apesar de ser uma história que envolva uma criança e que os culpados nunca confessaram, fica difícil acreditar que eles não estão envolvidos. 

Eu acredito que todos tenham que ler para chegar as suas próprias conclusões. Eu li e gostei. E acredito que no fim, o Rogério estava fazendo seu trabalho enquanto jornalista, tentou ser parcial e mostrar o outro lado, por isso vale a leitura. 

Onde ComprarAmazon

Título: O pior dos crimes: A história do assassinato de Isabella Nardoni
Autor: Rogério Pagnan
Editora: Record
Páginas: 336

SinopseA história completa do assassinato que chocou o Brasil Construído em ritmo de thriller, O pior dos crimes esmiúça o trágico caso que conseguiu estarrecer a opinião pública de um país rotineiramente violento. Em 29 de março de 2008, Isabella, de 5 anos, foi atirada ainda com vida pela janela do sexto andar do apartamento do pai, Alexandre Nardoni, e da madrasta, Anna Carolina Jatobá, na zona norte da capital paulista, e morreu pouco depois de chegar ao hospital. O que se seguiu foi uma investigação e um processo repletos de pistas mal perseguidas, depoimentos de suspeitos com “pegadinhas”, uso de informações falsas, pressões indevidas para a obtenção de confissões, perícias criminais deficientes e um Ministério Público empolgado com os holofotes. Se o caso Nardoni representou ou não um erro judicial, se houve elementos suficientes para uma condenação “acima de qualquer dúvida razoável”, o leitor será capaz de dizer a partir da leitura deste instigante livro-reportagem.

"Este livro, construído em ritmo de thriller, merece ser lido por todos que se interessam por investigação policial, sistema judicial, crime e castigo. Um dos mais importantes repórteres policiais de sua geração, Rogério Pagnan não se contentou em detalhar o trágico caso que, por inúmeras características, conseguiu estarrecer a opinião pública de um país rotineiramente violento. O autor foi além, enfrentando questões urgentes e ainda pouco debatidas no Brasil a respeito da natureza e dos limites de um processo judicial, o que torna esta obra, desde já, imprescindível no campo do Direito. Aqui estão expostos os vícios que alimentam uma engrenagem burocrática investigatória abaixo das necessidades de um país com seus 60 mil homicídios ao ano: pistas mal perseguidas, depoimentos de suspeitos com “pegadinhas”, uso de informações falsas, pressões indevidas para a obtenção de confissões, perícias criminais deficientes, um Ministério Público empolgado com os holofotes, dúvidas transformadas em certezas. Embora, vale dizer, não sejam características restritas ao Brasil, são ingredientes de uma receita destinada a produzir processos frágeis e cheios de dúvidas. Mas, se o caso Nardoni de fato representou ou não um erro judicial, se houve elementos suficientes para uma condenação “acima de qualquer dúvida razoável”, como se espera no desfecho de qualquer acusação, o leitor poderá dizer a partir da leitura deste instigante livro-reportagem. Pagnan demonstra o que sempre se espera dos grandes repórteres em quaisquer circunstâncias: cético sem ser cínico, afirmativo sem ser leviano, ágil sem ser superficial. Sua exaustiva pesquisa sobre detalhes do processo, contrapondo argumentos da acusação e da defesa, produziu uma peça da mais alta qualidade e mais alto interesse jornalísticos. Obra que deveria servir de reflexão para todos que, de uma forma ou de outra, no curso de suas vidas profissionais, como policiais, promotores, juízes e jornalistas, acabam tendo que lidar com episódios dramáticos como a morte brutal da menina Isabella Nardoni." (Rubens Valente, jornalista)

10 de novembro de 2024

{Resenha} Tina Turner: Minha história de amor

Hoje a resenha é sobre o livro "Tina Turner: minha história de amor" de Tina Turner.

Foto retirada de Arquivo Pessoal

Eu comprei esse livro na Bienal desse ano. Adoro biografias e estava muito curiosa em ler a biografia dessa grande mulher. 

A Tina começou a cantar e encantar o mundo muito cedo, foi só abrir a boca para todos ao seu redor entender que ela era uma cantora brilhante, mas só mais adulta que ela vê que poderia se tornar uma estrela, quando conhece Ike Turner. 

Tina acaba se casando e ficando grávida de Ike. Ela já tinha um filho de um namorado que teve na adolescência e acabou juntando os filhos de Ike, que são dois, para criar e cuidar. Todos meninos, Tina se vê em uma relação com quatro crianças e um homem controlador. 

Aos poucos percebe que ela também pode cantar sozinha e até recebe alguns convites, mas à medida que ela começa a desabrochar, Ike se torna mais violento e passa a não deixar Tina nem sair mais sozinha. Ela sofre todo o tipo de abuso e só consegue se ver livre dessa relação depois de anos. 

O livro traz toda essa história conturbada de Tina e o quanto ela teve que sofrer e se reerguer para conseguir mostrar o seu valor sem estar à sombra de um homem. Tina relata toda a sua trajetória até o encontro de um novo amor, quando ela já não acreditava. 

O livro aborda muitos temas difíceis, nem dá para acreditar que a Tina passou por tanta coisa e que hoje é essa mulher forte e potente, mas a custo de tantas violências. Tina aborda o quanto ela passou pelo racismo e como fez para tentar minimizar o impacto em sua vida e de sua família. Lembrando que ela vem de uma época que nos Estados Unidos ainda havia segregação e isso faz com que a história fique um pouco mais tensa e difícil. 

A escrita da Tina é fluída e a leitura corre super bem.

A história é linda e podemos ver que há um final feliz, mas é uma leitura difícil, que traz alguns gatilhos, principalmente sobre violência contra a mulher. Então, leia com cautela. 

Eu indico de olhos fechados. Vem conhecer a história dessa mulher maravilhosa. Você não vai se arrepender. 

Onde ComprarAmazon


Título: Tina Turner: minha história de amor
Autor: Tina Turner
Editora: BestSeller
Páginas: 224
SinopseTina Turner - a rainha do rock ‘n’ roll e lenda viva - fala sobre sua ilustre carreira e sua vida pessoal conturbada neste livro de memórias revelador. Desde a infância em Nutbush, Tennessee, até sua ascensão à fama ao lado de Ike Turner e depois o sucesso fenomenal na década de 1980 e além, Tina examina abertamente sua história pessoal, desde suas horas mais sombrias até seus momentos mais felizes. Minha história de amor é uma história explosiva e inspiradora de uma mulher que se atreveu a quebrar todas as barreiras colocadas em seu caminho, colocando em páginas a mistura de força, energia, coração e alma que é a marca registrada de Tina. Suas memórias são fascinantes e emocionantes como qualquer um de seus maiores sucessos.

29 de julho de 2024

{Resenha} A mulher em mim

 Hoje a resenha é sobre o livro "A melhor em mim" de Britney Spears. 

Foto retirada de Arquivo Pessoal

Eu estava muito curiosa para ler esse livro, porque quando era adolescente acompanhei a trajetória da Britney, o seu sucesso e depois o seu declínio. 

Britney era uma menina muito talentosa e ela sabia disso. Logo na infância ela conhece tanta gente que ao longo dos anos viram adultos famosos e cada um segue o seu caminho. Quando começou a cantar e a fazer participações em festivais, sabia que poderia ganhar o mundo. Ela só não imaginava que o sucesso viria tão cedo e que as cobranças em cima disso também. 

Já adolescente ela fala da forma como o pai tratava o irmão mais velho, o quanto ele era exigente, sabendo que o menino ainda era um adolescente. Sua mãe sempre foi subserviente, com medo de sofrer represália desse homem toda a vez que ele voltava bêbado para casa e acabava descontando na mãe e nas crianças. 

A cadeia de violência fica muito nítido nesse livro, quando o seu pai sofria nas mãos de seu avô. Entendemos esse ciclo e o quanto ela tentou sair dessa cadeia que foi montada para que ela caísse e não conseguisse se levantar. 

A Britney sentiu a cobrança da imprensa sobre suas atitudes e o modo como se vestia desde cedo. Após o seu relacionamento com Justin Timberlake, se viu cobrada de uma postura que ela não entendia na época, foi colocada e vista como uma moça pura e virgem e ao se ver sendo julgada pelo que fazia com o namorado, ela se desestabilizou. E depois que seu relacionamento acabou, Britney se viu em um limbo, de tristeza, depressão e dificuldade para enxergar o que a vida ainda podia proporcionar. 

Ao longo da leitura, não tem como não sentir empatia pela autora. Britney sofre todo tipo de difamação, de perseguição e publicações que tinham um cunho sexista e muitas vezes machista. E o fato de seu pai se aproveitar disso, para depois controlá-la de uma forma que nem ela imaginava. 

Eu gostei bastante da leitura. A Britney narra de uma forma sentida e ao mesmo tempo visceral. Ela fez de tudo para proteger os seus filhos, ela sonhava em ser mãe, ter condições de cuidar deles e preservar sua família. Na adolescência ela sofria ataques que não entendia e hoje entendemos como o mundo da fama funciona. 

Eu indico a leitura para todo mundo, acho importante ouvir o lado de uma pessoa que por anos foi silenciada. Então, se você não leu! Leia. Vale a pena conhecer a história dessa mulher que foi ícone e marcou a história na sua época. 

Onde ComprarAmazon

Título: A mulher em mim
Autor: Britney Spears
Editora: Buzz
Páginas: 280

SinopseA mulher em mim é uma história corajosa e surpreendentemente comovente sobre liberdade, fama, maternidade, sobrevivência, fé e esperança. Em junho de 2021, o mundo inteiro ouvia Britney Spears falar, publicamente, em uma corte perante uma juíza. O impacto ao compartilhar a sua voz ― a sua verdade ― foi inegável e mudou o curso tanto de sua vida como a de inúmeras outras pessoas. A mulher em mim revela pela primeira vez a incrível jornada e a força interior de uma das maiores artistas da história da música pop. Extraordinariamente escrita de forma sincera, direta e humorada, a inovadora autobiografia de Britney Spears esclarece o poder duradouro da música e do amor ― e a importância de uma mulher contar a sua própria história, em seus próprios termos, finalmente.

30 de junho de 2024

{Resenha} Aurora: O despertar da mulher exausta

Hoje a resenha é sobre o livro "Aurora: o despertar da mulher exausta" de Marcela Ceribelli. 

Foto retirada de Arquivo Pessoal

E desde que eu comecei a ouvir o Podcast "Bom dia, Obvious" com a própria Marcela, fiquei muito curiosa em ler o seu livro. Ela sempre comentava no podcast e assim tive que investir nessa leitura. 

O livro aborda diversos temas com os quais nos deparamos no dia-a-dia e ainda assim a gente dá pouco valor. A autora vai intercalando questões com as quais passou e convidadas que abordam temas relacionado a busca por um ideal de relacionamento, ansiedades, mundo coorporativo e tantos outros temas que muitas vezes nos tiram o sono e nos deixam inquietas. 

Alguns pontos do livro me chamaram a atenção, como o fato de estarmos exaustas, sim a exaustão chegou para nós mulheres que somos auto suficientes e supostamente temos que dar conta de tudo. Está aí uma grande mentira. Não temos e não precisamos nos sentir obrigadas a dar conta de tudo, porque não somos mulheres maravilhas, como a sociedade gosta de nos pintar. A Marcela conta que já passou por um processo de bornout, por estar trabalhando incessantemente e ainda assim ter que dar conta da casa e do relacionamento.

Outro ponto importante que ela aborda e eu até comprei o livro da autora, é a questão da busca que temos por relacionamento e o quanto esperamos ser escolhidas. Valeska Zanello é pesquisadora da área de Saúde mental e gênero da Universidade de Brasília e ela nos apresenta a Prateleira do Amor. Muitas de nós reclamamos que depois de uma certa idade, ficou mais difícil conhecer pessoas disponíveis e dispostas e em festas, você acaba se deparando com mulheres jovens com homens da sua idade, isso nada mais é do que o padrão de escolha dentro de relacionamentos heteronormativos. 

No livro a Marcela relata que a luta pela sobrevivência social e pelo encontro de afeto faz com que muitas mulheres se sintam obrigadas a representar um papel de "boa", pois não basta você ser escolhida, você precisa manter esse relacionamento. 

Essa questão é tão interessante que me vi pesquisando sobre isso e ao andar no meu círculo social comecei a prestar atenção nas mulheres que estão solteiras e os homens que estão dentro de relacionamento. Dentro da era digital, se você for sincera, se cuidar e inteligente, mas ao mesmo tempo com mais 35 anos, a dificuldade em conhecer alguém será bem maior, se não for uma mulher padrão, branca e novinha. Esse é o topo da prateleira. E vale muito a pena ler também o livro da Valeska. 

Além disso, a Marcela envolve outros temas, e eu amei a leitura. Acredito que refletir sobre esses pontos nos faz analisar a forma como queremos ser tratadas e com quem queremos andar. E assim, caminha a humanidade. 

Se você não leu o livro da Marcela, vai ler! Acredito que não irá se arrepender.  

Onde ComprarAmazon

Título: Aurora: o despertar da mulher exausta
Autor: Marcela Ceribelli
Editora: Harper Collins
Páginas: 288

SinopseEntre paranoias, medos, desejos e ânsias do dia a dia, a criadora da comunidade Obvious, Marcela Ceribelli, convida mulheres a se libertarem de amarras sociais e refletirem sobre tudo aquilo que as impede de encontrarem sua melhor versão e serem felizes. Acordar preocupada com as tarefas do dia. Otimizar a ida ao trabalho ouvindo notícias ou respondendo e-mails. Almoçar correndo pra ganhar tempo. E tudo isso sendo linda, bem-sucedida e gentil. Sorridente. Pra quem mesmo? Da criadora da Obvious, comunidade com mais de 1 milhão de seguidores no Instagram, e do podcast Bom dia, Obvious, Aurora é um convite a todas as mulheres que estão exaustas das demandas que elas mesmas e a sociedade fazem sobre suas carreiras, seus relacionamentos, seus corpos, suas personalidades. Com o humor inteligente que lhe é peculiar e muita empatia, Marcela Ceribelli intercala relatos de experiências pessoais com estudos científicos e comentários de especialistas das mais diversas áreas (como psicologia, moda, saúde e artes), investigando as origens das expectativas que recaem sobre as mulheres e apontando caminhos para um despertar mais amoroso. O que você pode fazer pela sua felicidade hoje?

28 de janeiro de 2024

{Resenha} Em busca de mim

Hoje a resenha é sobre o livro "Em busca de mim" de Viola Davis. 

Foto retirada de Arquivo Pessoal

E não tem como não vir aqui enaltecer a vida dessa mulher que cresceu em um mundo ainda dividido, que sofria racismo todos os dias, que viveu na pobreza por muitos anos e que conseguiu vencer na vida. 

A vida da Viola não foi fácil, já na escola ela sentia na pele pelo simples fato de ser uma negra retinta. Em uma casa que tinha mais 4 irmãos, eles tentam sobreviver a fome, ao frio, aos abusos psicológicos e físicos, a violência e a sociedade que ainda julgava bastante.

Viola começa a entender que quer ser alguma coisa quando se empenha no curso de teatro na escola, ela acredita que pode ser uma atriz e não imagina o tanto que vai caminhar para conseguir o sucesso de hoje. 

A escrita do livro é fluida, mesmo sabendo que não é uma leitura leve. A gente fica sentida com tudo que a Viola criança passa até se tornar essa adulta tão casca grossa e forte. Sabemos que o racismo é cruel e deixa marcas profundas nas pessoas negras. Viola relata o que viveu e mesmo após ser uma renomada atriz, ainda se via a margem, esperando um papel que a fizesse angariar mais coisas na carreira. Ela fala sobre a importância da terapia e o quanto ela precisa revisitar seu eu de oito anos para tentar ir para frente e evoluir como a mulher de vinte e trinta anos.

O quanto é sentida e tocante a fala da Viola. Em nenhum momento ela se coloca como vitima, muito pelo contrário, ela tenta passar a ideia de que é forte, mas ainda assim, não podemos deixar de falar da solidão da mulher negra. Viola namorou sete anos com um cara que não estava nem aí para ela. No dia que ela entendeu que ele só estava cumprindo um papel bem mau feito, ela aprendeu a andar só. E  depois de muito tempo se abriu de novo para o amor e encontrou o parceiro de vida. 

Eu achei muito linda a história da Viola. Esse foi um livro que ganhei de aniversário e que eu me perguntei porque demorei tanto para ler. 

Viola é uma grande atriz, uma mulher espetacular, uma mãe potente mas acima de tudo é uma mulher que sabe se impor e sabe o seu valor. Sabe que o racismo corre pelas beiradas, mas ainda assim ela não se intimida e vai para cima dessa indústria má e bruta, que acha que só porque a mulher não é padrão e linda não merece espaço. E a beleza tem tantas nuances, não é mesmo?! 

A nossa protagonista provou por a+b que ela é uma atriz muito boa e merece sim todos os papéis. 

Então, você está esperando o que para ler essa biografia, garanto que você não vai se arrepender. 


Onde ComprarAmazon

Título: Em busca de mim
Autor: Viola Davis
Editora: BestSeller
Páginas: 266

Sinopse:A internacionalmente aclamada atriz Viola Davis narra em sua biografia, Em busca de mim, tudo o que viveu desde a infância difícil até o estrelato. Nesta biografia você vai conhecer uma garotinha chamada Viola, que fugia de seu passado até tomar a transformadora decisão de parar de fugir para sempre.
Em busca de mim conta a minha história, de um apartamento caindo aos pedaços na cidade de Central Falls, em Rhode Island, para os palcos de Nova York e além. Este é o caminho que percorri em busca de propósito e força, mas também para me fazer ser ouvida em um mundo que não me percebia.
Enquanto escrevia Em busca de mim, pensei no quanto nossas histórias nem sempre recebem a devida atenção. São reinventadas para serem encaixadas em um mundo louco, competitivo e crítico. Escrevi este livro para aqueles que se sentem excluídos, que estão em busca de uma forma de entender e superar um passado complicado e encontrar autoaceitação no lugar da vergonha.
Escrevi para quem precisa se lembrar de que a vida só vale a pena ser vivida se a encararmos com honestidade radical e coragem de abandonar as máscaras e apenas ser... você.
Em busca de mim é uma reflexão profunda, uma promessa e uma declaração de amor a mim mesma. Espero que minha história o inspire a revolucionar sua vida de forma criativa e a redescobrir quem você era antes que o mundo tentasse defini-lo.
“Desde a primeira página fica evidente que Viola Davis trará um relato muito mais íntimo e visceral do que a maioria das biografias de celebridades; Em busca de mim passa a sensação de que estamos frente a frente com Viola, conversando sobre sua vida, dificuldades e tudo mais.” - USA Today
“Uma narrativa de tribulações e sucesso... A belíssima escrita de Viola vai inspirar a todos que desejam se livrar de antigos rótulos.” - Los Angeles Times




24 de dezembro de 2023

{Resenha} Estranhos a nós mesmos: histórias de mentes instáveis

Hoje a resenha é sobre o livro "Estranhos a nós mesmos" de Rachel Aviv. 

Foto retirada de Arquivo Pessoal

A aclamada jornalista Rachel nos traz 4 casos clínicos que vão nos fazer tentar entender um pouco e ter empatia sobre o que é a saúde mental, como ela era tratada no mundo em meados do século XX e como ainda podemos ter tanta dificuldade de entender a forma como esse paciente vive e é tratado perante a sociedade. 

Rachel vai abordando a sua história de vida para assim adentrar na vida das quatro pessoas citadas no livro e de Hava, uma adolescente que entrou em contato com Rachel enquanto ela estava internada em um hospital, aos 6 anos de idade com um quadro de anorexia. Ela não se enxergava doente, mas de alguma maneira, ela parou de comer e foi diagnosticada precocemente com a anorexia. A forma como lidaram com o diagnóstico moldou o processo de desenvolvimento e vida adulta da autora, e ela aborda isso muito bem no livro. 

Além disso, vamos conhecer a história de Ray, um médico super renomado na área, que já não consegue operar e se vê internado em um hospital psiquiátrico tendo que lidar com a sua depressão, a psicanalise como forma única terapêutica e sem nenhum tipo de medicação associada. Bapu, uma brâmane que se vê deixando a sua família após um diagnóstico precoce de esquizofrenia,  para seguir uma vida acética. Naomi, que acha que pode salvar o mundo do racismo e num ato de psicose comete algo grave que vai impactar nos cuidados com os filhos. E por último, Laura, uma mulher da alta sociedade, que tem acesso a todo tipo de tratamento e se apega nisso para manter o uso da medicalização, até se vê totalmente dependente e abandonar esse tratamento. 

E um caso que também a autora comenta, mas que não foi abordado de uma maneira profunda, é o de Hava, uma adolescente que entre idas e vindas a internação por anorexia e depois bulimia, se vê sozinha no mundo e só com o apoio do pai. 

Em todos os casos, nós conseguimos notar uma particularidade única, o quão complexo é o cuidado em saúde mental e isso se dá em todas as classes sociais. A saúde mental, em cada caso é abordada de um jeito, mas o que podemos notar é que o paciente sempre fica em segundo plano. A ideia de se utilizar a medicalização só foi aceita após anos investindo somente na psicanalise. Analistas achavam que o paciente encontraria o seu insight e se veria curado. O Ray foi um caso desses nos EUA e o que ficou provado era que dependendo do caso, a medicação é muito importante para tratar o fator psiquiátrico e as reações neuroquímicas. 

A autora aborda vários temas difíceis e importantes para a gente refletir como: psicanálise, psicofarmacologia, questão social e o manejo desses tratamentos a longo prazo. Como o sistema de saúde das cidades não estão preparadas e o efeito colateral desses medicamentos a longo prazo. Esses efeitos colaterais podem impactar no cotidiano do paciente e prejudicá-lo na vida adulta e idosa, inclusive. A leitura te traz muitos questionamentos, a forma como a saúde mental ainda é vista, o uso abusivo de psicotrópicos como uma forma de conter o paciente, o deixando o menos funcional possível. A utilização de métodos, que hoje são questionáveis, como: o eletrochoque. E a terapia associada a medicação, que pode sim ser algo bom para as pessoas que possuem esse acesso mais facilmente. 

Eu adorei a leitura. Acredito que deveria ser uma leitura obrigatória sobre os pontos vulneráveis quando falamos em saúde mental. A Rachel aborda de uma maneira tão sensível e tão fluida que não tem como você não correr para ler o livro inteiro. 

Eu amei o livro, amei a leitura. Então, vocês estão esperando o que para ler?

*Livro cedido em parceria com a Editora

Onde ComprarCompanhia das Letras

Título: Estranhos a nós mesmos: histórias de mentes instáveis
Autor: Rachel Aviv
Editora: Zahar
Páginas: 304

Sinopse: Neste premiado livro de estreia, a aclamada jornalista Rachel Aviv levanta questões fundamentais sobre como nos entendemos em momentos de crise e angústia. Movida por um profundo senso de empatia e por sua própria experiência de viver em uma ala hospitalar aos seis anos de idade, diagnosticada com anorexia, ela recupera a trajetória de pessoas que se depararam com os limites das explicações psiquiátricas sobre quem são.
Entre elas, um homem dividido entre as interpretações dominantes no século XX para seu quadro depressivo; uma brâmane tida como esquizofrênica que fugiu da família para seguir uma vida ascética; uma mulher negra e encarcerada, mais uma vítima do racismo em seu país, lutando pelo perdão dos filhos após se recuperar de uma psicose; uma jovem abastada que, depois de uma década se definindo por seu diagnóstico de bipolaridade, decide parar de tomar os remédios porque não sabe mais quem é sem eles.
Com uma escrita envolvente, que embala um minucioso trabalho de reportagem e pesquisa médica, Estranhos a nós mesmos questiona como as histórias que contamos sobre transtornos mentais moldam seu percurso em nossas vidas -- e também nossas identidades.

8 de outubro de 2023

{Resenha} Mindhunter Profile 2: Mundo Serial Killers

Hoje a resenha é sobre o livro "Mindhunter Profile 2: Mundo Serial Killers" de Robert K. Ressler e Tom Shachtman. 

Foto retirada de Arquivo Pessoal

Eu não tive dúvidas de que seria uma ótima leitura e só vim aqui enaltecer esse livro eletrizante. Robert aposentou da FBI, mas ainda ajuda alguns amigos a desvendar crimes bárbaros. 

E ele começa a aplicar os mesmos protocolos que se iniciaram lá no FBI e a gente vai relembrando alguns casos que foram desvendados com a ajuda de Robert. 

A leitura é bem fluida e a narrativa vai nos instigando para querer entender o que está acontecendo e como o caso foi concluído. 

As investigações vão ocorrer no Japão, na África do Sul, Reino Unido e Estados Unidos. O caso do Japão me deixou bem intrigada, porque era uma família inteira e seguindo a linha de raciocínio do autor, a gente vai montando o quebra cabeça. O da África do Sul também me deixou intrigada, porque não aceitaram muito bem o apoio de um americano e o assassino matou muito mais gente porque não ligaram os pontos antes. 

Além disso, temos uma entrevista exclusiva com John Gacy, que tem resenha já aqui no blog e do Jeff Dahmer, que também tem resenha aqui. E conseguimos ver como eles são disfuncionais e insensíveis. Eu fiquei meio chocada e não tem como não ficar revoltada. 

Eu adorei a leitura. Eu adoro esse tipo de livro, fico extasiada e vem mil coisas na minha cabeça. Não é uma leitura fácil para quem é sensível porque o livro detalha as mortes, narra parte por parte, o que fica bem complicado de acompanhar se você é mega sensível. 

Eu já tinha lido o primeiro e o segundo não deixou nada a desejar. Se tiver o terceiro eu já quero também Caveirinha, por favor, lembre de mim rs. 

Então, vocês estão esperando o que para ler essa belezura?

*Livro cedido pela Editora. 

Onde ComprarDarkSide Books

Título: Mindhunter Profile 2: Mundo Serial Killers
Autor:  Robert K. Ressler e Tom Shachtman
Editora: DarkSide Books
Páginas: 352

Sinopse: O selo Crime Scene, da DarkSide® Books, é dedicado a investigar os crimes reais. Desse modo, busca responder perguntas como estas: de que forma surgiu o método de investigação de serial killers usado atualmente? Quem foram os responsáveis por desenvolver as ferramentas que permitem aos investigadores aprenderem e lidarem cada vez melhor com a prevenção ao crime e a resolução de assassinatos brutais? Uma dessas pessoas é Robert K. Ressler. Novamente em parceria com Tom Shachtman, ele dá continuidade ao tema em Mindhunter Profile 2: Mundo Serial Killer, e conta sobre seu período após deixar o FBI. Se no primeiro livro os autores revelam o desenvolvimento do método para traçar perfis psicológicos dos assassinos seriais, agora, neste segundo volume, o leitor encontra a aplicação desses protocolos de investigação pelo mundo inteiro. Ressler é a principal inspiração do personagem Bill Tench, da série de televisão Mindhunter, e seu parceiro, John E. Douglas, foi a base para Holden Ford. Mindhunter Profile 2: Mundo Serial Killer conduz o leitor, ao lado de Ressler, por investigações no Japão, África do Sul, Reino Unido e Estados Unidos, além de trazer as entrevistas com dois dos mais cruéis assassinos seriais dos EUA: John William Gacy e Jeffrey Dahmer. O texto dinâmico e informativo de Ressler e Shachtman apresenta ao leitor a compreensão dos protocolos do FBI, da polícia e da ciência comportamental, além de mostrar a aplicação prática de técnicas inovadoras que surgem com a finalidade de gerar mais pistas para as investigações. Como na citação de José Martí que os autores usam de epígrafe, em Mindhunter Profile 2: Mundo Serial Killer o leitor faz uma visita ao interior das mentes e dos corações desses monstros com um guia que os conhece muito bem














24 de setembro de 2023

{Resenha} Prisioneiras

 Hoje a resenha é sobre o livro "Prisioneiras" de Drauzio Varella. 

Foto retirada de Arquivo Pessoal

Esse é o terceiro livro da série sobre o sistema penitenciário brasileiro e confesso que já me senti órfã. O Drauzio escreve de uma forma tão clara e fluida, que quando você termina a leitura, se sente sozinha e desamparada rs.

Nesse livro, vamos conhecer a história de algumas mulheres que se embrenharam no mundo do crime, sejam elas jovens ou senhoras, fazendo parte do tráfico ou apenas servindo de ponte para o companheiro que também estava em alguma penitenciária do Estado. 

Ler esse livro, me fez ter muitas reflexões, até mesmo sobre o nosso sistema penitenciário e a forma como as pessoas são presas e simplesmente trancafiadas, sem perspectivas de sair do local na qual estão, abandonando suas famílias, filhos e até mesmo namorado ou marido, que consequentemente também estão presos. 

O que mais chama a minha atenção e até a do Dr., é o fato de a maioria das mulheres já serem multíparas com menos de trinta anos. 

Outra informação interessante e muito revoltante é que como a maioria ali está presa porque ajudou o companheiro, seja levando drogas nas visitas íntimas, seja participando de assalto ou até mesmo do tráfico. Esse mesmos companheiros, que se diziam tão apaixonados, acabam abandonando suas mulheres quando elas mais precisam e muitas ainda perdem o contato com a família e os filhos, fazendo com que passem os anos extremamente sozinhas. 

A leitura é um tapa na cara de muita gente, não tem como não questionar como é hoje o sistema penitenciário brasileiro. O Dr. Drauzio crítica muito e não temos como não pensar sobre isso. E, muitos são presos e ficam anos nas detenções sem ao menos ter um julgamento mínimo, não se há investimento na ressocialização e essas pessoas saem das prisões, mesmo que tenham cumprido suas penas, saem sem perspectivas ou qualquer ajuda do governo, fazendo com que voltem para o crime. 

Isso é algo que precisa ser revisto e analisado. Eu só posso dizer que adorei a leitura dessa trilogia. Foi muito importante para entender melhor como é dentro do sistema penitenciário e o quanto isso impacta no país. 

Então, vocês estão esperando o que para ler essa belezura?

Onde ComprarCompanhia das Letras

Título: Prisioneiras
Autor:  Drauzio Varella
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 296

Sinopse: Na sequência de Estação Carandiru e Carcereiros, o último volume da aclamada trilogia de Drauzio Varella sobre o sistema carcerário brasileiro. O trabalho de Drauzio Varella como médico voluntário em penitenciárias começou em 1989, na extinta Casa de Detenção de São Paulo, o Carandiru. Os anos de clínica e as histórias dos presos, dos funcionários e da própria cadeia seriam retratados nos aclamados livros Estação Carandiru (1999) e Carcereiros (2014). Em 2017, Drauzio encerra sua trilogia literária sobre o sistema carcerário brasileiro com Prisioneiras. Alçando as mulheres encarceradas a protagonistas, o médico rememora os últimos onze anos de atendimento na Penitenciária Feminina da Capital, que abriga mais de duas mil detentas. São histórias de mulheres que não raro entram para o crime por conta de seus parceiros - inclusive tentando levar drogas aos companheiros nas penitenciárias masculinas em dias de visita -, porém que são esquecidas quando estão atrás das grades. As famílias conseguem tolerar um encarcerado, mas não uma mãe, irmã, filha ou esposa na cadeia. No ambiente carcerário feminino, há elementos comuns às penitenciárias masculinas. Assim como no Carandiru, um código de leis não escrito rege as prisioneiras; o Primeiro Comando da Capital (PCC) está presente e mostra sua força através das mulheres que integram a facção; e a relação entre aquelas que habitam as cadeias não é menos complexa. As casas de detenção femininas, no entanto, guardam suas particularidades -- diferenças às quais o médico paulistano dedica atenção especial em sua narrativa. Desde a dinâmica dos atendimentos e a escassez de visitas até os relacionamentos entre as presas, fica nítido que a realidade das prisões escapa ao imaginário de quem vive fora delas. Prisioneiras é um relato franco, sem julgamentos morais, que não perde o senso crítico em relação às mazelas da sociedade brasileira. Nesse encerramento de ciclo, Drauzio Varella reafirma seu talento de escritor do cotidiano, retratando sua experiência e a vida dessas mulheres com a mesma disposição, coragem e sensibilidade que empreendeu ao iniciar seu trabalho nas prisões há quase três décadas.





21 de maio de 2023

{Resenha} O mal que nos habita

 Hoje a resenha é sobre o livro "O mal que nos habita" de Gwen Adshead e Eileen Horne.

Foto retirada de Arquivo Pessoal

Eu recebi esse livro e já fiquei empolgada para ler. A Dra. Gwen é uma psiquiatra e psicoterapeuta forense. Atuou muitos anos nos hospitais de custódia e presídios do Reino Unido e tem uma experiência muito grande atendendo e tentando compreender um pouco do que é a mente humana. 

E o que conseguimos ler é um livro voltado para o atendimento, sem julgamento, e a reabilitação de criminosos que cometeram crimes que vão muito além do que conseguimos imaginar. A Dra. Gwen vai descrevendo, em onze casos, o que cada preso ou presa falou e como isso pode reverberar para as suas vidas dentro do presídio ou dos hospitais de custódia. 

A gente fala tanto na reabilitação de presos, na reinserção de presos dentro da comunidade, mas quando se pensa em criminosos violentos, não conseguimos nem imaginar essas pessoas de volta a comunidade. E, é isso que as autoras tentam desmistificar, quando elas compartilham a história e a luta diária dessas pessoas de tentar se colocar dentro do próprio hospital ou inseridos novamente na sociedade. O que a gente não imagina é que essas pessoas que cometeram crimes que nos chocam também passam por dores e traumas, o que não justifica a violência, mas acaba contextualizando tudo o que eles narram e vivenciam no dia-a-dia. 

Eu confesso que fiquei bem mexida com as narrativas e como a Dra. Gwen lidou com as histórias. A gente acompanha casos de abuso de criança até assassinatos de pais e o quão interessante é o trabalho dela, de fazer com que essa pessoa fale, da suas dores, dos seus traumas, da violência gerada através do ato cometido e como aquilo pode ser transformado.  

Gwen tem o cuidado de tratar os pacientes/presos como seres humanos, livres de julgamento e ou tratamento preconceituoso. Está ali para tentar lidar com o sofrimento psíquico e trazer essa pessoa para o que aconteceu, como aconteceu e para o hoje. 

Eu gostei bastante da leitura, achei a forma como a autora narra os fatos bem tranquilo, mesmo sendo histórias que podem conter conteúdo violento e ser difícil para quem é mais sensível. Outro fator importante é a reflexão sobre esses criminosos, e o quanto esse trabalho é importante para o paciente atendido. 

E se todos tivessem acesso a esse tipo de abordagem, será que diminuiria o número de crimes bárbaros? Está aí uma reflexão que eu me faço e deixo para vocês pensarem também. 

Se houver outros livros da Doutora, eu quero muito ler, porque achei muito interessante esse método utilizado. Se você não leu esse lançamento, leia, porque vale muito a pena!

*Livro cedido em parceria com a Editora. 

Onde ComprarCompanhia das Letras

Título: O mal que nos Habita
Autor:  Gwen Adshead e Eileen Horne
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 392

Sinopse: Bem-vindo ao consultório de uma das principais psiquiatras e psicoterapeutas forenses do Reino Unido. O mal que nos habita questiona nosso entendimento sobre crueldade e violência e reflete sobre nossas possibilidades de empatia, mudança e redenção.
O que leva uma pessoa a cometer um ato de violência? Em O mal que nos habita, a psiquiatra e psicoterapeuta forense Gwen Adshead, que acumula mais de três décadas de experiência atendendo em hospitais de custódia e presídios, une-se à escritora Eileen Horne para oferecer uma perspectiva original sobre a mente humana a partir de onze casos reais.
São retratos que revelam toda a nossa profundidade e complexidade -- e a aptidão de uma profissional em lidar com temas que permanecem tabus. Ao acompanharmos os processos terapêuticos -- cujos desfechos vão da esperança ao desespero e da negação à reabilitação --, entendemos o que a crueldade significa para cada um desses personagens. Conforme a dra. Adshead destrincha traumas e motivações, fica evidente como a autopercepção dessas pessoas pode mudar quando elas passam a ser vistas além dos rótulos de "maléficas" ou "diabólicas" e conseguem conhecer melhor sua mente e assumir a responsabilidade por seus atos.

14 de maio de 2023

{Resenha} Carcereiros

Hoje a resenha é sobre o livro "Carcereiros" de Drauzio Varella. 

Foto retirada de Arquivo Pessoal

Eu li alguns livros do Dr. Drauzio e sempre me encanto com a sua narrativa. Acho que toda a história dele dentro do Carandiru fez com que ele crescesse mais como pessoa e como profissional. 

Ele mesmo traz experiências relacionadas a sua evolução e o seu crescimento, como pessoa, o tornando mais empático as questões relacionada ao outro. E nesse livro não é diferente. Drauzio traz a narrativa dos funcionários que trabalharam e deram a vida pelo Carandiru. 

E foram muitos homens que cresceram e desejavam estar naquela posição de carcereiros. Alguns queriam ser policiais e como não conseguiram passar no concurso, acabaram entrando na Administração Penitenciária. 

O que nos chama mais atenção é que esses homens não recebiam treinamento, não eram auxiliados pelos colegas mais antigos. Já chegavam e tinham que assumir o posto de trabalho. Muitos não sabiam nem o que fazer diante de mais de mil homens cumprindo sua pena. 

As histórias vão nos impactando, a medida que a leitura avança. Alguns são pegos pelo sistema, que não costuma deixar quieto, quem se envolve no crime. Outros não sabem lidar bem quando o Carandiru vem abaixo. 

As condições de trabalho também não ajudam, pois muitas das vezes são condições insalubres, as vezes eles tem que contar consigo mesmos. 

Quando o Carandiru foi demolido, esses trabalhadores foram transferidos para outras penitenciárias, o que os deixou bem infelizes. Quando deram o veredicto de que o Carandiru deveria mesmo não existir mais, os carcereiros junto com o Dr. Drauzio combinaram de se encontrar de tempos em tempos para colocar a conversa em dia e assim manter o laço que criaram nos tempos dos pavilhões. Esses encontros são mantidos até os tempos atuais e faz com que eles mantenham a saúde mental depois de tudo que viveram nos corredores do Carandiru. 

A leitura não necessariamente é fácil, nos leva para um momento de reflexão. São tantas vidas envolvidas e sabemos que o tratamento do Estado aos funcionários públicos não é dos melhores. Esses homens são testados todos os dias, e não recebem se quer um apoio psicológico. Acredito que o fardo e os traumas seriam menores se pelo menos fosse investido nisso, mas sabemos que as condições ainda são muito precárias. Fica aí uma reflexão! 

Se você não leu nenhum livro, leia! Vale tanto a pena. Não tem como não se envolver com as histórias e com a vida de cada trabalhador. Eu só posso dizer que leiam e não percam mais tempo. 

*Audiolivro cedido em parceria com a Editora. 

Onde ComprarCarcereiros

Título: Carcereiros
Autor:  Drauzio Varella
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 232

Sinopse: Depois do best-seller Estação Carandiru, Drauzio Varella volta ao universo das prisões para mostrar ao leitor o outro lado da moeda: o cotidiano dos agentes carcerários. Livro que inspirou a série da Rede Globo.
Em Estação Carandiru, que desde 1999 teve mais de 500 mil exemplares vendidos, Drauzio Varella focou seu corajoso relato na população carcerária de um dos presídios mais violentos do Brasil. Mas os vinte e três anos atuando em presídios brasileiros como médico voluntário também o aproximaram do outro lado da moeda: as centenas de agentes penitenciários que, trabalhando sob condições rigorosas e muitas vezes colocando a vida em risco, administram essa população.
Foi com um grupo desses agentes que Drauzio passou a se reunir depois das longas jornadas de trabalho, em um botequim de frente para o Carandiru. E essa convivência pôs o autor em contato com os relatos narrados em Carcereiros, segundo volume da trilogia iniciada por Estação Carandiru - o terceiro livro, Prisioneiras, terá como ponto de partida o trabalho do médico na Penitenciária Feminina da Capital.
Acompanhamos, assim, uma rebelião pelos olhos de quem tenta contê-la. A descoberta de que um colega está do lado dos bandidos. Um momento de solidariedade, outro de egoísmo. Um ato heroico e outro de covardia. Entramos em contato com o cotidiano dos carcereiros e as situações desconcertantes impostas pelo ofício, que eles resolvem com jogo de cintura e, não raramente, com humor.
O que emerge é um retrato franco de um mundo totalmente desconhecido para quem está de fora, que também inspirou a série homônima exibida pela Rede Globo em 2018. Drauzio fala também de sua própria atividade como médico do sistema penitenciário: das frustrações, dos acertos e, sobretudo, da dificuldade em conciliar uma vida tão imersa nesta realidade com a de médico particular, apresentador de programas de divulgação científica, pesquisador de plantas, escritor e pai de família.
Se há algo de comum a essas vidas - carcereiros, médico, detentos -, é a dimensão humana que nunca escapa aos relatos do autor.

8 de janeiro de 2023

{Resenha} Estação Carandiru

 Hoje a resenha é sobre o livro "Estação Carandiru" de Drauzio Varella. 

Foto retirada de Arquivo Pessoal

Esse é um daqueles livros que você espera muito tempo para ler e quando o faz fica se perguntando porque não leu antes. E foi essa sensação que tive, quando terminei essa leitura. 

Dr. Drauzio Varella é médico, oncologista, pesquisador e cientista brasileiro. Se formou na Universidade de São Paulo e começou a trabalhar em hospitais da cidade metropolitana. Drauzio foi um dos pioneiros no estudo da AIDS principalmente do Sarcoma de Kaposi. Em 1989, início um trabalho no presídio do Carandiru investigando a prevalência do vírus HIV nos detentos. Até 2002, ano em que o Carandiru foi desativado, trabalhou como médico voluntário. 

E é como voluntário que o Dr. nos relata as histórias de tantos anos trabalhados no maior presídio do Brasil, com uma média de sete mil presos, sendo divididos por Pavilhões. Só no Pavilhão 9, onde ficavam os réus primários ou que aguardavam o julgamento, tinha uma média de 2700 presos. 

A princípio Drauzio nos explica como são divididos os pavilhões dentro do Carandiru e como os presos eram separados. E a partir disso, Drauzio começa a dar pequenas palestras sobre a disseminação do vírus HIV através do consumo de Cocaína injetável. Assim, começa a ser procurado pelos próprios presos com sintomas que seriam já o início de AIDS. 

A medida que começa os atendimentos, o Dr. vai se aproximando das histórias desses presos e a partir daí começa a contá-las no livro. São histórias que nos fazem repensar, que nos fazem analisar e entender até certo ponto como esses presos chegaram até ali. Tem história envolvendo vingança, morte passional, e até mesmo tráfico de drogas, mas o Dr. não estava ali para julgar aqueles homens e sim atendê-los de uma forma mais humanizada. 

Muitas das vezes, Drauzio não tinha exames de imagens e nem medicamentos para tratar as doenças, porque a burocracia para se solicitar era tanta que quando chegavam as autorizações, muitos presos já haviam vindo a óbito. 

Drauzio narra, muitas das histórias são contadas por presos que estão em seus últimos dias, por conta das doenças oportunistas e também da própria Tuberculose, que assolava muitos presos dentro dos pavilhões. Conhecendo o código-penal da cadeia, que muitas vezes era bem pior do que o dado pela Justiça. 

Eu confesso que amei o livro, fiquei curiosa para assistir novamente o filme de mesmo nome que é inspirado no livro. Algumas histórias me deixaram perplexas, outras só empática. O dia do massacre foi narrado também e nos deixa pensativos sobre o papel da polícia e sua responsabilização por tantas mortes. 

Eu já estou curiosa para as outras leituras do mesmo seguimento do Dr. Drauzio. 

Se você não leu esse livro, leia. Não perca mais tempo e faça essa leitura que irá te surpreender de um nível muito alto. 

*Audiolivro cedido em parceria com a Editora. 

Onde ComprarEstação Carandiru

Título: Estação Carandiru
Autor:  Drauzio Varella
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 302

SinopseO médico Drauzio Varella relata dez anos de atendimento voluntário na Casa de Detenção de São Paulo, o maior presídio do Brasil, e mostra como um código penal não-escrito organizava o comportamento da população carcerária.
Em 1989, o médico Drauzio Varella iniciou na Detenção um trabalho voluntário de prevenção à AIDS. Entre os mais de 7200 presos, conheceu pessoas como Mário Cachorro, Roberto Carlos, Sem-Chance, seu Jeremias, Alfinete, Filósofo, Loreta e seu Luís. Não importava a pena a que tinham sido condenados, todos seguiam um rígido código penal não escrito, criado pela própria população carcerária. Contrariá-lo poderia equivaler à morte.
O relato de Drauzio Varella neste livro tem as tonalidades da experiência pessoal: não busca denunciar um sistema prisional antiquado e desumano; expressa uma disposição para tratar com as pessoas caso a caso, mesmo em condições nada propícias à manifestação da individualidade.
Lançado em 1999 e transformado em filme em 2003, por Hector Babenco, Estação Carandiru recebeu o Prêmio Jabuti 2000 de livro do ano e, desde então, já vendeu centenas de milhares de exemplares.

4 de setembro de 2022

{Resenha} Fabulosas: Histórias de um Brasil LGBTQIAP+

Hoje a resenha é sobre o livro "Fabulosas: Histórias de um Brasil LGBTQIAP+" de Patrick Cassimiro. 

Foto retirada de Arquivo Pessoal

Quando eu recebi esse livro da editora fiquei bem feliz, pois achei bem interessante conhecer toda a trajetória das pessoas LGBTQIAP+ e a evolução da causa ao longo dos anos aqui no Brasil. 

Sabemos que nunca foi fácil assumir que se era homossexual. Muitos artistas, inclusive, demoraram bastante para sair do armário (como alguns mesmos disseram). E o quanto isso traz questionamentos da população, sempre julgando ou querendo intervir na vida pessoal daquela pessoa.

O Patrick faz uma retrospectiva desde de 1500 até os dias atuais. Vamos conhecer, ao longo da leitura,  várias pessoas que foram importantes para a luta da causa, alguns conhecidos, outros desconhecidos, mas todos importantes para que hoje as pessoas LGBTQIAP+ tenham o direito de se casar no civil, possam adotar uma criança, possam andar na rua sem se sentir ameaçados, mesmo sabendo que ainda hoje há muito risco. 

Eu gostei bastante da leitura, gostei de lembrar de quando era ainda a sigla GLS. Nossa, como o tempo passa, as coisas vão evoluindo, vamos compreendendo melhor o que quer dizer cada letra e o que representa dentro da comunidade. Essa apropriação é muito importante e essa pauta ela tem que ser discutida em todos os espaços e nas escolas. 

E por isso essa leitura se faz tão necessária e importante. Eu adorei a diagramação e a forma como ele foi escrito. Espero que chegue há muitas famílias, que ele seja mais inclusivo e que gere bastante discussão. 

Agora vamos lá, vocês estão esperando o que para fazer essa leitura maravilhosa? Venham, e depois me contem o que acharam. 

*Livro cedido em parceria com a Editora. 

Onde ComprarCompanhia das Letras

Título: Fabulosas: Histórias de um Brasil LGBTQIAP+
Autor:  Patrick Cassimiro
Editora: Paralela
Páginas: 336

SinopseFabulosas conta as histórias de mais de trinta pessoas LGBTQIAP+ que deixaram e deixam uma marca no Brasil, por meio de sua arte, sua vida e sua luta. Os leitores vão conhecer personagens fascinantes e descobrir peculiaridades como o percurso enfrentado até o primeiro beijo gay na TV brasileira e o significado dos principais termos do pajubá.
Você certamente já ouviu falar de Laerte. E de Caio Fernando Abreu, de Marielle Franco, de Linn da Quebrada. Mas e Felipa de Souza? E Luiz Delgado? Muito antes de os movimentos LGBTQIAP+ se articularem e conseguirem suas primeiras vitórias, já havia brasileires lutando pelo direito de viver sua sexualidade e seu gênero de maneira livre. Desde então, esses personagens só aumentam – e suas conquistas também.
Fabulosas é uma homenagem à comunidade LGBTQIAP+ brasileira e uma celebração da vida de todes que ajudam a construir essa história – e não nos deixam esquecer toda a luta que enfrentaram para chegar e permanecer aqui.
"Com uma escrita leve e pessoal, Patrick nos convida a relembrar e celebrar personalidades LGBTQIAP+ que construíram nosso caminho até aqui. Um resgate histórico emocionante que vai arrancar sorrisos e lágrimas de seus leitores."
– Felipe Cabral, autor de O primeiro beijo de Romeu e criador do perfil Eu leio LGBT.


8 de março de 2022

{Resenha} Lula

Hoje a resenha é sobre o livro "Lula - Biografia" de Fernando Morais. 

Foto retirada de Arquivo Pessoal

E nessa biografia, o autor irá abordar as diversas facetas do ex-Presidente do Brasil. Um nome que ficou conhecido por ser um dos maiores líderes do Sindicalismo no Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva teve seu nome estampado em várias capas de jornais e revistas, depois que foi deflagrado um dos maiores esquemas de corrupção de sua era, o famoso Mensalão. 

Lula chegou a ser condenado pelo ex-Juiz e hoje candidato a presidência do Brasil: Sergio Moro. Lula sempre alegou inocência e depois de suas condenações serem retiradas pelo Ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin, se tornou um dos maiores nomes para brigar pela presidência ao lado do atual presidente Jair Bolsonaro.

O livro é um apanhado de toda a história do Lula, desde a sua saída com a família de Pernambuco, com sua mãe e seus irmãos. A vida sofrida em São Bernardo do Campo. A passagem pelas metalurgicas e a sua liderança em um dos maiores sindicatos da época. 

Lula conquistou seguidores, que acreditavam na sua força e na preleção. Ele conseguiu dobrar patrão e até mesmo o delegado do Dops, em plena ditadura militar. E até mesmo quando ele foi perseguido e preso, conseguiu se sobressair e lutar pelo trabalhador. 

Foto retirada de Arquivo Pessoal

A fundação do Partido dos Trabalhadores foi um passo largo, no sentido da política, que deu um respiro para a sua luta. Conseguimos identificar a sua força política já no início de sua carreira como metalúrgico. 

Lula era um homem que queria muita coisa e quase perdeu o gosto pela vida quando perdeu seu primeiro amor, sua esposa e seu filho natimorto. O nosso protagonista conseguiu dar a volta por cima, conheceu Marisa, casou novamente e foi um casamento feliz. 

O nosso autor consegue deixar a leitura bem fluida, o que faz com que nós não larguemos a leitura. Eu sempre acho que biografia leva um tempo a mais para leitura, pois tem muito fator histórico, mas esse primeiro volume não deixa nada a desejar. Eu adorei a leitura. Confesso que já estou curiosa para o segundo volume e espero que não demore tanto. 

Vem embarcar comigo na história desse homem que fez história no Brasil. 

*Livro cedido em parceria com a Editora.

Onde ComprarCompanhia das Letras

Título: Lula
Autor: Fernando Morais
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 416    

SinopseA primeira – e aguardada – biografia de vulto de Luiz Inácio Lula da Silva.
Para além de juízos ou paixões, Lula está entre as maiores figuras políticas da história brasileira. Único presidente do país com origens operárias, e campo magnético de um partido profundamente original em suas raízes, exerceu o poder carismático e a influência de modo mais duradouro que qualquer outro homem público no período republicano, salvo talvez Getúlio Vargas - com quem também compartilha a virulência dos adversários.
Desde 2011, Fernando Morais ganhou acesso direto, franco e frequente a Lula. A essas dezenas de horas de depoimentos, somou o faro de repórter e a prosa cativante para compor projeto biográfico que traz um painel do personagem em toda sua grandeza e complexidade.
Em narrativa que faz uso de recuos e avanços cronológicos para manter um ritmo eletrizante, neste primeiro volume Morais vai da infância de Lula até o anulamento de suas condenações, em 2021 – passando pelo novo sindicalismo, as greves do ABC, a fundação do PT e a primeira campanha eleitoral.


5 de novembro de 2021

{Resenha} Killer Clown Profile: Retrato de um Assassino

 Hoje a resenha é sobre o livro Killer Clown Profile: Retrato de um Assassino de Terry Sullivan e Peter Maiken.

Foto retirada de Arquivo Pessoal

Quando eu era criança, sempre ouvia que um palhaço iria me pegar e me matar, vivia com medo desse tipo de personagem, só não imaginaria nem nos meus piores sonhos, que existia um palhaço e que ele matou mais de 30 jovens. 

John Wayne Gacy era um empresário de sucesso, um amigo para todos os momentos, um chefe inquestionável e um assassino incontestável. 
Frio, calculista e manipulador, John oferecia emprego, bebidas, drogas e dinheiro extra se eles fizessem as coisas sórdidas que ele queria, na maioria das vezes eram desejos sexuais. E o mais impressionante, é que acuados, esses jovens cediam, não sabendo que estavam propensos a nunca mais voltar para os seus lares, com vida. 

Foto retirada de Arquivo Pessoal

Gacy passava despercebido, porque conseguiu enganar a todos, inclusive a Polícia. Chegou a ser preso, e foi solto logo em seguida. Casou, teve filho, fazia voluntariado vestido de palhaço, viveu uma vida completamente normal, exceto pelo fato de ter corpos enterrados no vão da sua casa. Os mesmos corpos que ele violentava e matava. Os jovens tinham sonhos, muitos namoravam, eram filhos amorosos e responsáveis. 

Os autores desse livro, trazem de uma forma clara e fluida desde a investigação inicial até a sua condenação no tribunal. 
Os assassinatos aconteceram na década de 70 e ainda chocam os E.U.A. e o mundo. John teve um lar disfuncional, saiu de casa e chegou a casa duas vezes, mas tinha dificuldade em aceitar a sua homossexualidade. Naquela época, era ainda muito pior que hoje. E viu a primeira oportunidade de matar, como um desejo e um impulso. 

Foto retirada de Arquivo Pessoal

O livro nos faz vivenciar a vida desse assassino cruel, e a família desses jovens, que não puderam nunca se despedir. É um relato avassalador, que fará você entender um pouco a mente de um dos seriais killers mais perigoso do últimos tempos. 

Vocês sabem que eu sou suspeita para falar de não-ficção, mas essa aqui está um arraso. A edição da Darkside Books é simplesmente perfeita e os detalhes farão vocês se arrepiarem. Eu super indico essa leitura para quem gosta de violência, crime. Agora se você é sensível, não leia, pois contém detalhes de cenas.  

*Livro cedido em parceria com a Editora. 

Onde ComprarDarkSide Books

Título: Killer Clown Profile: Retrato de um assassino
Autor: Terry Sullivan e Peter Maiken
Editora: DarkSide Books
Páginas: 434

Sinopse: O palhaço Pennywise, de It: A Coisa, é apenas uma ficção macabra perto de Pogo, o alter ego de John Wayne Gacy. Cidadão modelo. Empresário de sucesso. Voluntário do hospital. Um dos assassinos em série mais sádicos de todos os tempos. Poucas pessoas podiam ver o monstro cruel sob a maquiagem colorida de palhaço que Gacy usava para entreter as crianças. Poucas pessoas podiam imaginar o que estava enterrado em sua casa de horrores.
Quando um adolescente desapareceu pouco antes do Natal de 1978, Gacy foi detido e uma equipe de investigadores foi enviada até sua casa com um mandado de busca. Enquanto vasculhavam o local procurando por pistas, toparam com indícios cada vez mais comprometedores e sinistros. O promotor do caso, Terry Sullivan, começava então a maior caçada de sua carreira.
Sullivan reconstruiu a investigação — de registros de violência no passado de Gacy à horrível descoberta de mais de trinta vítimas atribuídas ao assassino e ao chocante relato de testemunhas oculares — para levar o leitor ao centro de um julgamento e seus desdobramentos.
Killer Clown Profile: Retrato de um Assassino, novo livro da linha Crime Scene®, da DarkSide® Books, traz detalhes de investigações e audiências de John Wayne Gacy pela voz de quem caçou e prendeu o assassino em série brutal. Capítulo a capítulo vemos o caso se desenrolar, e as duas faces de Gacy — a do empresário bem-sucedido que ainda encontrava tempo para se dedicar aos interesses da comunidade e aquela que os psiquiatras nomeados pelo tribunal pintaram em seu julgamento — se mesclarem. Raramente é possível fazer um retrato tão profundo e fiel de um monstro.
A história de Gacy veio à tona e perturbou profundamente os moradores de Chicago. Como confiar novamente nas figuras que os rodeavam? O julgamento foi repleto de depoimentos e conjecturas obscenas da defesa, mas terminou com Gacy condenado à morte. Ele aguardou a execução de sua sentença por catorze anos, e usou seu período de isolamento para pintar diversos quadros (palhaços, autorretratos, figuras religiosas e bastante polêmicas), muitos dos quais foram vendidos — outros tantos queimados.
Poucos anos depois da condenação de Gacy, as pessoas viriam a se assustar novamente com palhaços, mas dessa vez na ficção: Stephen King lançou It: A Coisa em setembro de 1986, deixando para sempre a imagem perturbadora do palhaço Pennywise na mente de todos. Apesar de nunca ter confirmado a inspiração, os fãs do escritor de coração assombrado relacionam a origem do personagem com o visual de Gacy. E para quem sofre de coulrofobia, meio sorriso distorcido pela maquiagem excessiva já basta para causar pesadelos.
Killer Clown Profile: Retrato de um Assassino não pode faltar na estante dos darksiders. A Coleção Profile, da linha Crime Scene®, já publicou Ted Bundy: Um Estranho ao Meu Lado e BTK Profile: Máscara da Maldade, obras completas para quem quer investigar a mente dos psicopatas. O trabalho de Terry Sullivan e seu coautor, Peter T. Maiken, revelam os detalhes do caso de Gacy com uma narrativa envolvente e informativa que os verdadeiros fãs de true crime apreciam.
/

© Copyright 2017 - Embarcando na Leitura. Todos os direitos reservados