Hoje a resenha é sobre o livro "Véspera" de Carla Madeira.
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| Foto retirada de Arquivo Pessoal |
Eu estava bem curiosa para iniciar essa leitura, pois o último livro que li de Carla me deixou bem pensativa. Ainda mais sabendo que esse vai virar filme, então, não tinha como não ler.
Na história vamos conhecer Vedina, uma mulher que luta contra um casamento marcado pelo desamor e em um momento de total raiva e rancor acaba abandonando seu filho, um menino de apenas 5 anos. Ao voltar ao local, já se arrependendo no momento em que fez isso, não consegue achar a criança e aí ela luta contra o tempo e o seu arrependimento visceral.
Concomitante, vamos acompanhar a história de uma família que parecia tradicional, mas só parecia mesmo. Uma mãe extremamente religiosa, um pai alcoolista e filhos gêmeos. O sonho de Dona Custódia era ser mãe, sonhava e pedia a Deus todos os dias, até que vieram, não só uma benção, mas duas de uma vez só. Ela se sentiu muito agraciada. Estava feliz, mas mal sabia ela que os dois já estavam predestinados. Ao tentar se vingar da mulher, o pai coloca nomes que irão selar a vida dos dois filhos para o resto de suas vidas.
A narrativa é contada em dois tempos. O dia do abandono e os dias que o antecedem. Vamos conhecendo todos os envolvidos na trama e vamos nos apaixonando por alguns personagens e odiando outros.
Carla Madeira consegue prender o seu leitor, consegue nos deixar com raiva e ao mesmo tempo ansiosos para terminar o livro e saber o que de fato vai acontecer. As perguntas não terminam quando o livro acaba. Você teria coragem, mesmo ao extremo, de abandonar um filho? Você colocaria nomes nos seus filhos, que poderiam virar chacota, só pra penalizar uma pessoa? E se mesmo sabendo que a mulher não te quer, você insistir seria: amor ou obsessão? Você contaria que sofreu um abuso, mesmo esse sendo feito por um parente próximo?
As perguntas ficam matutando na nossa cabeça e a história vai sendo contada para tentar minimizar todas essas perguntas.
A Carla tem uma escrita fluida e muito interessante. Eu adorei "Tudo é rio", com uma escrita poética e sensível, esse aqui foge da mesmice, nos leva a lugares que também frequentamos, de uma mãe no auge do seu desespero, de irmãos tentando sobreviver ao bullying e ao desamor, de uma mulher sem amor, que corre atrás de migalhas. Esse livro nos conta tantas camadas, que é difícil digerir em um dia. Eu fiquei vários tentando entender. Então, se você não leu nada da Carla, eu a indico de olhos fechados. Agora, se você leu, vem me falar o que achou.
E só me resta esperar a adaptação para ver se ficará fiel ao livro.
Onde Comprar: Amazon
Título: Véspera
Autor: Carla Madeira
Editora: Record
Páginas: 280
Sinopse: Novo romance da autora do fenômeno Tudo é rio, Véspera retoma a escrita brilhante e contagiante de Carla Madeira, que desperta todo tipo de emoção no leitor. Carla Madeira cria personagens que parecem estar vivos diante de nós. As emoções que sentem são palpáveis e suas reações, autênticas. Temos a sensação de conhecê-los de perto, inclusive as contradições e os pontos cegos. Tal virtude é evidente em seu livro de estreia e grande sucesso, Tudo é rio (2014), mas também no livro seguinte, A natureza da mordida (2018). Os personagens de Véspera, este seu novo romance, possuem a mesma incrível força vital. Mas se em Tudo é rio Carla os criou com poucas pinceladas e traços incisivos, aqui, para delinear suas personalidades, ela opta por uma superposição de camadas psicológicas. Se antes eles primavam por temperamentos drásticos ― capazes de extremos de paixão, ciúme, ódio e perdão ―, aqui a estratégia gradativa de composição confere-lhes uma dose maior de mistério, sugerindo ao leitor antecipações que só aos poucos se confirmam, ou não. A força emocional continua existindo, porém está menos visível, o que deixa a atmosfera ainda mais carregada de suspense e tensão. A narrativa começa com a pergunta: como se chega ao extremo? Vedina, uma mulher destroçada por um casamento marcado pelo desamor, em um momento de descontrole abandona seu filho e, imediatamente arrependida, volta para o lugar onde o deixou e não encontra quaisquer vestígios de sua presença. Este é o acontecimento nuclear da trama que expõe as entranhas de uma família – pai alcóolatra, mãe controladora, irmãos gêmeos tensionados pelas diferenças – que, como tantas outras famílias, torna-se um lugar onde as singularidades de cada um não são acolhidas, criando rachaduras por onde a violência se infiltra. Contada em dois tempos, o dia do abandono e os dias que vieram antes dele, o romance avança como duas ondas até que elas se chocam e se iluminam. O leitor se vê diante de um espantoso presente que expõe o quanto as palavras são capazes de inventar a verdade. “O tempo flutua invisível e em espesso presente. Nada apodrece sem ele. Nada floresce. Nada se torna amável. Nenhum ódio viceja. Nenhuma umidade seca. Nenhuma sede cede. As tempestades não inquietam nele ventos, as avalanches não podem soterrá-lo, a perplexidade não o paralisa, o mal não o ameaça e o bem não faz com que se demore. Mas eis que um acontecimento, um único acontecimento, captura o tempo e o aprisiona.”
Denise Brigido "Uma pessoa que ama os livros, e esse mundo literário, adora viajar e conhecer novas culturas e é louca pelos animais. Sou apaixonada pela vida, pelos animais e por viagens. Fisioterapeuta de profissão e leitora compulsiva de coração! Leio livros desde os meus 8 anos e hoje aos 30 resolvi embarcar nessa aventura, que é poder compartilhar um pouco com vocês o meu amor por esse universo literário."
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