Hoje a resenha é sobre o livro "Made in Brazil" de Ilana Casoy

Eu sempre gostei de livros com um quê de policial, investigativo e de fatos reais, mas não imaginei que ia ficar tão vidrada nesse da Ilana.
Quando eu li Mentes Perigosas - O psicopata mora ao lado da Ana Beatriz Barbosa Silva, fiquei fascinada por esse mundo da psicopatia e transtornos da mente que faz um ser humano atacar o outro ou até mesmo causar um desconforto no outro, nem que seja uma coisa simples, como um: Você acha que vai conseguir fazer isso?, sim, isso também é um tipo de abuso, aquele que nos desconcerta e que coloca em cheque a nossa capacidade de fazer algo e de ter sucesso naquilo.
"Eu apelo para o futuro; eu apelo para uma época em que o ódio e a crueldade não mais controlarão os corações dos homens. Época em que poderemos aprender através da razão, do bom senso, do entendimento e da fé que cada vida vale a pena ser salva e que a compaixão é o maior atributo do homem"
Essa fascinação nos leva ao livro da Ilana. Made in Brazil é um livro que trata do relato de 7 assassinos cruéis (José o "Preto Amaral"; Febrônio o "Filho da Luz"; Benedito o "Monstro de Guaianazes"; Francisco o "Chico Picadinho"; José o "Monstro do Morumbi"; Marcelo o "Vampiro de Niterói" e o Pedro o " Pedrinho matador") que viveram no Brasil entre 1929 até os tempos atuais. O livro conta a história completa, os fatos, narra os acontecimentos da época e até mesmo se houve condenação ou não no caso.

Foto retirada do arquivo pessoal
Confesso que comecei a ler esse livro, e dificilmente eu me impressiono, mas algo dentro de mim ficou mexida. Eu vivenciei os fatos, mesmo no meu subconsciente, e pude perceber o quanto eu fiquei tocada com cada história e cada pessoa que virou vítima desses assassinos. E uma das histórias que mais me impressionaram foi a do Vampiro de Niterói. 
"Dos membros do Nufor que participaram da entrevista, eu era a única inexperiente na situação. Apesar disso, todos nós nos sentimos mal ao término dos trabalhos. Eu fiquei de cama por quatro dias."
E é aí que o livro acaba se tornando muito interessante e ao mesmo tempo impressionante. Eu comecei a ler a história de vida desses homens, que de alguma forma, nos chama para a realidade do nosso país. A maioria foram crianças sem estruturas, abusadas, abandonas/negligenciadas pelos pais, que não tinham perspectiva ou que até tinham, mas as oportunidades lhes fugiram das mãos. E nesse momento você pensa que poderia ter sido seu filho, seu irmão, sua mãe ou seu pai o abusado e morto, só que aí você também pensa que poderia ter sido seu pai, seu irmão, sua mãe o abusador/matador! E aí como balancear esses pensamentos? 
"Aqui, depois da entrevista, muitos mitos caíram por terra e temos finalmente o relato dos fatos. Mitos são sempre perigosos - podem ser ótimos, mas também podem ser péssimos. Sem bem nem mal, são apenas mito. Então desmistificar também é importante. "
É minha gente, não é fácil. Ler esse livro me fez reviver muitas coisas que aconteceram e que acontecem diariamente no nosso país, essa discrepância social a qual estamos fadados e o quão impotentes somos, em algumas das vezes, para tentar minimizar isso. O que eu sei é que fiquei extremamente penalizada, tocada e vidrada nas histórias! Ilana escreve de uma maneira genial e nos faz refletir sobre muitas coisas a respeito desses assassinos, afinal não estamos aqui para julgar e esse não é o intuito do livro. O livro está aí para tentarmos entender um pouco a mente desses assassinos e nos reporta a tudo que foi feito na época e como eles foram vistos perante a sociedade. Trás também sobre os Hospitais de Custódia e Tratamento Psiquiátrico tanto no Estado de SP como no Rio de Janeiro e como esses "presos" estão sendo tratados nesses locais. 

O que eu sei é que esse universo que permeia sobre a saúde mental e nos faz questionar tantas coisas me deixam fascinada e é isso que o livro nos faz sentir: fascinação! E se você está se perguntando se eles são psicopatas ou não, eu não posso responder! Vou deixar a cargo da leitura e assim cada um poderá tirar as suas próprias conclusões. A única coisa que sei é que o livro é SENSACIONAL e ILANA  já é minha musa inspiradora! 
"Como conclusão, entendemos a lição: o delito é transitório, mas a doença mental não. O paciente não pode ser abandonado pelo Estado ao término de sua medida de segurança. Devem ser dadas todas as garantias para que ele tenha as melhores condições de conviver com a doença sem correr o risco de cometer novos delitos por falta de tratamento e acompanhamento."
E eu tenho que agradecer também a Editora DarkSide Books que publicou as duas obras da autora e que ficaram lindamente lindas nessa forma definitiva. A edição é esplêndida, tiro meu chapéu. 

E para você que está se perguntando se quer ou não ler, pare de pensar e vá ler!


Título: Arquivos Serial Killers - Made in Brazil
Autor: Ilana Casoy
Editora: DarkSide Books
Páginas: 360
Sinopse: Após o sucesso do seu primeiro livro, Ilana Casoy dedicou-se a uma pesquisa rigorosa para investigar os serial killers brasileiros, no que viria a ser o primeiro livro do gênero dedicado aos assassinos em série do Brasil. Foram cinco anos de pesquisas, visitas a arquivos públicos, manicômios e penitenciárias, além de entrevistas cara a cara com personificações do mal em terras tupiniquins, para compor um inquietante roteiro com rigor investigativo de como, por quê e com que métodos os serial killers brasileiros atuam.
Em Made in Brazil, Casoy relata sete casos de serial killers brasileiros, três dos quais ela entrevistou pessoalmente: Marcelo Costa de Andrade, o vampiro de Niterói, um dos casos e depoimentos mais chocantes do currículo da autora; Francisco Costa Rocha, o Chico Picadinho; e Pedro Rodrigues Filho, o Pedrinho Matador. Um relato cruel feito pelos próprios assassinos, conduzido com maestria por quem entende do assunto, que procura guiar o leitor pela sinuosa mente de pessoas frias e com movimentos mais que premeditados para o mal. Além deles, a autora se debruça sobre a vida e os crimes de José Augusto do Amaral (Preto Amaral), Febronio Índio do Brasil, Benedito Moreira de Carvalho (Monstro de Guaianases) e José Paz Bezerra (Monstro do Morumbi).






Deixe um comentário