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8 de fevereiro de 2026

{Resenha} Torto Arado

Hoje a resenha é sobre o livro "Torto Arado" de Itamar Vieira Junior.

Foto retirado de Arquivo Pessoal

Eu ganhei esse livro de aniversário e demorei um pouco para ler, mas acredito que foi o momento certo da leitura. Itamar tem uma narrativa surpreendente e esse livro é aquela leitura necessária. 

Nessa história, iremos mergulhar na vida das irmãs Belonísia e Bibiana, duas meninas que ao se depararem com uma faca bem brilhante, não se aquietam até pegar e fazer o que toda a criança faz: traquinagem. Porém, após uma delas ter a língua mutilada, isso sela de vez o futuro das duas e muda as suas percepções de vida. 

A vida no sertão não é fácil, as meninas crescem em uma família regada de amor, mas ao mesmo tempo muita luta, pobreza e desigualdade social. Salustiana e Zeca Chapéu Grande conduzem a família no campo, auxiliam as meninas a trabalhar, mesmo que esse trabalho não seja convertido em dinheiro. Era uma época em que você labutava e ganhava em troca comida e casa. Uma casa de barro batido, que precisava sempre ser refeito devido às chuvas e ao tempo.

O pai das meninas era um benzedeiro na época, rodeado de espíritos, ajudou muitas famílias a sair das dificuldades da vida com suas ervas e chás. Além disso, a espiritualidade era muito presente na família e dona Salu ainda ajudava na vinda dos bebês ao mundo. 

A história vai relatando a luta das mulheres, que se colocam a frente para melhores condições de vida e moradia, a criação do quilombola, que auxilia nessa valorização. As dificuldades que essas mulheres passavam, também é tratada de uma forma muito sensível pelo autor.

A relação das irmãs dá um quentinho no coração, até mesmo quando elas passam pela adolescência e a fase adulta. 

O livro traz entraves que por mais que sejam de outros tempos, ainda acontece nos tempos atuais. Essas brigas por terra, valorização do trabalhador braçal e do campo, a desigualdade social, o trabalho pautado na valorização salarial, tudo isso só nos faz pensar em como era antes e das dificuldades nos tempos atuais. 

Eu amei a leitura, acredito que o Itamar nos traz para uma realidade nua e crua, faz com que analisemos o nosso país e como essa desigualdade social assola a vida de muitos brasileiros. 

Eu espero que muitas pessoas leiam esse livro, que se faz necessário, para entender só um pouquinho do que foi e ainda é a história do nosso país. Obrigada, Itamar, por essa obra super rica. Indico de olhos fechados. 

Onde Comprar: Amazon


Título: Torto Arado
Autor: Itamar Vieira Junior
Editora: Todavia
Páginas: 262

Sinopse: Obra literária obrigatória para os vestibulares UEL 2025 e UFSC 2025. Um texto épico e lírico, realista e mágico que revela, para além de sua trama, um poderoso elemento de insubordinação social. Nas profundezas do sertão baiano, as irmãs Bibiana e Belonísia encontram uma velha e misteriosa faca na mala guardada sob a cama da avó. Ocorre então um acidente. E para sempre suas vidas estarão ligadas — a ponto de uma precisar ser a voz da outra. Numa trama conduzida com maestria e com uma prosa melodiosa, o romance conta uma história de vida e morte, de combate e redenção.

11 de janeiro de 2026

{Resenha} A Vegetariana

 Hoje a resenha é sobre o livro "A vegetariana" de Han Kang. 

Foto retirada de Arquivo Pessoal

Eu comecei a ler esse livro despretensiosamente, estava de férias e queria uma leitura rápida, mas me enganei no "rápida". 

O livro é dividido em três partes. Na primeira parte, vamos conhecer a história de Yeong-hye pelos olhos do seu marido. Um homem totalmente acomodado e pragmático, não entendo o porquê a esposa parou de comer carne. A narração é um tanto desesperadora, pois ele a trata tão mal, só pelo fato dela não seguir os padrões da sociedade, que a gente passa a querer acolher essa mulher. 

A segunda parte é narrada pelo cunhado de Yeong. Um artista que se torna obcecado pelo corpo magra e sem forma da cunhada, por acreditar que ela possa virar uma tela viva na imaginação dele. 

A forma como esse homem a trata, também denota como os homens viam as mulheres: como mero objetos. É bem assustador e triste ao mesmo tempo.

A terceira parte é narrada pela irmã de Yeong-hye. Conseguimos ver o que a culpa e a dor não faz com uma pessoa. As duas estão em momentos distintos, mas compartilham de traumas e tentam superar cada uma a sua forma. Yeong não quer mais comer e quer se tornar uma planta, sua irmã acha que mantendo o contato e tentando alertá-la sobre as coisas da vida, a outra possa mudar de ideia. Ao mesmo tempo que a irmã da protagonista se vê com raiva e querendo enterrar suas dores. 

Vimos ao longo da leitura, que Yeong não tem voz ativa, ela sempre é vista e criticada pelas pessoas que a narram, através do seu silêncio, que é narrado pelos outros personagens podemos observar uma forma de protesto. Não seria só o fato de não comer carne, mas a opressão pelo padrão, por seguir regras, por ser mulher. Vimos que Yeong luta por muitas causas, mas é sempre mal compreendida e criticada pelos seus. 

O livro nos faz refletir sobre a rebeldia refletida no corpo feminino, a forma frágil que a mente age sobre as pressões impostas pela sociedade e o preço de sair de um sistema tão sufocante, principalmente para a mulher que tem um papel a cumprir em uma sociedade extremamente patriarcal e machista. Lembrando que o livro é uma obra sul-coreana. 

Apesar de curto, é uma obra intensa, que nos faz refletir sobre o papel da mulher na sociedade e o que acontece quando ela rompe barreiras. Vale muito a pena a leitura. 

Onde Comprar: Amazon


Título: A vegetariana 
Autor: Han Kang
Editora: Todavia 
Páginas: 176

SinopseA vegetariana, romance perturbador e único, tem sido apontado como um dos livros mais importantes da ficção contemporânea – e uma introdução à fecunda literatura produzida na Coreia do Sul. 

"… Eu tive um sonho", diz Yeonghye, e desse sonho de sangue e escuros bosques nasce uma recusa vista como radical: deixar de comer, cozinhar e servir carne. É o primeiro estágio de um desapego em três atos, um caminho muito particular de transcendência destrutiva que parece infectar todos aqueles que estão próximos da protagonista. A vegetariana conta a história dessa mulher comum que, pela simples decisão de não comer mais carne, transforma uma vida aparentemente sem maiores atrativos em um pesadelo perturbador e transgressivo. Narrado a três vozes, o romance apresenta o distanciamento progressivo da condição humana de uma mulher que decidiu deixar de ser aquilo que marido e família a pressionaram a ser a vida inteira. Este romance de Han Kang tem sido apontado como um dos livros mais importantes da ficção contemporânea. Uma história sobre rebelião, tabu, violência e erotismo escrita com a clareza atordoante das melhores e mais aterradoras fábulas. Esta tradução, diretamente do coreano, restitui o estranhamento da obra original.

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